Passagens sobre Bem

3255 resultados
Frases sobre bem, poemas sobre bem e outras passagens sobre bem para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Louvor bem entendido deve começar por nós, porque neste caso ele se torna uma verdadeira forma de caridade. Mal daqueles que, por humor sombrio ou desalento muito expansivo, se cobrem de cinza diante do mundo, porque o mundo imediatamente, por cima da cinza, os cobre de lama. A humildade só foi possível na Tebaida; e as próprias santas nunca se mostraram aos homens sem a pomposa auréola.

Canção De Abril

Vejo-te, enfim, alegre e satisfeita.
Ora bem, ora bem! — Vamos embora
Por estes campos e rosais afora
De onde a tribo das aves nos espreita.

Deixa que eu faça a matinal colheita
Dos teus sonhos azuis em cada aurora,
Agora que este abril nos canta, agora,
A florida canção que nos deleita.

Solta essa fulva cabeleira de ouro
E vem, subjuga com teu busto louro
O sol que os mundos vai radiando e abrindo.

E ver√°s, ao raiar dessa beleza,
Nesse esplendor da virgem natureza,
Astros e flores palpitando e rindo.

De Longe Te Hei-de Amar

De longe te hei-de amar
– da tranquila dist√Ęncia
em que o amor é saudade
e o desejo, const√Ęncia.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragr√Ęncia
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrog√Ęncia?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

O Maior Bem

Este querer-te bem sem me quereres,
Este sofrer por ti constantemente,
Andar atr√°s de ti sem tu me veres
Faria piedade a toda a gente.

Mesmo a beijar-me a tua boca mente…
Quantos sangrentos beijos de mulheres
Pousa na minha a tua boca ardente,
E quanto engano nos seus v√£os dizeres!…

Mas que me importa a mim que me n√£o queiras,
Se esta pena, esta dor, estas canseiras,
Este mísero pungir, árduo e profundo,

Do teu frio desamor, dos teus desdéns,
√Č, na vida, o mais alto dos meus bens?
√Č tudo quanto eu tenho neste mundo?

Noites em Claro

Passas em claro as noites a chorar;
Dia a dia, teu rosto empalidece…
Faze tu, pobre M√£e, por serenar,
Santa Resignação sobre ela desce!

Rochedo que a penumbra desvanece,
Tu, por acaso, n√£o lhe podes dar
Um pouco d’esse frio que entorpece
O cora√ß√£o e o deixa descan√ßar?…

Jamais! N√£o ha remedio! Nem as horas
Que passam! Toda a fria noite choras;
Tua sombra, no chão, é mais escura.

Soffres! E sinto bem que a tua d√īr,
Como se f√īra um beijo, ac√™so am√īr,
Vae-lhe aquecer, ao longe, a sepultura.

Deves cuidar bem dos objetos alheios como se fossem teus; do contrário, teu coração não estará em sintonia com a vontade de Deus. Em todas as coisas se aloja a Vida de Deus; por isso, aquele que não tem zelo por uma folha de papel ou uma xícara que seja, é uma pessoa que não ama a Deus. Vendo-se os pratos trincados na cozinha, pode-se perceber a escassez de amor da pessoa que deles cuida.

Na Desesperação Já Repousava

Na desesperação já repousava
o peito longamente magoado,
e, com seu dano eterno concertado,
j√° n√£o temia, j√° n√£o desejava;

quando √ľa sombra v√£ me assegurava
que algum bem me podia estar guardado
em t√£o fermosa imagem que o treslado
n’alma ficou, que nela se enlevava.

Que crédito que dá tão facilmente
o coração áquilo que deseja,
quando lhe esquece o fero seu destino!

Oh! deixem-me enganar, que eu sou
contente; que, posto que maior meu dano seja,
fica-me a glória já do que imagino.

Atingir a Felicidade

Embora seja poss√≠vel atingir a felicidade, a felicidade n√£o √© uma coisa simples. Existem muitos n√≠veis. O Budismo, por exemplo, refere-se a quatro factores de contentamento ou felicidade: os bens materiais, a satisfa√ß√£o mundana, a espiritualidade e a ilumina√ß√£o. O conjunto destes factores abarca a totalidade da busca pessoal de felicidade. Deixemos de lado, por ora, as aspira√ß√Ķes √ļltimas a n√≠vel religioso ou espiritual, como a perfei√ß√£o e a ilumina√ß√£o, e concentremo-nos unicamente sobre a alegria e a felicidade, tal como as concebemos a n√≠vel mundano. A este n√≠vel, existem certos elementos-chave que n√≥s reconhecemos convencionalmente como contribuindo para o bem-estar e a felicidade. A sa√ļde, por exemplo, √© considerada como um factor necess√°rio para o bem-estar. Um outro factor s√£o as condi√ß√Ķes materiais ou os bens que possu√≠mos. Ter amigos e companheiros, √© outro. Todos n√≥s concordamos que para termos uma vida feliz precisamos de um c√≠rculo de amigos com quem nos possamos relacionar emocionalmente e em quem possamos confiar.

