Passagens sobre Crueldade

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Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados.

O Abraço

(excerto)

Não vês inda, de gosto sufocados,
Um noutro nossos peitos esculpidos?
N√£o sentes nossos rostos t√£o chegados
E ainda mais os cora√ß√Ķes unidos?
Oh! Mais, mais do que unidos!
Tu fizeste, Doce encanto, que eu fosse mais que teu.
Lembra, lembra-te quando me disseste:
– Meu bem, eu n√£o sou tu?… Tu n√£o √©s eu?

Goza, de todo goza o teu amante;
E unidos ambos… -Oh!… e est√°s t√£o perto!…
Meu bem, deliro, sonho ou estou desperto?
Ambos unidos em mimoso laço,
Faces, bocas unidas… Ah! que fa√ßo?…
√Č ar… Quando que a abra√ßo me parece,
A mim me abraço e em ar se desvanece.
Mas que duvido com abraço estreito
Cingir-me?… Dize, n√£o √©s seu, meu peito?…
[…]
Goza, meu bem (enquanto a Sorte avara
Com tanta crueldade nos separa)
Goza do alívio, que nos concedeu,
De dizer com certeza: √Č minha! – √Č meu!…

Urgentemente

√Č urgente o amor
√Č urgente um barco no mar

√Č urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

√Č urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manh√£s claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
√Č urgente o amor, √© urgente
permanecer.

Os homens trazem em si a crueldade. N√£o devemos esquecer-nos disso, devemos ter cuidado. √Č preciso defender a possibilidade de criar e defender esse espa√ßo de consci√™ncia, de lucidez. Essa √© a nossa pequenina esperan√ßa.

Perfeição é Virtude e não Ausência de Defeitos

A virtude √© a perfei√ß√£o no estado de homem e n√£o a aus√™ncia de defeitos. Se eu quero construir uma cidade, pego na malandragem e na ral√©. O poder h√°-de nobilit√°-las. Ofere√ßo-lhes uma embriaguez, diferente da embriaguez med√≠ocre da rapina, da usura ou da viola√ß√£o. √Č ver aqueles bra√ßos nodosos que edificam. O orgulho vai-se transformando em torres, templos e muralhas. A crueldade torna-se grandeza e rigor na disciplina. E ei-los a servirem uma cidade nascida deles pr√≥prios. Trocaram-se por ela no fundo dos cora√ß√Ķes. E morrer√£o de p√©, nas muralhas, para a salvarem. S√≥ descobrir√°s neles virtudes resplandecentes.
¬ęMas tu, que p√Ķes m√° cara diante do poder da terra, diante da grosseria, da podrid√£o e dos vermes dos homens, come√ßas por pedir ao homem que n√£o seja e que n√£o tenha nem sequer cheiro. Reprovas-lhe a express√£o da sua for√ßa. Instalas capados √† frente do imp√©rio. E eles entram a perseguir o v√≠cio, que n√£o passa de poder mal empregado. √Č o poder e a vida que eles perseguem e, no entanto, tornam-se guardi√Ķes de museu e vigiam um imp√©rio morto¬Ľ

Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras Рprecisamos nos posicionar contra essas coisas. O vegetarianismo é a minha forma de me posicionar.

Idílio

Praias, que banha o Tejo caudaloso:
Ondas, que s√ībre a areia estais quebrando:
Ninfas, que ides escumas levantando:
Escutai os suspiros dum sa√ľdoso.

E v√≥s tamb√©m, √≥ c√īncavos rochedos,
Que dos ventos em v√£o sois combatidos,
Ouvi o triste som de meus gemidos,
j√° que de Amor calais tantos segredos.

Ai, amada Tircéa, se eu pudera
os teus formosos olhos ver agora,
Que depressa o pesar, que esta alma chora,
No g√īsto mais feliz se convertera!

Oh, como ent√£o ficaras conhecendo
Quanto te amo, se visses a violência
Com que estão de meus olhos nesta ausência
Estas sa√ľdosas l√°grimas correndo!

Tanto neste pesar, que estou sentindo,
O triste coração se desfalece,
e tanto me atormenta, que parece
Que ao sofrimento a alma vai fugindo.

Mas oh, qual h√° de ser a crueldade
Deste terrível mal, em que ando envolto,
Se a qualquer parte, emfim, que os olhos volto,
Imagens estou vendo de saudade.

LXXV

Clara fonte, teu passo lisonjeiro
P√°ra, e ouve-me agora um breve instante;
Que em paga da piedade o peito amante
Te ser√° no teu curso companheiro.

Eu o primeiro fui, fui o primeiro,
Que nos braços da ninfa mais constante
Pude ver da fortuna a face errante
Jazer por glória de um triunfo inteiro.

Dura mão, inflexível crueldade
Divide o laço, com que a glória, a dita
Atara o gosto ao carro da vaidade:

E para sempre a dor ter n’alma escrita,
De um breve bem nasce imortal saudade,
De um caduco prazer m√°goa infinita.

