Só a literatura – cópia silenciosa das coisas que não existem, tem foros de cidade no país das Artes. As outras são arrabaldes de vilas que já não existem.
Frases de Fernando Pessoa
1092 resultadosQue seria do mundo se fôssemos humanos? Se o homem sentisse deveras, não haveria civilização.
Tornarmo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos.
Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Todo o gesto é um ato revolucionário.
Goethe diz, com verdade, que o Deus de cada homem é como esse homem; não será então o Deus do maior homem o maior Deus?
Tudo em nós é fluido e misto. Classificamos para compreender, mas vivemos, na mente como no corpo, inclassificavelmente.
Age como se não houvesse Deus, lembrando-te porém que Ele existe.
O comerciante não tem personalidade, tem comércio; a sua personalidade deve estar subordinada como comerciante, ao seu comércio; e o seu comércio está fatalmente subordinado ao seu mercado, isto é, ao público que o fará comércio e não brincadeira de crianças com escritório e escrita.
O ter tocado nos pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação.
O homem está acima do cidadão. Não há Estado que valha Shakespeare.
E não sei oque sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou. Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste.
Quando há amor a gente não conversa: Ama-se, e fala-se para se sentir.
O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma.
Por mais que se avance em cada ciência, chega-se a um ponto onde ou se tem de decretar arbitrariamente que além de ali se não quer ir, ou de parar de cansaço, tão de inexplicável em inexplicável se vai – e em qualquer dos casos fica, quer queiramos quer não, o vago para além do ponto onde, cansados ou teimosos, paramos.
Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.
Tudo é ousado para quem a nada se atreve.
Saber ser supersticioso ainda é uma das artes que, realizadas a auge, marcam o homem superior.
Definir o belo é não o compreender.
Baste-nos, se pensarmos, a incompreensibilidade do universo; querer compreendê-lo é ser menos que homens, porque ser homem é saber que se não compreende.