Portanto, todos estes factores s√£o causas de felicidade. Mas para que um indiv√≠duo possa utiliz√°-los plenamente e gozar de uma vida feliz e preenchida, a chave √© o estado de esp√≠rito. √Č crucial. Se utilizarmos as condi√ß√Ķes favor√°veis que possu√≠mos,

Continue lendo…

N√£o Pode Amor Por Mais Que As Falas Mude

N√£o pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.

Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
n√£o pode ser Amor com tal virtude.

Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a express√£o maior do meu anseio.

E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.

A Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
– ¬ęAt√© logo¬Ľ; ¬ęat√© √† vista¬Ľ:
Ou ¬ęadeus¬Ľ ‚Äď √Č sempre assim.

¬ęAdeus¬Ľ, √© lindo, mas triste;
¬ęAdeus¬Ľ ‚Ķ A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

¬ęAt√© logo¬Ľ, √© j√° mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem t√£o-pouco algum deserto.

Vale mais ¬ęat√© √† vista¬Ľ,
Do que ¬ęat√© logo¬Ľ ou ¬ęadeus¬Ľ;
¬ę√Ä vista¬Ľ, lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes n√£o tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

E se uma pouca vida, estando ausente,
Me deixa Amor, é por que o pensamento
Sinta a perda do bem que est√° presente.

Em Todas as Ruas te Encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a √°gua e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto    tão perto    tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

O Perigo do Especialista

O especialista serve-nos para concretizar energicamente a esp√©cie e fazer ver todo o radicalismo da sua novidade. Porque outrora os homens podiam dividir-se, simplesmente, em s√°bios e ignorantes, em mais ou menos s√°bios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista n√£o pode ser submetido a nenhuma destas duas categorias. N√£o √© um s√°bio, porque ignora formalmente o que n√£o entra na sua especialidade; mas tampouco √© um ignorante, porque √© ¬ęum homem de ci√™ncia¬Ľ e conhece muito bem a sua frac√ß√£o de universo. Devemos dizer que √© um s√°bio ignorante, coisa sobremodo grave, pois significa que √© um senhor que se comportar√° em todas as quest√Ķes que ignora, n√£o como um ignorante, mas com toda a petul√Ęncia de quem na sua quest√£o especial √© um s√°bio.
E, com efeito, este √© o comportamento do especialista. Em pol√≠tica, em arte, nos usos sociais, nas outras ci√™ncias tomar√° posi√ß√Ķes de primitivo, e ignorant√≠ssimo; mas tomar√° essas posi√ß√Ķes com energia e sufici√™ncia, sem admitir ‚Äď e isto √© o paradoxal ‚Äď especialistas dessas coisas. Ao especializ√°-lo a civiliza√ß√£o tornou-o herm√©tico e satisfeito dentro da sua limita√ß√£o; mas essa mesma sensa√ß√£o √≠ntima de dom√≠nio e valia vai lev√°-lo a querer predominar fora da sua especialidade.

Continue lendo…

A Nossa Dignidade Consiste no Pensamento

O homem é apenas um caniço, o mais fraco da natureza; mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para o aniquilar: um vapor, uma gota de água, bastam para o matar. Mas quando o universo o aniquilasse o homem seria ainda mais nobre do que o que o mata, porque sabe que morre, e a superioridade que o universo tem sobre ele; o universo não sabe nada disso.
Toda a nossa dignidade consiste portanto no pensamento. √Č da√≠ que deveremos elevar-nos e n√£o do espa√ßo e do tempo, que n√£o poder√≠amos preencher. Esforcemo-nos pois por pensar bem: eis o princ√≠pio da moral.

Cartas Trocadas para o Marido e para o Amante

Anais,

Uma terr√≠vel asneira foi feita. Enviaste a carta para o Hugo, no dia em que chegaste, e mandaste-lhe a minha. O Hugo est√° freneticamente a tentar entrar em contacto comigo. Mandou a Am√©lia aqui, que deixou debaixo da porta o bilhete que junto. Ela esteve aqui de manh√£ e outra vez esta noite. Pensei de manh√£ que era o pr√≥prio Hugo e que ele tinha vindo para me “apanhar”… Por isso, n√£o abri a porta.

J√° que eu tinha recebido a carta dele na noite anterior (a tua carta para ele), tive um pressentimento de que as cartas tinham sido postas nos envelopes errados e fiquei apreensivo. Esta noite enviei-lhe a sua carta para o n√ļmero 18 da Ave. de Versailles, sem dar a minha morada. N√£o posso dizer nesta carta se chegarei a receber a que me era devida. Espero que sim. Suponho que ele saiba tudo agora. Mas estou a evit√°-lo, porque n√£o quero admitir nem negar. Ele deve estar furioso, mas, ao mesmo tempo, num estado terr√≠vel. Eu pr√≥prio estou exausto de apreens√£o. Trouxe o Fred para ficar aqui comigo, porque at√© o Hugo partir vou estar em pulgas. Sei que, se ele me matasse,

Continue lendo…