Pessoas comuns não veem diferenças entre os homens.
Passagens de Blaise Pascal
213 resultadosBom falador, mau caráter.
Nossa natureza está no movimento; o inteiro repouso é a morte.
Mais vale saber alguma coisa de tudo, que saber tudo de uma só coisa.
Em amor um silêncio vale mais do que uma linguagem. É bom ficar sem palavras; há uma eloquência no silêncio que penetra mais do que a língua o conseguiria.
O afeto ou o ódio mudam a face da justiça.
Jamais vivemos, mas esperamos viver; e, dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que jamais o sejamos.
Em matéria de amor, o silêncio vale mais do que a fala.
Um Verdadeiro Amigo
Um verdadeiro amigo é uma coisa tão vantajosa, mesmo para os maiores senhores, para dizer bem deles e os defender mesmo na sua ausência, que devem fazer tudo para os ter. Mas que escolham bem; pois, se fizerem todos os seus esforços por estúpidos, isso ser-lhes-á inútil, por muito bem que digam deles; e mesmo não dirão bem se se sentirem mais fracos, pois não terão autoridade; e assim dirão também mal por companhia.
A eloquência é uma pintura do pensamento.
Dois excessos: excluir a razão, admitir apenas a razão.
A ação obedece às ?razões da Razão?, mas também às ?razões do coração?.
O pensamento é a nossa dignidade. Tratemos, por conseguinte, de pensar bem, pois aí é que está o princípio da moral.
O último passo da razão é reconhecer a existência de uma infinidade de coisas que a ultrapassam.
O eterno silêncio desses espaços infinitos me espanta.
O rei está rodeado de pessoas que só pensam em divertí-lo e em impedi-lo de pensar em si mesmo. Porque, se pensa em si mesmo, é infeliz, por mais rei que seja.
A Hipocrisia do Amor-Próprio
A natureza do amor-próprio e deste eu humano é de só se amar a si e de só se considerar a si. Mas que há-de fazer? Não saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de misérias: quer ser grande e vê-se pequeno; quer ser feliz e vê-se miserável; quer ser perfeito – vê-se cheio de imperfeições; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e vê que os seus defeitos só merecem a sua aversão e o seu desprezo. Este embaraço em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paixão que é possível imaginar; porque concebe um ódio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquilá-la, e não a podendo destruir em si mesma, destrói-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto é, põe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e não suporta que lhos façam ver, nem que lhos vejam.
É sem dúvida um mal estar cheio de defeitos; mas é ainda um mal muito maior estar cheio e não os querer reconhecer, visto que é acrescentar-lhe ainda o de uma ilusão voluntária.
Duas coisas instruem o homem, qualquer que seja a sua natureza: o instinto e a experiência.
Não sendo possível fazer-se com que aquilo que é justo seja forte, faz-se com que o que é forte seja justo.
O homem é feito visivelmente para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever é pensar bem.