Frases de Joaquim Nabuco

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Em última análise, o estilo é uma questão de maneiras. O escritor polido fará ao seu público todas as concessões possíveis.

Parece pretensioso o uso do «eu»; no entanto a forma pessoal é a única que exclui toda a pretensão. Quem a emprega traduz impressões recebidas, não emite sentenças, mas quem se veda o uso do «eu», constitui-se forçosamente num oráculo.

Todo o autor, nascendo uma geração mais tarde, repudiaria a sua obra; não há um que, ao envelhecer, não acredite ter progredido sobre a sua mocidade.

Os críticos sofrem de saturação e de tédio intelectual. Nada é mais falso que o ar de frescura e de juventude que eles assumem, fazendo crer que a leitura ainda lhes pode dar sensações verdadeiras.

A história da escravidão africana na América é um abismo de degradação e miséria que se não pode sondar.

O coração após certo momento da vida é qual palimpsesto; nada se pode escrever nele sem primeiro raspar o texto da época anterior.

O que constitui o génio e a invenção de uma época ficará sendo a técnica, o lugar-comum, de outra. Uma onda de ideias novas, de frases bem cunhadas, que muito custaram aos seus autores, entra diariamente em circulação, e depressa se torna o palrar inconsciente dos iletrados.

A profissão de escritor merece toda a piedade. Escrever para ganhar o pão, escrever para viver, é deformar o talento.

As lendas hão de sempre viver, como raios de luz na treva amontoada do passado, mas a beleza delas não está em sua verdade, que é sempre pequena; está no esforço que a humanidade faz para assim reter alguns episódios de uma vida tão extensa que para abrangê-la não há memória possível…

As almas mais ricas e com mais vida são as que contêm mais destroços de coisas mortas, e não aquelas em que há mais germes de coisas por vir.

São numerosos os que não têm religião, mas, por não existir entre eles nenhum laço interior, permanecem lado a lado, e, no entanto, isolados. Falta-lhes a unidade do destino.

A oposição será sempre popular; é o prato servido à multidão que não logra participar no banquete.

Evitai de vos observar ao microscópio. Bons olhos, sem vidros, voltados para o que vos cerca é quanto basta.

Há máquinas de felicidade dispendiosas, que funcionam com enorme desperdício, e há outras económicas, que, com as migalhas da sorte, criam alegria para uma existência inteira.

A literatura de outras eras não pode suprir a literatura dos nossos dias. Cada geração quer exprimir o seu próprio pensamento, e nunca duas épocas diversas, nem sequer duas gerações sucessivas, tiveram os mesmos ângulos intelectuais de visão.

A questão de iniciativa tem aliás tem um interesses todo secundário, sobretudo quando a ideia está no ar e o espírito do tempo a agita por toda a parte.