É Preciso Restaurar o Homem

A minha civilização repousa sobre o culto do Homem atravĂ©s dos indivĂ­duos. Teve o desĂ­gnio, durante sĂ©culos, de mostrar o Homem, assim como ensinou a distinguir uma catedral atravĂ©s das pedras. Pregou esse Homem que dominava o indivĂ­duo…
Porque o Homem da minha civilização nĂŁo se define atravĂ©s dos homens. SĂŁo os homens que se definem atravĂ©s dele. HĂĄ nele, como em todo o Ser, qualquer coisa que os materiais que o compĂ”em nĂŁo explicam. Uma catedral Ă© uma coisa muito diferente de uma soma de pedras. É geometria e arquitectura. NĂŁo sĂŁo as pedras que a definem, Ă© ela que enriquece as pedras com o seu prĂłprio significado. Essas pedras ficam enobrecidas por serem pedras de uma catedral. As pedras mais diversas servem a sua unidade. A catedral as absorve, atĂ© Ă s gĂĄrgulas mais horrendas, no seu cĂąntico.
Mas, pouco a pouco, esqueci a minha verdade. Julguei que o Homem resumia os homens, tal como a Pedra resume as pedras. Confundi catedral e soma de pedras, e, pouco a pouco, a herança desvaneceu-se. É preciso restaurar o Homem. Ele Ă© a essĂȘncia da minha cultura. Ele Ă© a chave da minha Comunidade. Ele Ă© o princĂ­pio da minha vitĂłria.

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