Cita√ß√Ķes sobre Tubar√Ķes

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Quer Ver Uma Perdiz Chocar Um Rato

Quer ver uma perdiz chocar um rato,
Quer ensinar a um burro anatomia,
Exterminar de Goa a senhoria,
Ouvir miar um c√£o, ladrar um gato;

Quer ir pescar um tubar√£o no mato,
Namorar nos serralhos da Turquia,
Escaldar uma perna em √°gua fria,
Ver um cobra casti√ßar co’um pato;

Quer ir num dia de Surrate a Roma,
Lograr sa√ļde sem comer dois anos,
Salvar-se por milagre de Mafoma;

Quer despir a bazófia aos Castelhanos,
Das penas infernais fazer a soma,
Quem procura amizade em vis gafanos.

O Homem Corrige Deus

N√≥s encontramos o soldado em v√°rias esp√©cies inferiores. A formiga tem ex√©rcitos e creio que pol√≠cia civil. Qualquer obscuro passarinho √© um aut√™ntico Bleriot. N√£o h√° industrial alem√£o que se aproxime da abelha. O canto do galo e os versos da Il√≠ada. Jo√£o de Deus e o rouxinol, o castor e o arquitecto, a sub-marinha e os tubar√Ķes, representam cousas e criaturas que se confundem…
Mas o Fil√≥sofo revela-se apenas no homem. A Filosofia √© o sinal luminoso que o destaca da mesquinha escuridade ambiente… S√≥ o homem √© suscept√≠vel de magicar, de refazer a Cria√ß√£o √† sua imagem… O homem corrige Deus.

O Companheiro de Viagem

A alma da tua m√£e flutua adiante.
A alma da tua mãe ajuda a noite a navegar, escolho após escolho.
A alma da tua m√£e fustiga os tubar√Ķes √† tua frente.

Esta palavra é a disciplina da tua mãe.
A discípula da tua mãe partilha o teu jazigo, pedra a pedra.
A discípula da tua mãe inclina-se para a migalha de luz.

Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

O Morto Prazenteiro

Onde haja carac√≥is, n’um fecundo torr√£o,
Uma grandiosa cova eu mesmo quero abrir,
Onde repouse em paz, onde possa dormir,
Como dorme no oceano o livre tubar√£o.

Detesto os mausoléus, odeio os monumentos,
E, a ter de suplicar as l√°grimas do mundo,
Prefiro oferecer o meu carcaz imundo,
Qual precioso manjar, aos corvos agoirentos.

Verme, larva brutal, tenebroso mineiro,
Vai entregar-se a vós um morto prazenteiro,
Que livremente busca a treva, a podrid√£o!

Sem piedade, minai a minha carne impura,
E dizei-me depois se existe uma tortura
Que não tenha sofrido este meu coração!

Tradução de Delfim Guimarães