Cita√ß√Ķes sobre Fezes

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Frases sobre fezes, poemas sobre fezes e outras cita√ß√Ķes sobre fezes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Maes, Vinde Ouvir!

Longe de ti, na cella do meu quarto,
Meu copo cheio de agoirentas fezes,
Sinto que rezas do Outro-mundo, harto,
Pelo teu filho. Minha M√£e, n√£o rezes!

Para fallar, assim, ve tu! j√° farto,
Para me ouvires blasphemar, √°s vezes,
Soffres por mim as dores crueis do parto
E trazes-me no ventre nove mezes!

Nunca me houvesses dado √° luz, Senhora!
Nunca eu mamasse o leite aureolado
Que me fez homem, magica bebida!

F√īra melhor n√£o ter nascido, f√īra,
Do que andar, como eu ando, degredado
Por esta Costa d’Africa da Vida…

Pensar Custa

Pensar √© a todo momento e a todo custo. Pensar d√≥i, cansa e s√≥ traz aborrecimentos. Melhor √© n√£o pensar. Mas pensar n√£o √© facultativo. Se o c√©rebro, a m√≠nima parte dele que seja, deixa de estar alerta por um momento, penetram l√°, como parasitas dif√≠ceis de erradicar, ¬ęideias¬Ľ vindas da imprensa, do r√°dio, da televis√£o, da propaganda geral, dos produtos em s√©rie, do consumo degenerado, dos doutores em lei, arte, literatura, ci√™ncia, pol√≠tica, sociologia. Essa massa de desinforma√ß√£o, n√£o s√≥ in√ļtil como nociva, nos √©, ali√°s, imposta de maneira criminosa nos primeiros anos de nossa vida. E se, algum dia, chegamos a pensar no verdadeiro sentido do termo, todo o restante esfor√ßo da exist√™ncia √© para nos livrarmos de uma lament√°vel heran√ßa cultural. Pois, infelizmente, o c√©rebro humano √© um dos poucos √≥rg√£os do corpo que n√£o t√™m uma v√°lvula excretora. E as fezes culturais ficam l√°, nos envenenando pelo resto da vida, transformando o mais complexo e mais nobre √≥rg√£o do corpo numa imensa fossa, imunda e fedorenta. Um lament√°vel erro da Cria√ß√£o.

A Dádiva da Evidência de Si

Que havia, pois, mais para a vida, para responder ao seu desafio de milagre e de vazio, do que viv√™-la no imediato, na execu√ß√£o absoluta do seu apelo? Eliminar o desejo dos outros para exaltar o nosso. Queimar no dia-a-dia os restos de ontem. Ser s√≥ abertura para amanh√£. A vida real n√£o eram as leis dos outros e a sua san√ß√£o e o seu teimoso estabelecimento de uma comunidade para o furor de uma plenitude solit√°ria. O absoluto da vida, a resposta fechada para o seu fechado desafio s√≥ podia revelar-se e executar-se na uni√£o total com n√≥s mesmos, com as for√ßas derradeiras que nos trazem de p√© e s√£o n√≥s e exigem realizar-se at√© ao esgotamento. Este ¬ęeu¬Ľ solit√°rio que achamos nos instantes de solid√£o final, se ningu√©m o pode conhecer, como pode algu√©m julg√°-lo? E de que serve esse ¬ęeu¬Ľ e a sua descoberta, se o condenamos √† pris√£o? Sab√™-lo √© afirm√°-lo! Reconhec√™-lo √© dar-lhe raz√£o. Que ignore isso o que ignora que √©. Que o despreze e o amordace o que vive no dia-a-dia animal. Mas quem teve a d√°diva da evid√™ncia de si, como condenar-se a si ao sil√™ncio prisional? Ningu√©m pode pagar, nada pode pagar a gratuitidade deste milagre de sermos.

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A felicidade, à custa de lágrimas alheias, é uma traição aos nossos gozos: é um licor saboroso em taça de prata, com fezes no fundo, fezes que afinal somos obrigados a tragar.