Cita√ß√Ķes de Alexandre Herculano

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Alexandre Herculano para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Voz

√Č t√£o suave ess’hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado,
O trovador medita
Em sonhos enleado!

O mar azul se encrespa
Coa vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz j√° se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a m√£o de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente,
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

E sobe, e cresce, e imensa
Nos céus negra flutua,
E o vento das procelas
J√° varre a fraga nua.

Turba-se o vasto oceano,
Com hórrido clamor;
Dos vagalh√Ķes nas ribas
Expira o v√£o furor,

E do poeta a fronte
Cobriu véu de tristeza;
Calou, à luz do raio,
Seu hino à natureza.

Pela alma lhe vagava
Um negro pensamento,

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O que seria do mundo sem a mulher. Dai √†s paix√Ķes todo o ardor que puderes, aos prazeres mil vezes intensidade, aos sentidos a m√°xima energia e convertereis o mundo em para√≠so, mas tirai dele a mulher, e o mundo ser√° um ermo melanc√≥lico, os deleites ser√£o apenas prel√ļdio do t√©dio.

A indiferença silenciosa, grave, quase benévola, é a manifestação legítima da morte de toda a crença.

Tal era a forma primitiva e singela de um espectáculo de eras barbaras, que a civilização, desenvolvendo-se gradualmente por alguns séculos, ainda não pode desterrar da Península, e que nos conserva na fronte o estigma de bárbaros, embora tenhamos procurado esconder esse estigma debaixo dos ouropéis e pompas da arte moderna e pleitear a nossa vergonhosa causa perante o tribunal da opinião da Europa com sofismas pueris e ineptos.

A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada.

Saber resistir √† viol√™ncia √© forte, mas vulgar; saber resistir √† cal√ļnia e aos motejos √© maior esfor√ßo e mais raro.

Eu n√£o me envergonho de corrigir meus erros e mudar minhas opini√Ķes porque n√£o me envergonho de racionar e aprender.

Eu n√£o me envergonho de corrigir os meus erros e mudar as minhas opini√Ķes, porque n√£o me envergonho de raciocinar e aprender.

A providência tempera as coisas deste mundo de modo que se podem simbolizar todas as felicidades dele numa ameixa saragoçana. Doçura, suco, beleza externa, sim senhor; tudo quanto quiserem: mas, no fim de contas, travo e mais travo ao pé do caroço.

O g√©nero humano assemelha-se a uma pir√Ęmide cujo v√©rtice – um homem, o primeiro homem – se esconde nas alturas quase inacess√≠veis de sessenta s√©culos sobrepostos uns aos outros, e cuja base, de mir√≠ades de indiv√≠duos, poisa no abismo incomensur√°vel de um futuro desconhecido.

Examina a consci√™ncia e diz-me qual √© para os cora√ß√Ķes puros e nobres o motivo imenso, irresist√≠vel das ambi√ß√Ķes, do poder, da abastan√ßa, do renome? √Č uma s√≥ mulher: √© esse o termo final de todos os nossos sonhos, de todas as nossas esperan√ßas, de todos os nossos desejos.

Que a tirania de dez milh√Ķes se exer√ßa sobre um indiv√≠duo, que a de um indiv√≠duo se exer√ßa sobre dez milh√Ķes, √© sempre tirania, √© sempre uma coisa abomin√°vel.