Cita√ß√Ķes sobre Conventos

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Frases sobre conventos, poemas sobre conventos e outras cita√ß√Ķes sobre conventos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Povo Errado

Uma volta que teve por polos Mafra e o Estoril. Um passeio à roda da nossa história e do nosso mundo do capital. Mais uma tentativa para compreender como foi possível no passado português construir um convento daqueles, e é possível construir no presente português um paraíso destes. Decididamente, fomos, somos e seremos um povo errado. Um povo que não encontra nem o seu destino, nem os seus homens. E lá estava, depois do estendal de mármore e do morro de luxo, a prová-lo, o singelo monumento erguido no sítio onde foram lançadas as cinzas de Gomes Freire enforcado.

√öltimo Sonho De “soror Saudade

√Äquele que se perdera no caminho…

Soror Saudade abriu a sua cela…
E, num encanto que ninguém traduz,
Despiu o manto negro que era dela,
Seu vestido de noiva de Jesus.

E a noite escura, extasiada, ao vê-la,
As brancas m√£os no peito quase em cruz,
Teve um brilhar feérico de estrela
Que se esfolhasse em pétalas de luz!

Soror Saudade olhou…Que olhar profundo
Que sonha e espera?…Ah! como √© feio o mundo,
E os homens v√£os! — Ent√£o, devagarinho,

Soror Saudade entrou no seu convento…
E, até morrer, rezou, sem um lamento,
Por Um que se perdera no caminho!…

Balada do Amor através das Idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas n√£o Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irm√£o.
Matei, brig√°mos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de crist√£os.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o le√£o que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolit√Ęnia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da f√ļria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal…
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortes√£o de Versailles,
espirituoso e devasso.
Voc√™ cismou de ser freira…
Pulei muro de convento
mas complica√ß√Ķes pol√≠ticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.

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Os Cavalleiros

– Onde vaes tu, cavalleiro,
Pela noite sem luar?
Diz o vento viajeiro,
Ao lado d’elle a ventar…
N√£o responde o cavalleiro,
Que vae absorto a scismar.
– Onde vaes tu, torna o vento,
N’esse doido galopar?
Vaes bater a algum convento?
Eu ensino-te a rezar.
E a lua surge, um momento,
A lua, convento do Ar.
– Vaes levar uma mensagem?
D√°-m’a que eu vou-t’a entregar:
Ir√°s em meia viagem
E eu j√° de volta hei-de estar.
E o cavalleiro, √° passagem,
Faz as arvores vergar.
– Vaes escalar um mosteiro?
Eu ajudo-t’o a escalar:
N√£o ha no mundo pedreiro
Que a mim se possa egualar!
N√£o responde o cavalleiro
E o vento torna a fallar:
– Dize, dize! vaes p’ra guerra?
Monta em mim, vou-te levar:
N√£o ha cavallo na Terra
Que tenha t√£o bom andar…
E os trov√Ķes rolam na serra
Como vagas a arrolar!
– E as guerras has-de ganhal-as,
Que por ti hei-de velar:
Ponho-me √° frente das balas
Para a força lhes tirar!

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Carta a Manoel

Manoel, tens raz√£o. Venho tarde. Desculpa.
Mas n√£o foi Anto, n√£o fui eu quem teve a culpa,
Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,
A cuja influencia a minha alma n√£o reziste,
Queres noticias? Queres que os meus nervos fallem?
V√°! dize aos choupos do Mondego que se callem…
E pede ao vento que n√£o uive e gema tanto:
Que, emfim, se soffre abafe as torturas em pranto,
Mas que me deixe em paz! Ah tu n√£o imaginas
Quanto isto me faz mal! Peor que as sabbatinas
Dos ursos na aula, peor que beatas correrias
De velhas magras, galopando Ave-Marias,
Peor que um diamante a riscar na vidraça!
Peor eu sei lá, Manoel, peor que uma desgraça!
Hysterisa-me o vento, absorve-me a alma toda,
Tal a menina pelas vesperas da boda,
Atarefada mail-a ama, a arrumar…
O vento afoga o meu espirito n’um mar
Verde, azul, branco, negro, cujos vagalh√Ķes
S√£o todos feitos de luar, recorda√ß√Ķes.
√Ā noite, quando estou, aqui, na minha toca,
O grande evocador do vento evoca, evoca
Nosso ver√£o magnifico, este anno passado,
(E a um canto bate,

