Passagens sobre Procura

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Frases sobre procura, poemas sobre procura e outras passagens sobre procura para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A maioria sofre durante quase todo o seu tempo, apenas para poder viver, e os poucos lazeres que lhe restam s√£o de tal modo cheios de preocupa√ß√Ķes, que ele procura todos os meios de alivi√°-las.

A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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Os rapazes n√£o andam √† procura de uma rapariga ideal. Ali√°s, para falar verdade, o ideal de um rapaz √© ter uma data de raparigas √† procura dele. E quanto menos ideais, melhor. √Č por isso que os rapazes s√£o mais est√ļpidos que as raparigas.

A Vida Que Nos Escapa Entre os Dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E n√£o sem acerto, porque todas as coisas agrad√°veis devem ser tidas como inocentes, e at√© que se provem culpadas todas as presun√ß√Ķes pendem a seu favor. A vida j√° √© bastante penosa para que ainda a agravemos com proibi√ß√Ķes e obst√°culos aos seus deleites; t√£o arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente – e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito r√°pidamente todas as alegrias perdem a vivacidade – e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O pr√≥prio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a esta√ß√£o pr√≥pria – a velhice.
√Č este o grande drama do prazer; todas as coisas agrad√°veis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto √© mais retribu√≠do. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e inj√ļrias e demoramo-nos sobre as vit√≥rias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual s√≥ retemos na mem√≥ria o bom,

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Mais Nada se Move em Cima do Papel

mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no h√ļmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta √Ęnfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manh√£s idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilus√£o

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

VII

Versos feitos por mim na mocidade
O mérito só tem sentimento.
Eram, pra assim dizer, um instrumento
Mais que o prazer ecoando-me a saudade.

Pospondo a fantasia sempre à verdade
Melhor encontrei nesta o ornamento
E, no estudo apurando o sentimento,
Quanto tenho a saber disse-me a idade.

√Č isso o que vos quero eu ensinar,
Amando-vos qual pode um terno av√ī,
A quem para as suas c√£s engrinaldar

Melhor só poderia o que eu vou
Em carícias tão vossas procurar,
Sentindo que de vós inda mais sou.

Imitadores

Os homens n√£o descendem dos macacos, mas desenvolvem todos os esfor√ßos para o fazer crer. O pecado original aproximou-nos dos animais e toda a alma √©, de uma maneira ou de outra, uma crestomia zool√≥gica. O que Dante diz das ovelhas – ¬ęe o que uma faz primeiro as outras imitam¬Ľ – poder-se-ia aplicar a quase todos n√≥s.
Desde que Ad√£o resolveu imitar Eva e mordeu o fruto, somos, a despeito da nossa ilus√£o em contr√°rio, uma sucess√£o infinita de c√≥pias. Um √ļnico cunho – em regra, chamado g√©nio – basta para imprimir milhares e milhares daquelas moedas vulgares que circulam pela Terra. E o g√©nio nem sempre se liberta da servid√£o universal da imita√ß√£o. Toda a vida √© um mosaico de pl√°gios.
A maioria imita por preguiça, para se poupar o trabalho de procurar e inventar, ou por prudência, que aconselha os caminhos percorridos e as experiências coroadas de êxito. Compreende-se que a humildade, embora rara, leve naturalmente quem a possui a imitar aqueles que reconhece superiores, mas a própria soberba, que deveria afastar da repetição, torna-nos macacos. Se viver é distinguir-se, o orgulhoso deveria providenciar para não se parecer com ninguém. Mas a inveja, sob a sonante designação da emulação,

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Esta Noite Morrer√°s

Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e uma gota de sangue ressequido
é a marca dos teus passos.
No coração do tempo pulsa um maquinismo ínscio
e na casa do tempo a hora é adorno.
Quando a lua vier tocar-me o rosto a tua sombra extinta marca
o fim de um eclipse hor√°rio de uma partida iminente e o tempo
apaga a marca dos teus passos sobre o meu nome.
Constante.
O mar é isso.
A lua vir tocar-me o rosto e encontrar urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
O mar é tu morreste.
O mar é ser noite e vir a lua tocar-me o rosto quando tu par-
tiste e no meu leito crescem folhas sangue.
A febre é uma pira incompreensível como a aparição da lua
e a opacidade do mar.
No meu leito a lua vai tocar-me o rosto e a tua ausência é um
prisma,

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Toda a Sociedade Est√° dentro de Mim

