CitaçÔes sobre CortesÔes

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O LeĂŁo e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leĂŁo,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregĂĄ-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vĂŁo, porque o porco Ă© bom sĂł para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorĂąncia, o desmazelo, a incĂșria,
Soltavam contra ele injĂșria sobre injĂșria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
«Ora o que o berço då, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipĂȘndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
NĂŁo hĂĄ poder algum que mude a natureza:
Um porco hĂĄ-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

Balada do Amor através das Idades

Eu te gosto, vocĂȘ me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, vocĂȘ troiana,
troiana mas nĂŁo Helena.
SaĂ­ do cavalo de pau
para matar seu irmĂŁo.
Matei, brigĂĄmos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristĂŁos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi vocĂȘ nua
caĂ­da na areia do circo
e o leĂŁo que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leĂŁo comeu nĂłs dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da TripolitĂąnia.
Toquei fogo na fragata
onde vocĂȘ se escondia
da fĂșria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
vocĂȘ fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal…
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesĂŁo de Versailles,
espirituoso e devasso.
VocĂȘ cismou de ser freira…
Pulei muro de convento
mas complicaçÔes políticas
nos levaram Ă  guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
VocĂȘ Ă© uma loura notĂĄvel,
boxa, dança, pula, rema.

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Nos Campos O VilĂŁo Sem Susto Passa

Nos campos o vilĂŁo sem susto passa
inquieto na corte o nobre mora;
o que Ă© ser infeliz aquele ignora,
este encontra nas pompas a desgraça;

aquele canta e ri, não se embaraça
com essas coisas vĂŁs que o mundo adora;
este (oh cega ambição!) mil vezes chora,
porque não acha bem que o satisfaça;

aquele dorme em paz no chĂŁo deitado,
este no ebĂșrneo leito precioso
nutre, exaspera velador cuidado,

triste, sai do palĂĄcio majestoso.
Se hås-de ser cortesão mas desgraçado,
anter ser camponĂȘs e venturoso.

No Amor, o Homem Deve Tomar a Iniciativa

O pudor inibe a mulher de provocar certas carĂ­cias, mas sente prazer em recebĂȘ-las quando outro as começa. Sim, um homem tem em demasiada conta as suas qualidades fĂ­sicas, se espera que seja a mulher a primeira a rogar. É ao homem que compete começar, Ă© ao homem que compete pronunciar as palavras suplicantes; a ela acolher favorĂĄvelmente as suas brandas preces. Queres possuĂ­-la? pede. Ela deseja tanto como tu ser rogada. Explica-lhe a causa e a origem do teu amor. JĂșpiter dirigia-se suplicante Ă s antigas heroĂ­nas; apesar do seu poder, nenhuma o vinha provocar.
Mas se as tuas preces se quebram na distùncia dum orgulho desdenhoso, abandona o que começaste e recua. Como elas desejam o que lhes escapa, e detestam o que estå ao seu alcance! Sendo menos insistente, não mais serås repelido.
E a esperança de alcançares os teus fins nem sempre deve aparecer nos teus pedidos; que o amor penetre sob o nome da amizade. Vi mulheres esquivas serem enganadas desta maneira: o que fora seu cortesão, tornara-se seu amante.

XIV

Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondĂȘncia,
Ou desconhece o rosto da violĂȘncia,
Ou do retiro a paz nĂŁo tem provado.

Que bem Ă© ver nos campos transladado
No gĂȘnio do pastor, o da inocĂȘncia!
E que mal Ă© no trato, e na aparĂȘncia
Ver sempre o cortesĂŁo dissimulado!

Ali respira amor sinceridade;
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Um sĂł trata a mentira, outro a verdade.

Ali não hå fortuna, que soçobre;
Aqui quanto se observa, Ă© variedade:
Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!