Passagens sobre Civilização

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A Base e o Progresso da Civilização

Os homens mais felizes e mais √ļteis s√£o feitos de um conjunto harmonioso de actividades intelectuais e morais. E √© a qualidade destas actividades e a igualdade do seu desenvolvimento que que conferem a este tipo a sua superioridade sobre os outros. Mas a sua intensidade determina o n√≠vel social de um dado indiv√≠duo e faz dele um comerciante ou um director de banco, um pequeno m√©dico ou um professor c√©lebre, um presidente de uma junta de freguesia ou um presidente dos Estados Unidos. O desenvolvimento de seres humanos completos dever ser o objectivo dos nossos esfor√ßos. S√≥ neles pode assentar uma civiliza√ß√£o s√≥lida.
Existe ainda uma classe de homens que, apesar de tão desarmónicos como os criminosos e os loucos, são indispensáveis à sociedade moderna. São os génios. Estes indivíduos caracterizam-se pelo crescimento monstruoso de uma das actividades psicológicas. Um grande artista, um grande cientista, um grande filósofo é geralmente um homem comum em que uma função se hipertrofiou. Pode também ser comparado a um tumor que se tivesse desenvolvido num organismo normal. Estes seres não equilibrados são, em geral, infelizes. Mas produzem grandes obras, das quais toda a sociedade beneficia. A sua desarmonia gera o progresso da civilização.

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As Três Espécies de Portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro √© o portugu√™s que o n√£o √©. Come√ßou com a invas√£o mental estrangeira, que data, com verdade poss√≠vel, do tempo do Marqu√™s de Pombal. Esta invas√£o agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a Rep√ļblica. Este portugu√™s (que √© o que forma grande parte das classes m√©dias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) √© o que governa o pa√≠s. Est√° completamente divorciado do pa√≠s que governa. √Č, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, √© est√ļpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas,

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H√° tr√™s maneiras de viver numa civiliza√ß√£o: com as convic√ß√Ķes partid√°rias, com o julgamento din√Ęmico do homem livre, ou com os impulsos do cora√ß√£o. Todas elas podem ser honrosas ou infames; depende da inspira√ß√£o que sofrem umas das outras. Pois nada √© completamente necess√°rio sen√£o na medida em que depende duma outra realidade.

Onde Começa a Felicidade

¬ęAurea mediocritas¬Ľ – dizia Hor√°cio, um dos poetas latinos que faz a base da nossa civiliza√ß√£o. As palavras com o tempo corrompem-se, alteram-se, adulteram-se. ¬ęMediocritas¬Ľ em portugu√™s deu mediocridade, tal como ¬ęparvus¬Ľ deu parvo, ao contr√°rio do castelhano em que apenas significa pequeno, ou ¬ęsinistra¬Ľ em italiano quer apenas dizer esquerda.

A ¬ęAurea mediocritas¬Ľ que cantava Hor√°cio era a doce e suave mediania entre as emo√ß√Ķes, um equil√≠brio quase buc√≥lico na vida a ter e nos neg√≥cios a ter na vida. N√£o, Hor√°cio, romano educado, n√£o era adepto dos desportos radicais.
Equil√≠brio entre o qu√™? Distorcendo Hor√°cio, a dois mil anos de dist√Ęncia, podemos dizer, talvez, equil√≠brio entre o sonho e a realidade. A felicidade n√£o pode ser s√≥ o que h√°, sen√£o apodrecemos, mas tamb√©m n√£o pode ser s√≥ o que desejamos, sen√£o ficamos com uma neurose de tanto ansiar pelo que h√°-de vir.

O resto √© com cada qual. Alguns gostam da felicidade bovina de n√£o pensar muito, outros gostam de estar sozinhos no deserto, outros ficam felizes com a desgra√ßa alheia. Estes tr√™s exemplos s√£o, c√° para mim, desgra√ßados, mas o que sei eu dos outros? √Č por n√£o saber nada dos outros que escrevo hist√≥rias sobre os outros.

