Passagens sobre Luz

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No Mundo Poucos Anos, E Cansados

No mundo poucos anos, e cansados,
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me t√£o cedo a luz do dia escura,
que n√£o vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, n√£o quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
p√°tria minha Alenquer; mas ar corruto
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Ab√°ssia fera e avara,
t√£o longe da ditosa p√°tria minha!

Saber tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti.

LXXV

Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilus√£o veio animar-me.
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas √Ęnsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do √°ureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi t√£o alto…

O Teu Riso

Tira-me o p√£o, se quiseres,
tira-me o ar, mas
n√£o me tires o teu riso.

N√£o me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a √°gua que de s√ļbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que n√£o muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de s√ļbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso ser√° para as minhas m√£os
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha p√°tria sonora.

Ri-te da noite,

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Beleza

Vem do amor a Beleza,
Como a luz vem da chama.
√Č lei da natureza:
Queres ser bela? – ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E est√°tua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura…
Mas Beleza é isso? РNão; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
– Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que est√£o por nascer ‚Äď
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! РO mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

√Č a luz divina
Que nunca mudou,
√Č luz… √© a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.

Testamento do Homem Sensato

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: ¬ęEle era assim…¬Ľ
mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se, um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em voo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
com uma luz, mais que distante, breve.

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente…

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente…

Porque teu nome é para mim o nome
De uma p√°tria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

Um Beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior…Gl√≥ria e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo n√£o te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu n√£o morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perp√©tua saudade de um minuto….

Só o Amor me Interessa

Nesta fase em que só o amor me interessa
o amor de quem quer que seja
do que quer que seja
o amor de um pequeno objecto
o amor dos teus olhos
o amor da liberdade

o estar à janela amando o trajecto voado
das pombas na tarde calma

nesta fase em que o amor √© a m√ļsica de r√°dio
que atravessa os quintais
e a criança que corre para casa
com um pão debaixo do braço

nesta fase em que o amor é não ler os jornais

podes vir podes vir em qualquer caravela
ou numa nuvem ou a pé pelas ruas
– aqui est√° uma janela acol√° voam as pombas –

podes vir e sentar-te a falar com as p√°lpebras
p√īr a m√£o sob o rosto e encher-te de luz

porque o amor meu amor é este equilíbrio
esta serenidade de coração e árvores

L√ļcia

(Alfred de Musset)

Nós estávamos sós; era de noite;
Ela curvara a fronte, e a m√£o formosa,
Na embriaguez da cisma,
Tênue deixava errar sobre o teclado;
Era um murm√ļrio; parecia a nota
De aura longínqua a resvalar nas balsas
E temendo acordar a ave no bosque;
Em torno respiravam as boninas
Das noites belas as vol√ļpias mornas;
Do parque os castanheiros e os carvalhos
Brando embalavam orvalhados ramos;
Ouvíamos a noite, entre-fechada,
A rasgada janela
Deixava entrar da primavera os b√°lsamos;
A v√°rzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sós estávamos
E tínhamos quinze anos!

L√ļcia era loura e p√°lida;
Nunca o mais puro azul de um céu profundo
Em olhos mais suaves refletiu-se.
Eu me perdia na beleza dela,
E aquele amor com que eu a amava ‚Äď e tanto ! ‚Äď
Era assim de um irm√£o o afeto casto,
Tanto pudor nessa criatura havia!

Nem um som despertava em nossos l√°bios;
Ela deixou as suas m√£os nas minhas;
Tíbia sombra dormia-lhe na fronte,

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Abre-me as Portas, M√£e

Abre-me as portas, m√£e, enquanto as estrelas
buscam em mim agora a treva infinda,
sem luz alguma no meu olhar a vê-las
nessa cegueira a ser da altura vinda.
Assim, mãe, invado tua noite, a sabê-las
eternamente em pó na luz que é finda
só para mim, que vou comigo pelas
manh√£s nascendo todas cegas ainda.
Como fazê-las ser de novo vivas?
Como, se nunca delas fui um conviva
às vidas feitas festas para as vistas?
Para arranc√°-las da morte onde as pus,
quero essa noite, ó mãe, roubada à luz
do céu que, embora cega, tu conquistas.

