Passagens sobre Barato

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Frases sobre barato, poemas sobre barato e outras passagens sobre barato para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Orgulho Nacional

O tipo mais barato de orgulho √© o orgulho nacional. Ele trai naquele que por ele √© possu√≠do a aus√™ncia de qualidades individuais, das quais ele se poderia orgulhar; caso contr√°rio, n√£o recorreria √†quelas que compartilha com tantos milh√Ķes. Quem possui m√©ritos pessoais distintos reconhecer√°, antes, de modo mais claro, os defeitos da sua pr√≥pria na√ß√£o, pois sempre os tem diante dos olhos. Mas todo o pobre-diabo, que n√£o tem nada no mundo de que se possa orgulhar, agarra-se ao √ļltimo recurso, o de se orgulhar com a na√ß√£o √† qual pertence; isso faz com que se sinta recuperado e, na sua gratid√£o, pronto para defender com unhas e dentes todos os defeitos e desvarios pr√≥prios √† tal na√ß√£o. Desse modo, de cinquenta ingleses, por exemplo, haver√° no m√°ximo um que concordar√° connosco quando falarmos, com justo desprezo, da beatice est√ļpida e degradante da sua na√ß√£o; mas esta √ļnica excep√ß√£o ser√° com certeza um homem de cabe√ßa.

Ballada do Caix√£o

O meu vizinho é carpinteiro,
Algibebe de Dona Morte:
Ponteia e coze, o dia inteiro,
Fatos de pau de toda a sorte:
Mogno, debruados de velludo
Flandres gentil, pinho do Norte…
Ora eu que trago um sobretudo
Que j√° me vae a aborrecer,
Fui-me l√°, hontem: (era Entrudo,
Havia immenso que fazer!…)
– Ol√°, bom homem! quero um fato,
Tem que me sirva? – Vamos ver…
Olhou, mexeu na caza toda…
– Eis aqui um e bem barato.

– Est√° na moda? – Est√° na moda.
(Gostei e nem quiz apreçal-o:
Muito justinho, pouca roda…)
– Quando posso mandar buscal-o?
– Ao por-do-sol. Vou dal-o a ferro:
(Poz-se o bom homem a aplainal-o…)

√ď meus amigos! salvo-erro,
Juro-o pela alma, pelo céu!
Nenhum de vós, ao meu enterro,
Ir√° mais dandy, olhae! do que eu!

Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

O talento é mais barato do que o sal de mesa. O que separa a pessoa com talento da que tem êxito é um monte de trabalho.

Os sonhos tem um preço. Há sonhos caros e baratos, mas todos os sonhos tem um preço.

O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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Se gastamos sempre mais do que temos e não damos sinal algum de querer mudar de vida, como é que esperamos que nos emprestem dinheiro barato? Você emprestava dinheiro a Portugal?

Avarento

Puxando um avarento de um pataco
Para pagar a tampa de um buraco
Que tinha j√° nas abas do casaco,
Levanta os olhos, vê o céu opaco,
Revira-os fulo e d√° com um macaco
Defronte, numa loja de tabaco…
Que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele ent√£o
Na força da paixão:
‚ÄĒ H√° casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele…
E at√© a mim… por ele.

Tinha raz√£o,
Quanto a mim.
Quem não tem coração,
Quem n√£o tem alma de satisfazer
As niquices da civilização,
Homem n√£o deve ser;
Seja saguim,
Que escusa tanga, escusa langotim:
V√° para os matos,
J√° n√£o sofre tratos
A calçar botas, a comprar sapatos;
Viva nas tocas como os nossos ratos,
E coma cocos, que s√£o mais baratos!

Contento-me com a Simpatia

Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e, depois, n√£o nos imp√Ķe nenhum compromisso. ¬ęCreia na minha simpatia¬Ľ, no discurso interior precede imediatamente ¬ęe agora ocupemo-nos de outra coisa¬Ľ. √Č um sentimento de presidente de Conselho: obt√©m-se muito barato, depois das cat√°strofes. A amizade √© menos simples. A sua aquisi√ß√£o √© longa e dif√≠cil, mas, quando se obt√©m, j√° n√£o h√° meio de nos desembara√ßarmos dela, temos de fazer frente.

Pensar o Meu País

Pensar o meu pa√≠s. De repente toda a gente se p√īs a um canto a meditar o pa√≠s. Nunca o t√≠nhamos pensado, pens√°ramos apenas os que o governavam sem pensar. E de s√ļbito foi isto. Mas para se chegar ao pa√≠s tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Ser√° que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que n√£o. N√≥s √© que temos um estilo de ser med√≠ocres. N√£o √© quest√£o de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. N√£o √© quest√£o de se ser est√ļpido. Temos saber, temos intelig√™ncia. A quest√£o √© s√≥ a do equil√≠brio e harmonia, a quest√£o √© a do bom senso. H√° um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. H√° um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado √© o rid√≠culo, a f√≠fia, a ¬ęfuga do p√© para o chinelo¬Ľ. O Espanhol √© um ¬ęb√°rbaro¬Ľ, mas assume a barbaridade. N√≥s somos uns camp√≥nios com a obsess√£o de parecermos civilizados. O Franc√™s √© um ser artificioso,

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Começo a Conhecer-me. Não Existo

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque tamb√©m h√° vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
√Č um universo barato.

Mancebo Sem Dinheiro, Bom Barrete

Mancebo sem dinheiro, bom barrete,
Medíocre o vestido, bom sapato,
Meias velhas, calção de esfola-gato,
Cabelo penteado, bom topete.

Presumir de dançar, cantar falsete,
Jogo de fidalguia, bom barato,
Tirar falsídia ao Moço do seu trato,
Furtar a carne à ama, que promete.

A putinha alde√£ achada em feira,
Eterno murmurar de alheias famas,
Soneto infame, s√°tira elegante.

Cartinhas de trocado para a Freira,
Comer boi, ser Quixote com as Damas,
Pouco estudo, isto é ser estudante.