Cita√ß√Ķes de Svetlana Alexijevich

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Svetlana Alexijevich para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A morte é a coisa mais justa do mundo. Nunca ninguém ficou de fora. O mundo leva toda a gente Рo bondoso, o cruel, os pecadores. Fora isso, não existe nada que seja justo no mundo.

Todas as pessoas t√™m coisas importantes para contar. Se criarmos um ambiente de confian√ßa, calmo, √≠ntimo, surgem grandes hist√≥rias. Pessoas sem import√Ęncia t√™m grandes hist√≥rias. Mas se fa√ßo uma pergunta banal, obtenho uma resposta banal. As pessoas t√™m uma grande necessidade de falar de coisas s√©rias. Mas acontece que n√£o lhes d√£o oportunidade. Ningu√©m as quer ouvir. Vivemos num mundo de banalidade. O trabalho do escritor √© resgatar as pessoas dessa banalidade.

Com dinheiro posso comprar uma coisa, posso comprar liberdade. Eu levo muito tempo a escrever os meus livros – de cinco a dez anos. (…) Tenho ideias para dois novos livros, estou contente porque agora estarei livre para trabalhar neles.

Mostrem-me um romance fantástico sobre Chernobyl Рnão existe nenhum! Porque a realidade é sempre mais fantástica.

A Realidade é Mais Poderosa que Qualquer Literatura

Eu costumava pensar que podia compreender tudo e exprimir tudo. Ou quase tudo. Eu lembro-me que quando estava a escrever o meu livro sobre a guerra no Afeganist√£o, Zinky Boys, que fui ao Afeganist√£o e eles mostraram-me algumas das armas estrangeiras que tinham sido capturadas aos combatentes afeg√£os. Fiquei espantada com a perfei√ß√£o das suas formas, e quanto perfeitamente um pensamento humano poderia ser expresso. Havia um oficial ao meu lado que disse: “Se algu√©m pisar esta mina italiana que voc√™ diz que √© t√£o bonita que parece uma decora√ß√£o de Natal, n√£o restaria mais nada deles al√©m de um balde de carne. Voc√™ teria que rasp√°-los do ch√£o com uma colher. ” Quando me sentei para escrever isto, foi a primeira vez que eu pensei, “Isto √© algo que devo dizer?” Eu tinha sido educada na grande literatura russa, pensei que poderia ir muito muito longe, e ent√£o escrevi sobre aquela carne. Mas a Zona – √© um mundo √† parte, um mundo dentro do resto do mundo – e √© mais poderoso do que qualquer coisa que a literatura tenha a dizer.

Eu investigo a vida √† procura de observa√ß√Ķes, nuances, detalhes. Porque o meu interesse na vida n√£o √© o evento em si, n√£o a guerra como tal, n√£o Chernobyl como tal, n√£o o suic√≠dio como tal. O que me interessa √© o que acontece com o ser humano, o que acontece com ele nos nossos tempos. Como o homem se comporta e reage. Quanto do homem biol√≥gico est√° nele, quanto do homem do seu tempo, quanto o homem do homem.

A verdade √© como uma sinfonia. N√≥s estamos aqui a conversar, mas se amanh√£ nos pedirem para relatar o que se passou, cada um ter√° uma vers√£o diferente. S√≥ se unirmos as v√°rias vers√Ķes, as v√°rias vozes, conseguiremos construir a Hist√≥ria, que √© uma soma dessas experi√™ncias individuais. A Hist√≥ria colectiva √© uma grande mentira. Quando ouvimos as pessoas, elas dizem coisas inesperadas, coisas que n√£o sab√≠amos.

A Realidade em Coro

A realidade sempre me atraiu como um √≠man, torturando-me e hipnotizando-me, e eu queria captur√°-la no papel. Comecei ent√£o a apropriar-me imediatamente deste g√©nero de vozes humanas e confiss√Ķes, de evid√™ncias de testemunhas e documentos. Isto √© como eu vejo e ou√ßo o mundo – como um coro de vozes individuais e uma colagem de detalhes quotidianos. Desta forma, todo o meu potencial mental e emocional √© realizado em pleno. Desta forma eu posso ser, simultaneamente, uma escritora, uma jornalista, uma soci√≥loga, uma psic√≥loga e uma pregadora.