O autor aos seus versos

Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela m√£o da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:

Vede a luz, n√£o busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados:

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da s√°tira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz e tirania:

Desculpa tendes, se valeis t√£o pouco,
Que n√£o pode cantar com melodia
Um peito de gemer cansado e rouco.

Num Leque

Na gaze loura d’este leque adeja
N√£o sei que aroma m√≠stico e encantado…
Doce morena! Abençoado seja
O doce aroma de teu leque amado!

Quando o entreabres, a sorrir, na Igreja,
O templo inteiro fica embalsamado…
At√© minh’alma carinhosa o beija,
Como a toalha de um altar sagrado.

E enquanto o aroma inebriante voa,
Unido aos hinos que, no coro, entoa
A voz de um órgão soluçando dores,

Só me parece que o choroso canto
Sobe da gaze de teu leque santo,
Cheio de luz e de perfume e flores!

Escrevo muito simples e muito nu. Por isso fere. Sou uma paisagem cinzenta e azul. Elevo-me na fonte seca e na luz fria.

Convers√£o Mental

Os m√©todos de convers√£o religiosa foram at√© agora considerados mais sob √Ęngulos psicol√≥gicos e metaf√≠sicos que psicol√≥gicos e mecan√≠sticos; contudo, as t√©cnicas empregadas aproximam‚ąíse tanto frequentemente das modernas t√©cnicas pol√≠ticas de lavagem cerebral e controle da mente que cada uma delas lan√ßa luz sobre os mecanismos da outra. √Č conveniente come√ßar com a hist√≥ria melhor documentada de convers√£o religiosa, que tem em comum com a convers√£o pol√≠tica o facto de um indiv√≠duo ou grupo de indiv√≠duos poder adoptar novas cren√ßas ou padr√Ķes de comportamento, em resultado de revela√ß√Ķes surgidas na mente repentinamente e com grande intensidade, muitas vezes depois de per√≠odos de grande tens√£o emocional.

Magnólia Dos Trópicos

A Ara√ļjo Figueredo

Com as rosas e o luar, os sonhos e as neblinas,
√ď magn√≥lia de luz, cotovia dos mares,
Formaram-te talvez os brancos nen√ļfares
Da tua carne ideal, de corre√ß√Ķes felinas.

O teu colo pag√£o de virgens curvas finas
√Č o mais imaculado e fl√≥reo dos altares,
Donde eu vejo elevar-se eternamente aos ares
Vi√°ticos de amor e preces diamantinas.

Abre, pois, para mim os teus braços de seda
E do verso através a límpida alameda
Onde h√° frescura e sombra e sol e murmurejo;

Vem! com a asa de um beijo a boca palpitando,
No alvoroço febril de um pássaro cantando,
Vem dar-me a extrema-unção do teu amor num beijo.

Timor

Andam lá sem descançar
Nas montanhas a lutar
Iluminam todo o mar
De Timor

Nas montanhas sem dormir
Uma luz a resistir
Arde sem se apagar
Em Timor

Andorinha de asa negra
Se o teu voo l√° passar
Faz chegar um grande abraço
D√° saudades a Timor

Eles n√£o podem escrever
Porque v√£o a combater
V√£o de manh√£ defender
A Timor

As crianças a chorar
N√£o as posso consolar
Que eu nunca cheguei a ver
A Timor

Andorinha de asa negra
Vem ouvir o meu cantar
Ai que dor rasga o meu peito
Sem notícias de Timor

Nunca mais hei-de voltar
J√° n√£o posso l√° voltar
À idade de lembrar
A Timor

O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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Ter dentro da alma a luz de todo o mundo
E n√£o ver nada neste mar sem fundo,
Poetas meus Irm√£os, que triste sorte!…