Cita√ß√Ķes sobre Especializa√ß√£o

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Frases sobre especializa√ß√£o, poemas sobre especializa√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre especializa√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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O Problema da Especialização

O dom√≠nio dos factos explic√°veis pela ci√™ncia alargou enormemente, e o conhecimento te√≥rico em todos os campos da ci√™ncia tem sido aprofundado, para al√©m do que podia esperar-se. A capacidade de compreens√£o humana, por√©m, √© e ser√° sempre muito limitada. Assim n√£o podia deixar de acontecer que a actividade do investigador individual tivesse que restringir-se a um sector, cada vez mais limitado, do conhecimento cient√≠fico geral. Mas o mais grave √© que esta especializa√ß√£o faz que a compreens√£o geral da ci√™ncia como um todo ‚ÄĒ sem a qual o verdadeiro investigador cristaliza for√ßosamente ‚ÄĒ tenha de marcar passo com a evolu√ß√£o, o que se torna cada vez mais dif√≠cil. Cria-se, assim, uma situa√ß√£o id√™ntica √†quela que, na B√≠blia, √© simbolicamente representada pela Hist√≥ria da torre de Babel. Todo o investigador honesto tem a dolorosa consci√™ncia dessa limita√ß√£o involunt√°ria a um c√≠rculo de compreens√£o cada vez mais apertado, que amea√ßa roubar as grandes perspectivas ao investigador e o reduz a simples obreiro.

O Dilema do Conhecimento

Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral.
(…) O que precisamos fazer √© arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emo√ß√Ķes, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas mon√°sticas. Podemos parodiar a B√≠blia e dizer: “Que o homem n√£o separe o que a natureza juntou”; n√£o permitamos que a arbitr√°ria divis√£o acad√©mica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo.
Mas aqui deparamo-nos com um problema muito grave: qualquer forma de conhecimento superior exige especializa√ß√£o. Precisamos de nos especializar para entrar mais profundamente em certos aspectos separados da realidade. Mas se a especializa√ß√£o √© absolutamente necess√°ria, pode ser absolutamente fatal, se levada longe demais. Por isso, precisamos de descobrir algum meio de tirar o maior proveito de ambos os mundos –

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A import√Ęncia dada ao sistema de competi√ß√£o e a especializa√ß√£o precoce, sob pretexto da utilidade imediata, √© o que mata o esp√≠rito de que depende toda a actividade cultural e at√© mesmo o pr√≥prio florescimento das ci√™ncias de especializa√ß√£o.

A Decadência da Ciência

Ouve-se dizer que a ci√™ncia est√° actualmente submetida a imperativos de rentabilidade econ√≥mica; na verdade sempre foi assim. O que √© novo √© que a economia venha a fazer abertamente guerra aos humanos; j√° n√£o somente quanto √†s possibilidades da sua vida, como tamb√©m √†s da sua sobreviv√™ncia. Foi ent√£o que o pensamento cientifico escolheu, contra uma grande parte do seu pr√≥prio passado antiesclavagista, servir a domina√ß√£o espectacular (da sociedade de consumo). Antes de chegar a este ponto, a ci√™ncia possu√≠a uma autonomia relativa. Ent√£o sabia pensar a sua parcela da realidade e, assim, tinha podido contribuir imensamente para aumentar os meios da economia. Quando a economia toda-poderosa enlouqueceu, e os tempos espectaculares n√£o s√£o mais do que isto, suprimiu os √ļltimos vest√≠gios da autonomia cient√≠fica, tanto no campo metodol√≥gico como no das condi√ß√Ķes pr√°ticas da actividade dos ¬ęinvestigadores¬Ľ.
J√° n√£o se pede √† ci√™ncia que compreenda o mundo ou o melhore nalguma coisa. Pede-se-lhe que justifique instantaneamente tudo o que faz. T√£o est√ļpida neste terreno como em todos os outros, que explora com a mais ruinosa irreflex√£o, a domina√ß√£o espectacular promoveu o abate da √°rvore gigantesca do conhecimento cient√≠fico com o √ļnico fim de dela talhar uma matraca.

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Queremos Homens Completos ou Meros Cidad√£os?

A educa√ß√£o actual e as actuais conveni√™ncias sociais premeiam o cidad√£o e imolam o homem. Nas condi√ß√Ķes modernas, os seres humanos v√™m a ser identificados com as suas capacidades socialmente valiosas. A exist√™ncia do resto da personalidade ou √© ignorada ou, se admitida, √© admitida somente para ser deplorada, reprimida ou, se a repress√£o falhar, sub-repticiamente rebuscada. Sobre todas as tend√™ncias humanas que n√£o conduzem √† boa cidadania, a moralidade e a tradi√ß√£o social pronunciam uma senten√ßa de banimento. Tr√™s quartas partes do Homem s√£o proscritas. O proscrito vive revoltado e comete vingan√ßas estranhas. Quando os homens s√£o criados para serem cidad√£os e nada mais, tornam-se, primeiro, em homens imperfeitos e depois em homens indesej√°veis.
A insistência nas qualidades socialmente valiosas da personalidade, com exclusão de todas as outras, derrota finalmente os seus próprios fins. O actual desassossego, descontentamento e incerteza de propósitos testemunham a veracidade disto. Tentámos fazer homens bons cidadãos de estados industriais altamente organizados: só conseguimos produzir uma colheita de especialistas, cujo descontentamento em não serem autorizados a ser homens completos faz deles cidadãos extremamente maus. Há toda a razão para supor que o mundo se tornará ainda mais completamente tecnicizado, ainda mais complicadamente arregimentado do que é presentemente;

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Ao come√ßar as minhas campanhas oceanogr√°ficas, dediquei-me desde logo quase exclusivamente ao estudo dos peixes que obtive, e fui levado principalmente a esta especializa√ß√£o de estudo, por ver a grande import√Ęncia das pescarias da nossa costa, e acreditar que, talvez por um estudo met√≥dico da distribui√ß√£o e das √©pocas de passagem das diferentes esp√©cies nas nossas √°guas, melhores resultados ainda pudessem ser obtidos.

Educação para a Independência do Pensamento

N√£o basta preparar o homem para o dom√≠nio de uma especialidade qualquer. Passar√° a ser ent√£o uma esp√©cie de m√°quina utiliz√°vel, mas n√£o uma personalidade perfeita. O que importa √© que venha a ter um sentido atento para o que for digno de esfor√ßo, e que for belo e moralmente bom. De contr√°rio, vir√° a parecer-se mais com um c√£o amestrado do que com um ser harmonicamente desenvolvido, pois s√≥ tem os conhecimentos da sua especializa√ß√£o. Deve aprender a compreender os motivos dos homens, as suas ilus√Ķes e as suas paix√Ķes, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhantes e perante a comunidade.
Estes valores s√£o transmitidos √† jovem gera√ß√£o pelo contacto pessoal com os professores, e n√£o ‚ÄĒ ou pelos menos n√£o primordialmente ‚ÄĒ pelos livros de ensino. S√£o os professores, antes de mais nada, que desenvolvem e conservam a cultura. S√£o ainda esses valores que tenho em mente, quando recomendo, como algo de importante, as ¬ęhumanidades¬Ľ e n√£o o mero tecnicismo √°rido, no campo hist√≥rico e filos√≥fico.
A import√Ęncia dada ao sistema de competi√ß√£o e a especializa√ß√£o precoce, sob pretexto da utilidade imediata, √© o que mata o esp√≠rito de que depende toda a actividade cultural e at√© mesmo o pr√≥prio florescimento das ci√™ncias de especializa√ß√£o.

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