Cita√ß√Ķes sobre Astr√≥logos

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Frases sobre astr√≥logos, poemas sobre astr√≥logos e outras cita√ß√Ķes sobre astr√≥logos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto XVI

J√° tramontado o Sol do assento puro,
Debuxadas se vêem no claro rio
As seis filhas de Atlante pelo estio,
Cobre-se Electra, só, de um manto escuro.

J√° que com tanto risco me aventuro,
E sou tachado por escuro e frio,
Mostrem-se todos, que eu num só desvio
De vergonha escondido estar procuro.

Mas bem sabeis, engenho ilustre e nobre,
Que inda que o lavrador b√°rbaro veja
Que n√£o s√£o mais que seis estas estrelas,

O Astrólogo sábio, que descobre
Mais avante e co’a vista al√©m peleja,
Diz que s√£o sete, esconde-se ua delas.

As Coisas Humanas São Efémeras E Sem Valor

Pensa de cont√≠nuo em quantos m√©dicos morreram, eles que tinham tanta vez carregado o sobrolho √† cabeceira dos seus doentes; quantos astr√≥logos que julgaram maravilhar os outros predizendo-lhes a morte; quantos fil√≥sofos ap√≥s uma infinidade de √°speras disputas sobre a morte e a imortalidade; quantos pr√≠ncipes depois de terem dado a morte a tanta gente; quantos tiranos que, como se fossem imortais, abusaram, com uma arrog√Ęncia nunca vista, do poder, a ponto de atentarem contra a vida humana. Quantas cidades, se assim podemos dizer, morreram de raiz: Heliqu√©, Pompeia, Herculano, e outras que n√£o t√™m conto! Enumera agora, um ap√≥s outro todos aqueles que conheceste. Este, depois de prestar os √ļltimos servi√ßos √†quele, foi posto de p√©s juntos no leito f√ļnebre por um terceiro a quem tamb√©m chegou a sua vez.
E em t√£o pouco espa√ßo de tempo! Em suma, as coisas humanas √© consider√°-las como ef√©meras e sem valor: ontem, um pouco de greda; amanh√£, m√ļmia e um punhado de cinzas. Esta min√ļscula dura√ß√£o vive-a a tom com a natureza e chega ao fim com a alma contente: como a azeitona madurinha que tombasse aben√ßoando a terra que a criou e dando gra√ßas √† √°rvore que a deixou crescer.

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Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calend√°rio
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu intermin√°vel fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…).
No dia de alguém ser meu
n√£o √© dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

A Estranheza dá Crédito

O verdadeiro campo e assunto da impostura s√£o as coisas desconhecidas. Isso porque em primeiro lugar a pr√≥pria estranheza d√° cr√©dito; e depois, n√£o estando sujeitas √†s nossas reflex√Ķes habituais, elas tiram-nos os meios de as combater. Por causa disso, diz Plat√£o, √© muito mais f√°cil satisfazer ao falar da natureza dos deuses do que da natureza dos homens, porque a ignor√Ęncia dos ouvintes abre um belo e amplo caminho e toda a liberdade para o manejo de uma mat√©ria secreta.
Advém daí que nada é aceite tão firmemente como aquilo que menos se sabe, nem há pessoas tão seguras como as que nos contam fábulas, como alquimistas, prognotiscadores, astrólogos, quiromantes, médicos, toda a gente dessa espécie (Horácio). A eles eu acrescentaria de bom grado, se ousasse, um bando de pessoas, intérpretes e controladores habituais dos desígnios de Deus, que têm a pretensão de descobrir as causas de cada acontecimento e de ver nos segredos da vontade divina os incompreensíveis motivos das suas obras; e, embora a variedade e a disparidade contínua dos factos os lance de um canto para o outro e do ocidente para o oriente, não deixam entretanto de persistir no que é seu e com o mesmo lápis pintar o preto e o branco.

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Os Comunistas

… Passaram bastantes anos desde que ingressei no Partido… Estou contente… Os comunistas constituem uma boa fam√≠lia… T√™m a pele curtida e o cora√ß√£o valoroso… Por todo o lado recebem pauladas… Pauladas exclusivamente para eles… Vivam os espiritistas, os mon√°rquicos, os aberrantes, os criminosos de v√°rios graus… Viva a filosofia com fumo mas sem esqueletos… Viva o c√£o que ladra e que morde, vivam os astr√≥logos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camar√£o, viva toda a gente menos os comunistas… Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que n√£o lavam os p√©s ideol√≥gicos h√° quinhentos anos… Vivam os piolhos das popula√ß√Ķes miser√°veis, viva a for√ßa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva Andr√© Gide com o seu coribantismo, viva qualquer misticismo… Tudo est√° bem… Todos s√£o her√≥icos… Todos os jornais devem publicar-se… Todos devem publicar-se, menos os comunistas… Todos os pol√≠ticos devem entrar em S√£o Domingos sem algemas… Todos devem festejar a morte do sanguin√°rio Trujillo, menos os que mais duramente o combateram… Viva o Carnaval, os derradeiros dias do Carnaval… H√° disfarces para todos… Disfarces de idealistas crist√£os, disfarces de extrema-esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas… Mas, cuidado, n√£o deixem entrar os comunistas…

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