Cita√ß√Ķes sobre Consequentes

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A Exploração do Outro como Fatalismo Político

Por muito que se inove no campo político, não há como escapar a um certo fatalismo no que se refere à condição de classe e consequente exploração (*). A sociedade permite uma certa mobilidade, sim, mas há limites nessa desmarcação. Sim, foi relativamente fácil a Calígula promover o seu cavalo Incitatus a senador. O que a História não regista é se o cavalo passou a relinchar partidariamente, ou se, pelo contrário, os seus novos pares começaram a trotar no seu compasso.

(*) Explora√ß√£o, meus caros, come√ßa sempre do lado de dentro dos seus bot√Ķes. E n√£o h√° como escapar: sempre se √© comunista de algu√©m, judeu de algu√©m, capitalista de algu√©m, negro de algu√©m, presidente dos Estados Unidos em cima de algu√©m. E eu mesmo ‚ÄĒ confesso ‚ÄĒ escrevi este livro explorando o humorista que h√° em mim pr√≥prio.

O Grande Mito Nacional

Há uma espécie de propaganda com que se pode levantar o moral de uma nação Рa construção ou renovação e a difusão consequente e multímoda de um grande mito nacional. De instinto, a humanidade odeia a verdade, porque sabe, com o mesmo instinto, que não há verdade, ou que a verdade é inatingível. O mundo conduz-se por mentiras; quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo terá que mentir-lhe delirantemente, e fá-lo-á com tanto mais êxito quanto mais mentir a si mesmo e se compenetrar da verdade da mentira que criou. Temos, felizmente, o mito sebastianista, com raízes profundas no passado e na alma portuguesa. Nosso trabalho é pois mais fácil; não temos que criar um mito, senão que renová-lo. Comecemos por nos embebedar desse sonho, por o integrar em nós, por o incarnar. Feito isso, por cada um de nós independentemente e a sós consigo, o sonho se derramará sem esforço em tudo que dissermos ou escrevermos, e a atmosfera estará criada, em que todos os outros, como nós, o respirem. Então se dará na alma da nação o fenómeno imprevisível de onde nascerão as Novas Descobertas, a Criação do Mundo Novo, o Quinto Império. Terá regressado El-Rei D. Sebastião.

A Nossa Sensibilidade

Sofremos mais hoje que as gera√ß√Ķes passadas porque o est√≠mulo da maquinaria, da multid√£o, da coisa impressa e do barulho desgastou os tecidos protectores dos nossos nervos. H√° compensa√ß√Ķes: esta sensibilidade em carne viva ergue-nos a uma subtileza de percep√ß√£o e de coordena√ß√£o nervosa e muscular que somos capazes de fazer coisas absolutamente imposs√≠veis aos homens primitivos e mesmo aos medievais. Ficamos na situa√ß√£o dos m√ļsicos, cujos “ouvidos educados” os fazem sofrer com todos os sons que n√£o sejam harm√≥nicos: esses m√ļsicos pagam o crime da sensibilidade excessiva e possuem os defeitos das suas virtudes. Mas pensam l√° eles em perder tais dons em troca de se livrarem dos sofrimentos consequentes? N√£o h√° homem moderno que queira desistir de uma sensibilidade que, se puplica o sofrimento, tamb√©m multiplica os prazeres.

A Inconsistência Humana

Quanto mais uma pessoa se aproxima de outra, menos consegue Рa não ser que a veja com os olhos do amor Рachá-la consequente na sua actividade e consistente no seu interior, e a outra retribui-lhe do mesmo modo. Na verdade, porém, a consistência não existe em parte nenhuma, a não ser no que é produtivo.

Posse I

Ela ‚ÄĒ

Na corporificação da claridade
festejaremos nosso encontro.
Os intervalos de posse,
iluminados,
se encobrem de flores;
musgos s√£o tessitura
desta dist√Ęncia breve,
desta pausa madura.

A palma das m√£os
é um êxtase de frutos:
a pele se modula
nas √°guas transparentes
que de nós a nós
é rio consequente.

S√ļbito como um voo,
o estar se perturba.
Um leve toque de olhar
acusa o futuro,
onde perduramos desunidos.

