Passagens sobre Indivíduo

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Frases sobre indiv√≠duo, poemas sobre indiv√≠duo e outras passagens sobre indiv√≠duo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A √önica Realidade Social (2)

As qualidades puramente sociais que governam os homens s√£o o ego√≠smo, a socialidade e a vaidade. Por socialidade entendo o instinto greg√°rio; √© ela que ameniza e limita, sem nunca o eliminar nem essencialmente o alterar, o ego√≠smo, qualidade prim√°ria, que se deriva da pr√≥pria circunst√Ęncia de haver um ego. A vaidade √© a consequ√™ncia do ego√≠smo na sua limita√ß√£o pela sociedade; √© a qualidade social humana mais evidente. Todo o homem quer ser mais que outro, todo o homem quer brilhar. Variam, com as √≠ndoles e as aptid√Ķes, as maneiras em que o homem quer destacar-se, mas cada um tem a sua vaidade.
Seria imposs√≠vel a exist√™ncia da sociedade se nela se n√£o reproduzissem estes fen√≥menos da vida do indiv√≠duo. Por isso a sociedade se divide em na√ß√Ķes, e n√£o √© poss√≠vel ¬ęhumanidade¬Ľ em mat√©ria social. Assim como tem que haver um ego√≠smo individual, tem que haver um ego√≠smo colectivo – √© o que se chama o instinto patri√≥tico. Assim como h√° uma vaidade individual – tem que haver uma vaidade colectiva – √© o que se chama imperalismo.

O Sexo Como Factor de Génio

O facto de o sexo desempenhar um maior ou menor papel na vida de algu√©m parece relativamente irrelevante. Algumas das maiores realiza√ß√Ķes de que temos not√≠cia foram empreendidas por indiv√≠duos cuja vida sexual foi reduzida ou nula. Em contrapartida, sabemos pela biografia de certos artistas – figuras de primeira grandeza – que as suas obras imponentes nunca teriam sido realizadas se eles n√£o tivessem vivido mergulhados em sexo. No caso de alguns poucos, os per√≠odos de criatividade excepcional coincidiram com per√≠odos de extrema licen√ßa sexual. Nem a abstin√™ncia nem a licen√ßa explicam seja o que for.
No campo do sexo como noutros campos, costumamos referir-nos a uma norma – mas a norma indica apenas o que √© estatisticamente verdade para a grande massa dos homens e das mulheres. Aquilo que pode ser normal, razo√°vel, salutar, para a grande maioria, n√£o nos fornece um crit√©rio de comportamento no caso do indiv√≠duo excepcional. O homem de g√©nio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um √© a sua pr√≥pria lei, e o caminho para a realiza√ß√£o passa pelo reconhecimento e pela compreens√£o do facto de que todos somos √ļnicos.

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Patriota: indivíduo a quem os interesses de uma parte parecem superiores aos interesses do todo. O joguete dos estadistas e a ferramenta dos conquistadores.

A Racionalidade como Solução de Todos os Males do Mundo

A racionalidade pode ser definida como o h√°bito de considerar todos os nossos desejos relevantes, e n√£o apenas aquele que sucede ser o mais forte no momento. (…) A racionalidade completa √©, sem d√ļvida, ideal inating√≠vel; por√©m, enquanto continuarmos a classificar alguns homens como lun√°ticos, √© claro que achamos uns mais racionais que outros. Acredito que todo o progresso s√≥lido no mundo consiste de um aumento de racionalidade, tanto pr√°tica como te√≥rica. Pregar uma moralidade altru√≠stica parece-me um tanto in√ļtil, porque s√≥ falar√° aos que j√° t√™m desejos altru√≠sticos. Mas pregar racionalidade √© um tanto diferente, porque ela nos ajuda, de modo geral, a satisfazer os nossos pr√≥prios desejos, quaisquer que sejam. O homem √© racional na propor√ß√£o em que a sua intelig√™ncia orienta e controla os seus desejos.
Acredito que o controle dos nossos actos pela intelig√™ncia √©, afinal, o que mais importa e a √ļnica coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ci√™ncia expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir. O ensino, a imprensa, a pol√≠tica, a religi√£o – numa palavra, todas as grandes for√ßas do mundo – est√£o actualmente do lado da irracionalidade; est√£o nas m√£os dos homens que lisonjeiam Populus Rex com o fito de desencaminh√°-lo.