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O que Nós Vemos das Cousas São as Cousas

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir s√£o ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seq√ľestra√ß√£o na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas s√£o as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas n√£o s√£o sen√£o estrelas
Nem as flores sen√£o flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

Portugal

Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa p√°tria… E que p√°tria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abund√Ęncia, amor, conc√≥rdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
P√°tria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torre√£o de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, basti√Ķes, barbac√£s, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor,

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Três Coisas não se Sofrem sem Discórdia

Pr√≠ncipes de condi√ß√£o, ainda que o sejam de sangue, s√£o mais enfadonhos que a pobreza; fazem, com sua fidalguia, com que lhe cavemos fidalguias de seus av√≥s, onde n√£o h√° trigo t√£o joeirado que n√£o tenha alguma ervilhaca. J√° sabeis que ¬ębasta um frade ruim para dar que falar a um convento¬Ľ. Tr√™s cousas n√£o se sofrem sem disc√≥rdia: companhia, namorar, mandar vil√£o ruim sobre cousa de seu interesse. N√£o se pode ter paci√™ncia com quem quer que lhe fa√ßam o que n√£o faz. Desagradecimentos de boas obras, destruem a vontade para n√£o faz√™-las a amigo, que tem mais conta com o interesse que com a amizade; rezai dele, que √© dos c√° nomeados.

O Monge Maldito

Os devotos painéis dos antigos conventos,
Reproduzindo a santa imagem da Verdade,
Davam certo conforto aos sóbrios monumentos,
Tornavam menos fria aquela austeridade.

Olhos fitos em Deus, nos santos mandamentos,
Mais de um monge alcançou palma de santidade,
A’ Morte consagrando obras e pensamentos
Numa vida de paz, de labor, de humildade.

Minh’alma √© um coval onde, monge maldito,
Desde que existe o mundo, aborrecido, habito,
Sem ter um s√≥ painel que possa contemplar…

‚ÄĒ O’ monge mandri√£o! se quer’s viver, contente,
uma vida de paz, n√£o seja indolente;
Caleja-me essas m√£os, trabalha! vai cavar!

Tradução de Delfim Guimarães

Descri√ß√£o Da Cidade De Sergipe D’el-Rei

Tr√™s d√ļzias de casebres remendados,
Seis becos, de mentrastos entupidos,
Quinze soldados, rotos e despidos,
Doze porcos na praça bem criados.

Dois conventos, seis frades, três letrados,
Um juiz, com bigodes, sem ouvidos,
Três presos de piolhos carcomidos,
Por comer dois meirinhos esfaimados.

As damas com sapatos de baeta,
Palmilha de tamanca como frade,
Saia de chita, cinta de raqueta.

O feijão, que só faz ventosidade
Farinha de pipoca, p√£o que greta,
De Sergipe d’El-Rei esta √© a cidade.

Em Horas inda Louras, Lindas

Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas,
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.

Mas em torno à tarde se entorna
A atordoar o ar que arde
Que a eterna tarde j√° n√£o torna!
E o tom de atoarda todo o alarde
Do adornado ardor transtorna
No ar de torpor da tarda tarde.

E h√° nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos….
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.

Em V√£o

Passo triste na vida e triste sou,
Um pobre a quem jamais quiseram bem!
Um caminhante exausto que passou,
Que n√£o diz onde vai nem donde vem.

Ah! Sem piedade, a rir, tanto desdém
a flor da minha boca desdenhou!
Solitário convento onde ninguém
A silenciosa cela procurou!

E eu quero bem a tudo, a toda gente…
Ando a amar assim, perdidamente,
A acalentar o mundo nos meus braços!

E tem passado, em v√£o, a mocidade
Sem que no meu caminho uma saudade
Abra em flores a sombra dos meus passos!

Ren√ļncia

A minha mocidade h√° muito pus
No tranquilo convento da tristeza;
L√° passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras m√£os em cruz…

L√° fora, a Noite, Satan√°s, seduz!
Desdobra-se em requintes de Beleza…
E como um beijo ardente a Natureza…
A minha cela √© como um rio de luz…

Fecha os teus olhos bem! N√£o vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!

Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra
√ď minha mocidade toda em flor!

Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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Males de Anto

A Ares n’uma aldeia

Quando cheguei, aqui, Santo Deus! como eu vinha!
Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,
Porque eram todas, eu sei l√°! desde o odio ao tedio.
Molestias d’alma para as quaes n√£o ha remedio.
Nada compunha! Nada, nada. Que tormento!
Dir-se-ia accaso que perdera o meu talento:
No entanto, √°s vezes, os meus nervos gastos, velhos,
Convulsionavam-nos relampagos vermelhos,
Que eram, bem o sentia, instantes de Cam√Ķes!
Sei de c√≥r e salteado as minhas afflic√ß√Ķes:
Quiz partir, professar n’um convento de Italia,
Ir pelo Mundo, com os p√©s n’uma sandalia…
Comia terra, embebedava-me com luz!
Extasis, spasmos da Thereza de Jezus!
Contei n’aquelle dia um cento de desgra√ßas.
Andava, á noite, só, bebia a noite ás taças.
O meu cavaco era o dos mortos, o das loizas.
Odiava os homens ainda mais, odiava as Coizas.
Nojo de tudo, horror! Trazia sempre luvas
(Na aldeia, sim!) para pegar n’um cacho d’uvas,
Ou n’uma flor. Por cauza d’essas m√£os… Perdoae-me,
Alde√Ķes! eu sei que v√≥s sois puros. Desculpae-me.

Mas, atravez da minha dor,

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A Ronda Noturna

Noite cerrada, tormentosa, escura,
L√° fora. Dormem em trevas o convento.
Queda imoto o arvoredo. N√£o fulgura
Uma estrela no torvo firmamento.

Dentro é tudo mudez. Flébil murmura,
De espaço a espaço, entanto, a voz do vento:
E h√° um rasgar de sud√°rios pela altura,
Passo de espectros pelo pavimento…

Mas, de s√ļbito, os gonzos das pesadas
Portas rangem… Ecoa surdamente
Leve rumor de vozes abafadas.

E, ao clar√£o de uma l√Ęmpada tremente,
Do claustro sob as t√°citas arcadas
Passa a ronda noturna, lentamente…

Ondas de Solid√£o

Se possu√≠sse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Cruso√©, desamparado na sua ilha. H√°, √© verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milh√Ķes de seres humanos. Mas, que √© isso? As pessoas que nos n√£o interessam e que se n√£o interessam por n√≥s, s√£o apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. S√£o, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenci√°veis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recorda√ß√£o. Ora estas ondas, com o seu tumulto, n√£o faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson – e ele continua a ser, nos col√©gios e conventos, o modelo lament√°vel e cl√°ssico da solid√£o.

A Minha Hora

Que horas são? O meu relógio está parado,
H√° quanto tempo!…
Que pena o meu relógio estar parado
E eu n√£o poder marcar esta hora extraordin√°ria!
Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento,
Hora som de violino a expirar… Hora v√°ria,
Hora sombra alongada de convento…

Hora feita de nostalgia
Dos degredados…
Hora dos abandonados
E dos que o t√©dio abate sem cessar…
Hora dos que nunca tiveram alegria,
Hora dos que cismam noite e dia,
Hora dos que morrem sem amar…

Hora em que os doentes de corpo e alma,
Pedem ao Senhor para os sarar…
Hora de febre e de calma,
Hora em que morre o sol e nasce o luar…
Hora em que os pinheiros pela encosta acima,
S√£o monges a rezar…

Hora irm√£ da caridade
Que d√° rem√©dio aos que o n√£o t√™m…
Hora saudade…
Hora dos Pedro Sem…
Hora dos que choram por n√£o ter vivido,
Hora dos que vivem a chorar algu√©m…

Hora dos que t√™m um sonho √°guia mas… ai!
√Āguia sem asas para voar…

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Solid√£o

Cai chuva, chora.
Chora, chora.
Solid√£o, solid√£o!

J√° n√£o canta o p√°ssaro.
Calou-se a voz, a alegre, a rara.
A que se ouvia solit√°ria.
Cai chuva.

N√£o sou freira e estou num convento.
A paz, o sil√™ncio, a chuva, os claustros…
Ser freira!

O sequestro, cantar, rezar.
Cai chuva, rude e sem dor.
Tu n√£o choras.
Sou eu que choro.

Que é do pássaro, como cantava?
Voltou, voltou. Pia!
Bendito p√°ssaro, onde est√°s?
Acompanha-me, j√° n√£o chove.
Solid√£o, melancolia.