Fazer qualquer coisa ao contr√°rio do que todos fazem √© quase t√£o mau como fazer qualquer coisa porque todos a fazem. Mostra uma igual preocupa√ß√£o com os outros, uma igual consulta da opini√£o deles – caracter√≠stica certa da inferioridade absoluta. Abomino por isso a gente como Oscar Wilde e outros que se preocupam com seres imorais ou infames, e com o impingir paradoxos e opini√Ķes delirantes. Nenhum homem superior desce at√© dar √† opini√£o alheia tal import√Ęncia que se preocupe em contradiz√™-la.
Para o homem superior n√£o h√° outros. Ele √© o outro de si pr√≥prio. Se quer imitar algu√©m, √© a si pr√≥prio que procura imitar. Se quer contradizer algu√©m, √© a si mesmo que busca contradizer. Procura ferir-se, a si pr√≥prio, no que de mais √≠ntimo tem… faz partidas √†s suas pr√≥prias opini√Ķes, tem longas conversas cheias de desprezo e com as sensa√ß√Ķes que sente. Todo o homem que h√° sou Eu. Toda a sociedade est√° dentro de mim. Eu sou os meus melhores amigos e os meus verdadeiros inimigos. O resto – o que est√° l√° fora – desde as plan√≠cies e os montes at√© √†s gentes – tudo isso n√£o √© sen√£o paisagem…

Cadê Eu?

Cadê eu? perguntava-me. E quem respondia era uma estranha que me dizia fria e categoricamente: tu és tu mesma. Aos poucos, à medida que deixei de me procurar fiquei distraída e sem intenção alguma. Eu sou hábil em formar teoria. Eu, que empiricamente vivo. Eu dialogo comigo mesma: exponho e me pergunto sobre o que foi exposto, eu exponho e contesto, faço perguntas a uma audiência invisível e esta me anima com as respostas a prosseguir. Quando eu me olho de fora para dentro eu sou uma casca de árvore e não a árvore. Eu não sentia prazer. Depois que eu recuperei meu contato comigo é que me fecundei e o resultado foi o nascimento alvoroçado de um prazer todo diferente do que chamam prazer.

A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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Tentara o Amor de Abril

Tentara o amor de Abril tornar mais duro,
Naquele mês de céu azul cortado
Pelas pandorgas cor do assombro, o brado
Que no meu peito armava o meu futuro;

Porque de novo, a procurar, procuro,
De bruços na janela, e debruçado
Por sobre as m√°goas deste amor calado,
Nas portas tenebrosas, o ar mais puro.

Firmando para o Norte, o brando povo
Das andorinhas parte, e fervoroso
Consuma o seu destino. Eu tento arm√°-lo

No céu da alma, e durmo procurando
Essa firmeza no abandono, e calo,
Por pouco tempo embora o como e o quando.

A Indiferença ou a Paixão pelos Outros

O que √© mais proveitoso ‚ÄĒ perguntava eu ‚ÄĒ representar o mundo como pequeno ou como grande? Vejamos como eu resolvia o assunto: os homens eminentes, os capit√£es famosos, os estadistas competentes, em suma, todos os conquistadores e todos os chefes que se elevam pela viol√™ncia acima dos outros homens, devem ser feitos de tal maneira que o Mundo lhes deve parecer como um tabuleiro de damas. Se assim n√£o fosse, eles n√£o teriam a rudeza e a impassibilidade necess√°rias para subordinarem audaciosamente aos seus imprevis√≠veis planos a felicidade e os sofrimentos dos indiv√≠duos isolados, sem se importarem nada com isso. Em contrapartida, uma t√£o limitada concep√ß√£o pode levar os homens a n√£o realizarem coisa alguma, porque todo aquele que considera a humanidade como uma coisa sem import√Ęncia acabar√° por a achar insignificante e por so√ßobrar na indiferen√ßa e na passividade. Desdenhoso de tudo, preferir√° a in√©rcia √† ac√ß√£o sobre os esp√≠ritos, sem contar que a sua insensibilidade, a sua aus√™ncia de simpatia e a sua letargia chocar√£o toda a gente, ofendendo constantemente um mundo imbu√≠do do seu pr√≥prio valor. Assim se lhe fechar√£o todas as vias de um sucesso imprevisto. Ser√° mais razo√°vel ‚ÄĒ perguntava eu, ent√£o ‚ÄĒ ver na humanidade qualquer coisa de grande,

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O Homem Certo

Hoje, numa √©poca em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlat√£es usam as mesmas f√≥rmulas com m√≠nimas diferen√ßas, cujo percurso nenhum homem ocupado tem tempo de seguir, num tempo em que as redac√ß√Ķes dos jornais s√£o constantemente incomodadas por gente que acha que √© um g√©nio, √© muito dif√≠cil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de p√©s diante da porta da redac√ß√£o s√£o suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da polis. A partir desse momento, por√©m, o g√©nio passa a outra condi√ß√£o. Deixa de ser mat√©ria f√ļtil da cr√≠tica liter√°ria ou teatral, cujas contradi√ß√Ķes os leitores que qualquer jornal deseja ter levam t√£o pouco a s√©rio como a tagarelice de uma crian√ßa, para aceder ao estatuto de factos concretos, com todas as consequ√™ncias que isso tem.
Certos fan√°ticos insensatos ignoram a necessidade desesperada de idealismo que se esconde por detr√°s de tal situa√ß√£o. O mundo dos que escrevem porque t√™m de escrever est√° cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a subst√Ęncia. Os atributos dos grandes homens e das grandes causas sobrevivem ao que quer que seja que lhes deu origem,

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