Passagens sobre Crueldade

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nenhum amor escapa impune

deixa-me perguntar se te
pareço tão assustado assim. Não
me sinto deslocado, talvez curioso, mas
nem surpreso. algo em ti me puxa
sempre ao sentimento, mesmo antes de
te conhecer, lembras-te, uma propens√£o para
te tratar bem, cuidar, vulnerabilizar os meus
modos, recusar admitir que também eu sou
capaz de crueldades quotidianas e
impunes. queria conversar contigo
sobre o nelson, que foi ver as coisas a
arder fotografando a própria
pele. queria falar-te da isabel e de como
choramos juntos, muito maricas, quando
nos correm mal estes amores ou, pior, a
nossa amizade. esta noite sonhei contigo e
achei graça dizer-te que cheirava mal
na nossa cama. que me incomodou a luz a entrar
pela persiana por fechar. que ouvi com dor o
orgasmo da vizinha de baixo

queria que soubesses que também eu
poderia ter ardido para o nelson
fotografar. queria que soubesses que
também poderia parar de chorar pela
isabel. queria que soubesses que o faria
exclusivamente
para arruinar o meu coração, se fosse a
tua vontade e com isso te deixasse em
paz.

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O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

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Finalmente outra Vez Vejo Perdida

Finalmente outra vez vejo perdida
Às mãos do amor, a doce liberdade
Que j√° livrei da sua crueldade
Como quem de um naufr√°gio salva a vida.

Já no meu coração nova ferida
Abrem os duros golpes da saudade;
E j√° vive outra vez minha vontade
De esperanças aéreas revestida.

Nunca cuidei que visse, amor tirano,
T√£o depressa quebrado o juramento
Que fiz no puro altar do desengano.

Mas quem pode viver de amor isento,
Vendo naquele rosto soberano
De tais olhos o doce movimento?

Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados.

O Abraço

(excerto)

Não vês inda, de gosto sufocados,
Um noutro nossos peitos esculpidos?
N√£o sentes nossos rostos t√£o chegados
E ainda mais os cora√ß√Ķes unidos?
Oh! Mais, mais do que unidos!
Tu fizeste, Doce encanto, que eu fosse mais que teu.
Lembra, lembra-te quando me disseste:
– Meu bem, eu n√£o sou tu?… Tu n√£o √©s eu?

Goza, de todo goza o teu amante;
E unidos ambos… -Oh!… e est√°s t√£o perto!…
Meu bem, deliro, sonho ou estou desperto?
Ambos unidos em mimoso laço,
Faces, bocas unidas… Ah! que fa√ßo?…
√Č ar… Quando que a abra√ßo me parece,
A mim me abraço e em ar se desvanece.
Mas que duvido com abraço estreito
Cingir-me?… Dize, n√£o √©s seu, meu peito?…
[…]
Goza, meu bem (enquanto a Sorte avara
Com tanta crueldade nos separa)
Goza do alívio, que nos concedeu,
De dizer com certeza: √Č minha! – √Č meu!…

Urgentemente

√Č urgente o amor
√Č urgente um barco no mar

√Č urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

√Č urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manh√£s claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
√Č urgente o amor, √© urgente
permanecer.

Os homens trazem em si a crueldade. N√£o devemos esquecer-nos disso, devemos ter cuidado. √Č preciso defender a possibilidade de criar e defender esse espa√ßo de consci√™ncia, de lucidez. Essa √© a nossa pequenina esperan√ßa.

Perfeição é Virtude e não Ausência de Defeitos

A virtude √© a perfei√ß√£o no estado de homem e n√£o a aus√™ncia de defeitos. Se eu quero construir uma cidade, pego na malandragem e na ral√©. O poder h√°-de nobilit√°-las. Ofere√ßo-lhes uma embriaguez, diferente da embriaguez med√≠ocre da rapina, da usura ou da viola√ß√£o. √Č ver aqueles bra√ßos nodosos que edificam. O orgulho vai-se transformando em torres, templos e muralhas. A crueldade torna-se grandeza e rigor na disciplina. E ei-los a servirem uma cidade nascida deles pr√≥prios. Trocaram-se por ela no fundo dos cora√ß√Ķes. E morrer√£o de p√©, nas muralhas, para a salvarem. S√≥ descobrir√°s neles virtudes resplandecentes.
¬ęMas tu, que p√Ķes m√° cara diante do poder da terra, diante da grosseria, da podrid√£o e dos vermes dos homens, come√ßas por pedir ao homem que n√£o seja e que n√£o tenha nem sequer cheiro. Reprovas-lhe a express√£o da sua for√ßa. Instalas capados √† frente do imp√©rio. E eles entram a perseguir o v√≠cio, que n√£o passa de poder mal empregado. √Č o poder e a vida que eles perseguem e, no entanto, tornam-se guardi√Ķes de museu e vigiam um imp√©rio morto¬Ľ

Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras Рprecisamos nos posicionar contra essas coisas. O vegetarianismo é a minha forma de me posicionar.

