Se fazemos tanto esforço para achar nossas razões, como aceitar facilmente as alheias?
Passagens de Carlos Drummond de Andrade
1088 resultadosNinguém repara que, ao escrever carta, está fazendo jornalismo.
Acreditamos invariavelmente naquilo que nos contam como incrível.
A riqueza costuma ser desconfortável, mas de uma espécie bastante confortável.
A melhor medicina contra a saudade é a falta de memória.
Por ser difícil permanecer fiel à democracia por muito tempo, os mandatos eleitorais não devem ir além de quatro anos.
A televisão, com seus intervalos comerciais, é escola de paciência.
Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, dócil às moda e compromissos.
Há uma época na vida, infância ou velhice, em que a felicidade está na caixa de bombons.
O servidor público deve sentir-se desgostoso ao se dar conta de que serve também a ineptos e a parasitas.
A estátua faz o herói.
O tédio e a virtude vivem mais unidos do que esta desejaria.
A soma de opiniões não chega a ser uma opinião.
O ensino jamais fez um gênio, mas faz especialistas.
Restaurante só mata a fome de quem pode pagar a comida.
Só o velho saberia contar o que é a velhice, se ele soubesse.
A nádega tem uma linguagem diferente da do resto do corpo.
Julgando-se a si mesmo, o suicida torna desnecessário o Juízo Final.
Para garantia de qualidade, seria melhor que o escritor só estreasse com o segundo livro.
Vou ao circo para me sentir em casa com o mundo.