Compaix√£o Perversa

O prazer de maltratar outr√©m √© distinto da crueldade. Esta consiste em encontrar satisfa√ß√£o na compaix√£o, e atinge o ponto culminante quando a compaix√£o chega a extremos, como quando maltratamos os que amamos; todavia, se fosse algu√©m, que n√£o n√≥s, a magoar os que amamos, ent√£o fic√°vamos furiosos, e a compaix√£o tornar-se-nos-ia dolorosa; mas somos n√≥s a am√°-los e somos n√≥s a mago√°-los…
A compaixão exerce uma infinita atenção: a contradição de dois instintos fortes e opostos actua em nós como atractivo supremo.
(…) A crueldade e o prazer da compaix√£o:
A compaixão aumenta quanto mais conhecemos e mais amamos intensamente quem é objecto dela. Portanto, aquele que trata com crueldade o objecto do seu amor retira da crueldade Рque amplia a compaixão Рa máxima satisfação.
Quando, acima de tudo, nos amamos a nós próprios, o maior prazer que encontramos Рpor meio da compaixão Рpode levar-nos a mostrarmo-nos cruéis para connosco. Heróico da nossa parte é o esforço de completa identificação com aquilo que nos é contrário. A metamorfose do Diabo em Deus representa esse grau de crueldade.

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Vaidade, Tudo Vaidade!

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-√£o amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Ver√°s, perdoa-me esta crueldade,
Que √© uma vaidade o amor de tua m√£e…

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, j√° voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve l√°! eu volto-lhes o rosto…
E isto em mim n√£o ser√° uma vaidade?

Uma Imagem Divina

A Crueldade tem Humano Coração,
E tem a Intoler√Ęncia Humano Rosto;
O Terror a Divina Humana Forma,
O Secretismo Humano Traje posto.

O Humano Traje é Ferro forjado,
A Humana Forma, Forja incendiada,
O Humano Rosto, Fornalha bem selada,
Humano Coração, Abismo seu Esfaimado.

Tradução de Hélio Osvaldo Alves

O Natural e Vantajoso

√Č uma crueldade impedir os homens de se lan√ßarem √†quilo que lhes parece natural e vantajoso! E, contudo, de certo modo, √©s tu que os n√£o deixas agir assim quando te estomagas com as faltas que eles cometem. Nelas se precipitam como se fossem coisas naturais e vantajosas. – Mas n√£o o s√£o! – Nesse caso instrui-os, faz-lhes ver isso, mas n√£o aos berros.

Quanto Mais se Ama Mais Fraco se √Č

Nas rela√ß√Ķes amorosas o √ļnico sentimento que n√£o funciona √© o da piedade. Quando √© o caso de que se devesse manifestar, o que surge n√£o √© a piedade mas o asco ou a irrita√ß√£o. Eis porque em rela√ß√£o alguma se √© t√£o cruel. Todos os sentimentos t√™m o seu contraponto. Exclu√≠da a piedade, a crueldade n√£o o tem. Por experi√™ncia se pode saber quanto se sofre quando n√£o se √© amado. Mas isso de nada vale quando se n√£o ama quem nos ama: √©-se de pedra e implac√°vel. Decerto, tudo se pode pedir e obter. Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas s√≥ no amor se √© intolerante e cruel. Porque mostar amor a quem nos n√£o ama rebaixa-nos a um n√≠vel de degrada√ß√£o. E a degrada√ß√£o s√≥ nos d√° l√°stima e repulsa. A √ļnica possibilidade de se ser amado por quem nos n√£o ama √© parecer que se n√£o ama. Ent√£o n√£o se desce e assim o outro n√£o sobe. E ent√£o, porque n√£o sobe, ele tem menos apre√ßo por si, ou seja, mais apre√ßo pelo amante. O jogo do amor √© um jogo de for√ßas. Quanto mais se ama mais fraco se √©.

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LVI

Tu, ninfa, quando eu menos penetrado
Das violências de Amor vivia isento,
Propondo-te ent√£o bela a meu tormento,
Foste doce ocasi√£o de meu cuidado.

Roubaste o meu sossego, um doce agrado,
Um gesto lindo, um brando acolhimento
Foram somente o √ļnico instrumento,
Com que deixaste o triunfo assegurado.

J√° n√£o espero ter felicidade,
Salvo se for aquela, que confio,
Por amar-te, apesar dessa impiedade.

Em prêmio dos suspiros, que te envio,
Ou modera o rigor da crueldade,
Ou torna-me outra vez meu alvedrio.

Moral Convencional e Moral Verdadeira

A respeitabilidade, a regularidade, a rotina Рtoda a disciplina de ferro forjada na moderna sociedade industrial Рatrofiaram o impulso artístico e aprisionaram o amor de forma tal que não mais pode ser generoso, livre e criador, tendo de ser ou furtivo ou pedante. Aplicou-se controle às coisas que mais deveriam ser livres, enquanto a inveja, a crueldade e o ódio se espraiam à vontade com as bençãos de quase toda a bisparia. O nosso equipamento instintivo consiste em duas partes Рuma que tende a beneficiar a nossa própria vida e a dos nossos descendentes, e outra que tende a atrapalhar a vida dos supostos rivais. Na primeira incluem-se a alegria de viver, o amor e a arte, que psicologicamente é uma consequência do amor. A segunda inclui competição, patriotismo e guerra. A moral convencional tudo faz para suprimir a primeira e incentivar a segunda. A moral verdadeira faria exactamente o contrário.
As nossas rela√ß√Ķes com os que amamos podem ser perfeitamente confiadas ao instinto; s√£o as nossas rela√ß√Ķes com aqueles que detestamos que deveriam ser postas sob o controle da raz√£o. No mundo moderno, aqueles que de facto detestamos s√£o grupos distantes, especialmente na√ß√Ķes estrangeiras. Concebemo-las no abstracto e engodamo-nos para crer que os nossos actos (na verdade manifesta√ß√Ķes de √≥dio) s√£o cometidos por amor √† justi√ßa ou outro motivo elevado.

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A crueldade tem coração humano; a inveja, cara humana; o terror, corpo humano, e os segredos, a roupagem dos humanos.