Cita√ß√Ķes sobre Abutres

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Frases sobre abutres, poemas sobre abutres e outras cita√ß√Ķes sobre abutres para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ave Dolorosa

Ave perdida para sempre Рcrença
Perdida Рsegue a trilha que te traça
O Destino, ave negra da Desgraça,
G√™mea da M√°goa e n√ļncia da Descren√ßa!

Dos sonhos meus na Catedral imensa
Que nunca pouses. Lá, na névoa baça
Onde o teu vulto l√ļrido esvoa√ßa,
Seja-te a vida uma agonia intensa!

Vives de crenças mortas e te nutres,
Empenhada na sanha dos abutres,
Num desespero r√°bido, assassino…

E h√°s de tombar um dia em m√°goas lentas,
Negrejadas das asas lutulentas
Que te emprestar o corvo do Destino!

No Seio Da Terra

Do pélago dos pélagos sombrios,
C√° do seio da Terra, olhando as vidas,
Escuto o murmurar de almas perdidas,
Como o secreto murmurar dos rios.

Trazem-me os ventos negros calafrios
E os loluços das almas doloridas
Que têm sede das terras prometidas
E morrem como abutres erradios.

As √Ęnsias sobem, as tremendas √Ęnsias!
Velhices, mocidades e as inf√Ęncias
Humansa entre a Dor se despeda√ßam…

Mas, sobre tantos convulsivos gritos,
Passam horas, espaços, infinitos,
Esferas, gera√ß√Ķes, sonhando, passam!

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
√Č a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do ch√£o
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Responso

I
Num castelo deserto e solit√°rio,
Toda de preto, às horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas dum sud√°rio
E chora como as grandes criminosas.

Pudesse eu ser o lenço de Bruxelas
Em que ela esconde as l√°grimas singelas.

II
√Č loura como as doces escocesas,
Duma beleza ideal, quase indecisa;
Circunda-se de luto e de tristezas
E excede a melancólica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seu pecados.

III
Alta noite, os planetas argentados
Deslizam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto marejados
E nas águas mansíssimas do lago.

Pudesse eu ser a Lua, a Lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.

IV
E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pegos,
E nas salas ressoam uns suspiros
Dolentes como as s√ļplicas dos cegos.

Fosse eu aquelas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V
E ela vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas destronadas,

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O Homem Congrega Todas as Espécies de Animais

H√° t√£o diversas esp√©cies de homens como h√° diversas esp√©cies de animais, e os homens s√£o, em rela√ß√£o aos outros homens, o que as diferentes esp√©cies de animais s√£o entre si e em rela√ß√£o umas √†s outras. Quantos homens n√£o vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre ferozes e sempre cru√©is, outros como le√Ķes, mantendo alguma apar√™ncia de generosidade, outros como ursos grosseiros e √°vidos, outros como lobos arrebatadores e impiedosos, outros ainda como raposas, que vivem de habilidades e cujo of√≠cio √© enganar!
Quantos homens n√£o se parecem com os c√£es! Destroem a sua esp√©cie; ca√ßam para o prazer de quem os alimenta; uns andam sempre atr√°s do dono; outros guardam-lhes a casa. H√° lebr√©us de trela que vivem do seu m√©rito, que se destinam √† guerra e possuem uma coragem cheia de nobreza, mas h√° tamb√©m dogues irasc√≠veis, cuja √ļnica qualidade √© a f√ļria; h√° c√£es mais ou menos in√ļteis, que ladram frequentemente e por vezes mordem, e h√° at√© c√£es de jardineiro. H√° macacos e macacas que agradam pelas suas maneiras, que t√™m esp√≠rito e que fazem sempre mal. H√° pav√Ķes que s√≥ t√™m beleza, que desagradam pelo seu canto e que destroem os lugares que habitam.

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Decadentes

Richepin, Rollinat! gritos sangrentos
Da carne alvoroçada de desejos,
Mosto de risos, l√°grimas e beijos,
Estertores de abutres famulentos.

Desesperado frêmito dos ventos,
De harpas, sutis, fant√°sticos harpejos,
Clarins de guerra, e c√Ęnticos e adejos
De aves — todos os vivos elementos.

Tudo flameja e nas estrofes canta,
Estruge, zune, em borbot√Ķes levanta
Noites, luares, fulgurantes dias.

Mas nessa ideal temperatura forte
Tudo isso é triste como a flor da morte
Que brota dentro das caveiras frias…

Os Caçadores de Simulacros

O artista, o poeta, o escritor, os que perguntam: todos são caçadores de simulacros, incansáveis calculadores de improbabilidades. Pombas ou abutres, frágeis canários ou escondidos melros, raspam, rasgam, rompem, sempre roendo as suas próprias garras. O invisível que há neles então emerge.