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O objectivo do mentiroso √© simplesmente o de agradar, de encantar, de dar prazer. √Č a base da sociedade civilizada.

Pelo grau de liberdade de que gozam as mulheres, se mede rigorosamente, em cada país, em cada século, o grau de civilização que os homens atingiram.

Faça dos confrontos nas ruas, no trabalho, disputas limpas, as quais são praxes no mundo civilizado. Agir de forma grotesca é não conquistar novos amigos e, pior, afastar os que foram conquistados.

O Progresso Real não se Deve aos Génios

√Č opini√£o, pode dizer-se, universal, que o conhecimento humano deve a maior parte do seu progresso √†queles g√©nios supremos que surgem de quando em quando, um agora, outro depois, que s√£o quase milagres da natureza. Eu, pelo contr√°rio, penso que ele deva a sua maior parte aos g√©nios comuns, e muito pouco aos extraordin√°rios. Um destes, suponhamos, depois de ter preenchido com a erudi√ß√£o a √°rea do conhecimento dos seus contempor√Ęneos, avan√ßa no saber, digamos, dez passos em frente. Os outros homens, por√©m, n√£o s√≥ n√£o se aprestam a segui-lo como, a maior parte das vezes, isto para n√£o dizer pior, se riem do seu progresso.
Entretanto muitos g√©nios med√≠ocres, valendo-se em parte, talvez, dos pensamentos e das descobertas daquele extraordin√°rio, mas principalmente atrav√©s de estudos deles pr√≥prios, d√£o um passo em conjunto; e, nesse passo, dada a pequenez do espa√ßo, isto √©, a reduzida novidade das suas opini√Ķes, e tamb√©m devido ao elevado n√ļmero daqueles que s√£o os seus autores, ao fim de alguns anos s√£o universalmente seguidos. Assim, avan√ßando, como √© seu h√°bito, a pouco e pouco, e por obra e a exemplo de outros intelectos med√≠ocres, os homens completam, finalmente, o d√©cimo passo; e as opini√Ķes daquele g√©nio extraordin√°rio s√£o geralmente aceites como verdadeiras em todos os pa√≠ses civilizados.

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A nossa civiliza√ß√£o √© em grande parte respons√°vel pelas nossas desgra√ßas. Ser√≠amos muito mais felizes se a abandon√°ssemos e retorn√°ssemos √†s condi√ß√Ķes primitivas.

Um decreto a reconhecer a cidadania faz-se em minutos e pode fazer-se já; um cidadão, isto é, o homem pleno e conscientemente integrado numa sociedade política civilizada leva séculos a fazer.

Mediocridade de Espírito

O nosso m√°ximo esfor√ßo de independ√™ncia consiste em opor, por vezes, um pouco de resist√™ncia √†s sugest√Ķes quotidianas. A grande massa humana nenhuma resist√™ncia op√Ķe e segue as cren√ßas, as opini√Ķes e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consci√™ncia do que a folha seca arrastada pelo vento.
S√≥ numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opini√Ķes pessoais. Todos os progressos da civiliza√ß√£o procedem, evidentemente, desses esp√≠ritos superiores, mas n√£o se pode desejar a sua multiplica√ß√£o sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos r√°pidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo an√°rquica. A estabilidade necess√°ria √† sua exist√™ncia √© precisamente estabelecida gra√ßas ao grupo compacto dos esp√≠ritos lentos e med√≠ocres, governados por influ√™ncias de tradi√ß√Ķes e de meio.
√Č, portanto, √ļtil para uma sociedade que ela se componha de uma maioria de homens m√©dios, desejosos de agir como toda a gente, que t√™m por guias as opini√Ķes e as cren√ßas gerais. √Č muito √ļtil tamb√©m que as opini√Ķes gerais sejam pouco tolerantes, pois o medo do ju√≠zo alheio constitui uma das bases mais seguras da nossa moral.
A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo,

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