CitaçÔes sobre Bolsa

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A Dificuldade de Estabelecer e Firmar RelaçÔes

A dificuldade de estabelecer e firmar relaçÔes. HĂĄ uma tĂ©cnica para isso, conheço-a. Nunca pude meter-me nela. Ser «simpĂĄtico». É realmente fĂĄcil: prestabilidade, autodomĂ­nio. Mas. Ser sociĂĄvel exige um esforço enorme — fĂ­sico. Quem se habituou, jĂĄ se nĂŁo cansa. Tudo se passa Ă  superfĂ­cie do esforço. Ter «personalidade»: nĂŁo descer um milĂ­metro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a importĂąncia de nĂłs sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E entĂŁo reponto. O fim. Ser prestĂĄvel, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. ColĂłquios, conferĂȘncias, organizaçÔes de. Ah, ser-se um «inĂștil» (um «parasita»…). RazĂ”es profundas — um complexo duplo que vem da juventude: incompreensĂŁo do irmĂŁo corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo tĂŁo pouco ao dinheiro que nem o gasto… Mas «gastar» faz parte da «personalidade». SaĂșde — mais difĂ­cil. Este ar apeurĂ© que vem logo ao de cima. A Ășnica defesa, obviamente, Ă© o resguardo, o isolamento, a medida.
É fĂĄcil ser «simpĂĄtico», difĂ­cil Ă© perseverar, assumir o artifĂ­cio da facilidade. Conservar os amigos. «NĂŁo Ă©s capaz de dar nada»,

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Os Supermercados

Os supermercados sĂŁo os palĂĄcios dos pobres. NĂŁo sĂŁo sĂł os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das geraçÔes foram reduzindo os gastos da imaginação, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superfĂ­cies. As grandes superfĂ­cies com a sua ĂĄrea iluminada e sempre em festa; a concentração dos prazeres correntes, como a alimentação e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambiçÔes do quotidiano. NĂŁo hĂĄ euforia mas hĂĄ um sentimento de parentesco face Ă s limitaçÔes de cada um. A chuva e o calor sĂŁo poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; hĂĄ uma emoção prĂłpria que paira nas naves das grandes superfĂ­cies. SĂŁo as catedrais da conveniĂȘncia, dĂŁo a ilusĂŁo de que o sol quando nasce Ă© para todos e que a cultura e a segurança estĂŁo ao alcance das pequenas bolsas. NĂŁo hĂĄ polĂ­cia, hĂĄ uma paz de transeunte que a cidade jĂĄ nĂŁo oferece.

Os Expectantes

Entre as definiçÔes da ilha planetĂĄria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma terça parte da vida Ă© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a nĂłs mesmos e aos outros e a Ășltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou alguĂ©m – que vem ou nĂŁo, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Começa-se, em criança, a esperar a juventude com impaciĂȘncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independĂȘncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem Ă  disponibilidade, os professores as fĂ©rias, os universitĂĄrios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa prisĂŁo verificarĂĄ que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa fĂĄbrica ou num escritĂłrio, sĂł encontrarĂĄ criaturas que esperam, contando as horas, o momento da saĂ­da e da fuga. E em toda a parte – nos parques pĂșblicos, nos cafĂ©s, nas salas – hĂĄ o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, seminĂĄrios,

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Um CĂ©rebro Sempre Jovem

A sociedade estĂĄ a ser varrida por um movimento chamado nova velhice. A norma social para as pessoas de idade era passiva e sombria; confinadas a cadeiras de baloiço, esperava-se que entrassem em declĂ­nio fĂ­sico e mental. Agora o inverso Ă© verdade. As pessoas mais velhas tĂȘm expetativas mais elevadas de que permanecerĂŁo ativas e com vitalidade. Consequentemente, a definição de velhice mudou. Num inquĂ©rito perguntou-se a uma amostra de baby boomers: “Quando tem inĂ­cio a velhice?” A resposta mĂ©dia foi aos 85. À medida que aumentam as expetativas, o cĂ©rebro deve claramente manter-se a par e adaptar-se Ă  nova velhice. A antiga teoria do cĂ©rebro fixo e estagnado sustentava ser inevitĂĄvel um cĂ©rebro que envelhecesse. Supostamente as cĂ©lulas cerebrais morriam continuamente ao longo do tempo Ă  medida que uma pessoa envelhecia, e a sua perda era irreversĂ­vel.

Agora que compreendemos quĂŁo flexĂ­vel e dinĂąmico Ă© o cĂ©rebro, a inevitabilidade da perda celular jĂĄ nĂŁo Ă© vĂĄlida. No processo de envelhecimento — que progride Ă  razĂŁo de 1% ao ano depois dos trinta anos de idade — nĂŁo hĂĄ duas pessoas que envelheçam de maneira igual. AtĂ© os gĂ©meos idĂȘnticos, nascidos com os mesmos genes, terĂŁo muito diferentes padrĂ”es de atividade genĂ©tica aos setenta anos,

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O Saber como Ceptro ou como Folia

Amo e honro o saber, tanto como aqueles que o tĂȘm; dando-se-lhe o verdadeiro uso, Ă© a mais nobre e poderosa aquisição dos homens. Mas aqueles, e sĂŁo em nĂșmero infinito, que nele alicerçam o seu valor e a sua fundamental capacidade, que abdicam da inteligĂȘncia na memĂłria, acolhidos Ă  sombra alheia, e nada podem senĂŁo pelos livros – nesses aborreço-o eu, se ouso dizĂȘ-lo, um pouco mais do que a estupidez. Na minha terra e no meu tempo, a sabedoria melhora bastante as bolsas, raramente os espĂ­ritos. Se os encontra obtusos, pesa sobre eles e sufoca-os com a sua massa informe e indigesta; se lestos, logo os purifica, clarifica e subtiliza atĂ© o esgotamento. É coisa de qualidade quase indecisa; instrumento muito Ăștil Ă s almas bem formadas, pernicioso e daninho Ă s outras; ou antes, coisa de preciosĂ­ssima utilidade que se nĂŁo obtĂ©m barata; em certas mĂŁos Ă© um ceptro, noutras uma folia.