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Primeiro amor não é nada, surgem, entrega e união com outra pessoa, significa (para o que seria uma união de esclarecidos e inacabados, ainda não ordenada?), é um grande incentivo para o indivíduo amadurecer.

Cortesia: pedir desculpa a um indivíduo por estar no meio do caminho e ter sido alvejado por uma bala que ele disparou para acertar noutra pessoa. A forma mais aceitável de hipocrisia.

Insanidade em indiv√≠duos √© algo raro – mas em grupos, festas, na√ß√Ķes e √©pocas, ela √© uma regra.

A Base e o Progresso da Civilização

Os homens mais felizes e mais √ļteis s√£o feitos de um conjunto harmonioso de actividades intelectuais e morais. E √© a qualidade destas actividades e a igualdade do seu desenvolvimento que que conferem a este tipo a sua superioridade sobre os outros. Mas a sua intensidade determina o n√≠vel social de um dado indiv√≠duo e faz dele um comerciante ou um director de banco, um pequeno m√©dico ou um professor c√©lebre, um presidente de uma junta de freguesia ou um presidente dos Estados Unidos. O desenvolvimento de seres humanos completos dever ser o objectivo dos nossos esfor√ßos. S√≥ neles pode assentar uma civiliza√ß√£o s√≥lida.
Existe ainda uma classe de homens que, apesar de tão desarmónicos como os criminosos e os loucos, são indispensáveis à sociedade moderna. São os génios. Estes indivíduos caracterizam-se pelo crescimento monstruoso de uma das actividades psicológicas. Um grande artista, um grande cientista, um grande filósofo é geralmente um homem comum em que uma função se hipertrofiou. Pode também ser comparado a um tumor que se tivesse desenvolvido num organismo normal. Estes seres não equilibrados são, em geral, infelizes. Mas produzem grandes obras, das quais toda a sociedade beneficia. A sua desarmonia gera o progresso da civilização.

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Os indivíduos não chegam a uma total autocompreensão enquanto não aceitam seus sentimentos religiosos.

A Educação Colectiva Não Funciona

A nossa pol√≠tica educacional baseia-se em duas enormes fal√°cias. A primeira √© a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias aut√≥nomas, cujos n√ļmeros podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda fal√°cia, √© que, todas as mentes s√£o semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educa√ß√£o s√£o sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos m√©todos, para dentro de mentes radicalmente diferentes.
Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso. Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.
O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez);

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Limiar da Maldade

S√£o conhecidos da f√≠sica fen√≥menos que ocorrem apenas a magnitudes limiares, que de modo algum existem at√© determinado limiar codificado e conhecido da natureza ter sido ultrapassado… √Č evidente que a malvadez tamb√©m tem o seu limiar. Sim, um ser humano hesita e oscila entre o bem e o mal toda a sua vida… Mas enquanto o limiar de maldade n√£o for ultrapassado, a possibilidade de retorno mant√©m-se e o indiv√≠duo mant√©m-se dentro dos limites da nossa esperan√ßa.