Idílio

Praias, que banha o Tejo caudaloso:
Ondas, que s√ībre a areia estais quebrando:
Ninfas, que ides escumas levantando:
Escutai os suspiros dum sa√ľdoso.

E v√≥s tamb√©m, √≥ c√īncavos rochedos,
Que dos ventos em v√£o sois combatidos,
Ouvi o triste som de meus gemidos,
j√° que de Amor calais tantos segredos.

Ai, amada Tircéa, se eu pudera
os teus formosos olhos ver agora,
Que depressa o pesar, que esta alma chora,
No g√īsto mais feliz se convertera!

Oh, como ent√£o ficaras conhecendo
Quanto te amo, se visses a violência
Com que estão de meus olhos nesta ausência
Estas sa√ľdosas l√°grimas correndo!

Tanto neste pesar, que estou sentindo,
O triste coração se desfalece,
e tanto me atormenta, que parece
Que ao sofrimento a alma vai fugindo.

Mas oh, qual h√° de ser a crueldade
Deste terrível mal, em que ando envolto,
Se a qualquer parte, emfim, que os olhos volto,
Imagens estou vendo de saudade.

LXXV

Clara fonte, teu passo lisonjeiro
P√°ra, e ouve-me agora um breve instante;
Que em paga da piedade o peito amante
Te ser√° no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro,
Que nos braços da ninfa mais constante
Pude ver da fortuna a face errante
Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade
Divide o laço, com que a glória, a dita
Atara o gosto ao carro da vaidade:

E para sempre a dor ter n’alma escrita,
De um breve bem nasce imortal saudade,
De um caduco prazer m√°goa infinita.

Compaix√£o Perversa

O prazer de maltratar outr√©m √© distinto da crueldade. Esta consiste em encontrar satisfa√ß√£o na compaix√£o, e atinge o ponto culminante quando a compaix√£o chega a extremos, como quando maltratamos os que amamos; todavia, se fosse algu√©m, que n√£o n√≥s, a magoar os que amamos, ent√£o fic√°vamos furiosos, e a compaix√£o tornar-se-nos-ia dolorosa; mas somos n√≥s a am√°-los e somos n√≥s a mago√°-los…
A compaixão exerce uma infinita atenção: a contradição de dois instintos fortes e opostos actua em nós como atractivo supremo.
(…) A crueldade e o prazer da compaix√£o:
A compaixão aumenta quanto mais conhecemos e mais amamos intensamente quem é objecto dela. Portanto, aquele que trata com crueldade o objecto do seu amor retira da crueldade Рque amplia a compaixão Рa máxima satisfação.
Quando, acima de tudo, nos amamos a nós próprios, o maior prazer que encontramos Рpor meio da compaixão Рpode levar-nos a mostrarmo-nos cruéis para connosco. Heróico da nossa parte é o esforço de completa identificação com aquilo que nos é contrário. A metamorfose do Diabo em Deus representa esse grau de crueldade.

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Vaidade, Tudo Vaidade!

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-√£o amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Ver√°s, perdoa-me esta crueldade,
Que √© uma vaidade o amor de tua m√£e…

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, j√° voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve l√°! eu volto-lhes o rosto…
E isto em mim n√£o ser√° uma vaidade?

Uma Imagem Divina

A Crueldade tem Humano Coração,
E tem a Intoler√Ęncia Humano Rosto;
O Terror a Divina Humana Forma,
O Secretismo Humano Traje posto.

O Humano Traje é Ferro forjado,
A Humana Forma, Forja incendiada,
O Humano Rosto, Fornalha bem selada,
Humano Coração, Abismo seu Esfaimado.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

O Natural e Vantajoso

√Č uma crueldade impedir os homens de se lan√ßarem √†quilo que lhes parece natural e vantajoso! E, contudo, de certo modo, √©s tu que os n√£o deixas agir assim quando te estomagas com as faltas que eles cometem. Nelas se precipitam como se fossem coisas naturais e vantajosas. – Mas n√£o o s√£o! – Nesse caso instrui-os, faz-lhes ver isso, mas n√£o aos berros.