O espaço concreto em nós
é tão exíguo
A manh√£ n√£o satisfaz
a emergência de outro encontro;
somente a luz
projecta além
nossos corpos dourados,
nossa incrível festa.

O Pequeno Hamlet

O Tom√°s, o meu filho, brinca na velha ponte abandonada junto √† casa onde habito agora. Gosto muito deste filho cheio de consequentes sil√™ncios, reservas que lhe v√™m do desamparo da inf√Ęncia – de toda a inf√Ęncia – mas que nele se sublinham como se um veio nocturno se acercasse das coisas que interroga. A mim tudo se me esquece quando olho este filho que espanca com um ferro o ferro da ponte. Observando-o na desaten√ß√£o que o guarda assim no fotograma da mem√≥ria, interpelo-o: ¬ęE leste O pr√≠ncipe da Dinamarca?¬Ľ, e ele responde-me seco, mortalmente evasivo: ¬ęN√£o √© O pr√≠ncipe da Dinamarca, √© O cavaleiro da Dinamarca¬Ľ, e volta a espancar, rebarbativo, o ferro.

A Import√Ęncia da Arrog√Ęncia

A arrog√Ęncia n√£o √© nenhum meio adequado para se chegar a qualquer forma de entendimento com as pessoas que nos rodeiam e que menosprezamos, pelo que nos s√£o insuport√°veis. Mas, se n√£o tiv√©ssemos a arrog√Ęncia, estar√≠amos perdidos, pois ela n√£o √© sen√£o um meio de impormos a nossa vontade contra um mundo que de outro modo e, portanto, sem essa arrog√Ęncia, nos devoraria por completo. Ele n√£o teria por n√≥s o m√≠nimo respeito. N√≥s temos de a ele nos antecipar com a nossa pr√≥pria arrog√Ęncia, disse eu para comigo, empreg√°-la onde ela nos salva de sermos devorados. Pois n√£o nos iludamos, pensei eu, os chamados parvos, os que por assim dizer menos apreciamos s√£o os que menos considera√ß√£o t√™m por n√≥s, n√£o lhes importa o que n√≥s sentimos, desde que nos possam incomodar e destruir e por √ļltimo aniquilar.
A arrog√Ęncia √© um meio absolutamente adequado para conseguirmos impor-nos no mundo que nos rodeia e que est√° orientado contra n√≥s, essa arrog√Ęncia teme-a ele e respeita-a, mesmo que seja s√≥ simulada como a minha, como eu pensei. N√≥s escudamo-nos com a arrog√Ęncia para nos podermos afirmar, esta √© que √© a verdade, eu sou arrogante para sobreviver, isto dito assim de modo consequente.

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As Três Espécies de Portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro √© o portugu√™s que o n√£o √©. Come√ßou com a invas√£o mental estrangeira, que data, com verdade poss√≠vel, do tempo do Marqu√™s de Pombal. Esta invas√£o agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a Rep√ļblica. Este portugu√™s (que √© o que forma grande parte das classes m√©dias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) √© o que governa o pa√≠s. Est√° completamente divorciado do pa√≠s que governa. √Č, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, √© est√ļpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas,

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O medo é o grande responsável pelas palavras que não te saem pela boca, pelas letras que engoles a seco e pela consequente asfixia que te matará lenta e dolorosamente.

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada n√£o apenas como dor, mas tamb√©m como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuport√°vel; mas tamb√©m aceit√°-la desportivamente, como um obst√°culo que n√£o nos intimidar√° nem nos arrastar√° para uma ira cega, e ent√£o n√£o √© raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, por√©m, o que aconteceu foi apenas que integr√°mos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em fun√ß√£o disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fen√≥meno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conte√ļdo, mediante a sua inser√ß√£o numa cadeia de ac√ß√Ķes consequentes, produz-se em todos os indiv√≠duos que n√£o o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio √† sua capacidade intelectual.
Tamb√©m ele ser√° mais superficialmente afectado nas suas emo√ß√Ķes pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se v√™ como sinal de intelig√™ncia superior num pugilista √© visto como frieza e insensibilidade em pessoas que n√£o sabem de boxe e nas quais isso se deve √† sua inclina√ß√£o para uma determinada forma de vida intelectual.

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