A Sociedade é um Sistema de Egoísmos Maleáveis

A sociedade √© um sistema de ego√≠smos male√°veis, de concorr√™ncias intermitentes. Como homem √©, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indiv√≠duo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, op√Ķe-se-lhes. Como soci√°vel, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que √© concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que √© semelhante dos outros, e tem t√£o-somente que ser-lhes √ļtil e agrad√°vel. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente s√£o e o que realmente fazem, e n√£o o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser √ļtil ou agrad√°vel, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens.
A exacerba√ß√£o, em qualquer homem, de um ou o outro destes elementos leva √† ru√≠na integral desse homem, e, portanto, √† pr√≥pria frustra√ß√£o do intuito do elemento predominante, que, como √© parte do homem, cai com a queda dele. Um indiv√≠duo que conduza a sua vida em linhas de uma moral alt√≠ssima e pura acabar√° por ser ultrajado por toda a gente –

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O Que Mais Contribui para a Felicidade

J√° reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que algu√©m √© e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas viv√™ncias. Em todas as coisas e ocasi√Ķes, o indiv√≠duo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso j√° vale para os deleites f√≠sicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a express√£o inglesa to enjoy one’s self √© bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, n√£o ¬ęele frui Paris¬Ľ, mas ¬ęele frui a si em Paris¬Ľ. Entretanto, se a individualidade √© de m√° qualidade, ent√£o todos os deleites s√£o como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.
Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor,

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Poderia alongar-me mais na descrição dos doentes que me cercam. Mas a loucura tem tantos pontos de contacto de um Indivíduo para outro, que seria arriscar tornar-me fastidioso se quisesse descrever muitos doentes.

O Homem no Seu Século

Os indivíduos eminentemente insignes dependem dos tempos. Nem todos tiveram o tempo que mereciam, e muitos, ainda que o tivessem, não conseguiram aproveitá-lo. Alguns seriam dignos de melhor século, pois nem tudo o que é bom triunfa sempre; as coisas têm a sua vez, e até as eminências dependem do uso; mas o sábio tem uma vantagem: é eterno, e, se este não é o seu século, muitos outros o serão.

Nunca pense que um pequeno grupo de indiv√≠duos altamente dedicados n√£o pode mudar o mundo. Na verdade, foram eles os √ļnicos que j√° o fizeram.

√Č Preciso Regressar ao Amigo √ćntimo

Custa, mas o melhor é ver o problema a toda a luz. No conceito do homem abstracto é necessário afinal meter tanto estrume, que não há entusiasmo que resista. Feito de mil incoerências, movido por sentimentos ocasionais, preso a necessidades rudimentares, o bípede real, ao ser premido no molde da abstracção, rebenta a forma. E é preciso regressar ao amigo íntimo, ao compadre, para se calcar terra firme. Numa palavra: não há um homem-símbolo que se possa venerar: há simples indivíduos cujas virtudes e defeitos toleram um convívio social urbano.

O Homem Não é o Indivíduo

¬ęN√£o √© a arranhar interminavelmente o indiv√≠duo que acabamos por encontrar o homem¬Ľ – diz algu√©m em certo livro do Malraux. Nada, de facto, mais √ļtil que a separa√ß√£o dos dois conceitos, que tanto tendem a confundir-se, mormente hoje, em que tal confus√£o parece agravar-se. Com efeito, o ¬ęhomem¬Ľ n√£o √© o ¬ęindiv√≠duo¬Ľ, porque √© s√≥ do indiv√≠duo aquela parte que pode universalizar-se. E √© desta ideia que temos de partir para que um equ√≠voco se n√£o consuma, o equ√≠voco de um individualismo, de um pessoalismo restrito que a arte e o pensamento modernos parecem √† primeira vista aceitar.
Que estranho ¬ęeu¬Ľ √© pois este que de algum modo dir-se-ia predominar na filosofia e na literatura de hoje? Porque √© evidente que uma forte tend√™ncia da arte de hoje, do homem actual, apela para a comunicabilidade, para uma fraternidade, e n√£o para um est√©ril isolamento. Mas acontece que nesse apelo muitas vezes se esquece o que h√° a√≠ de mec√Ęnico, de superficial, de rela√ß√Ķes externas, imediatas, provis√≥rias, que nos n√£o satisfaz inteiramente. O homem que a√≠ fala √© o que se ensurdece a si pr√≥prio, √†s suas vozes profundas, aos avisos que se anunciam desde o limiar da solid√£o.

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