Passagens sobre Dois

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Destino, Acaso ou Coincidência

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, n√£o faltar√° ao mesmo tempo quem negue a exist√™ncia daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que est√° feito, feito est√°, o que tem se ser tem muita for√ßa e por a√≠ fora. Por outras palavras, quer queiramos quer n√£o, a nossa exist√™ncia resume-se a uma sucess√£o de instantes passageiros aprisionados entre o ¬ętudo¬Ľ que ficou para tr√°s e o ¬ęnada¬Ľ que temos pela frente. Decididamente, neste mundo n√£o h√° lugar para as coincid√™ncias nem para as probabilidades.
Na verdade, por√©m, n√£o se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferen√ßa. O que se passa – como, de resto, em qualquer confronto de opini√Ķes – √© o mesmo que sucede com certos pratos culin√°rios: s√£o conhecidos por nomes diferentes mas, na pr√°tica, o resultado n√£o varia.

Fume maconha e n√£o cigarros, pois neur√īnios voc√™ tem milh√Ķes, mas pulm√Ķes voc√™ s√≥ tem dois.

Todo o homem recebe duas espécies de educação: a que lhe é dada pelos outros, e, muito mais importante, a que ele dá a si mesmo.

Existem dois tipos de riscos: Aqueles que n√£o podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que n√£o podemos nos dar ao luxo de n√£o correr.

A Secreta Viagem

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
fic√°mos n√≥s os dois, parados, de m√£o dada…
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de s√ļbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, √† proa…
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos…
Por entre nossas m√£os, o verde mar se escoa…

Aparentes senhores de um barco abandonado,
n√≥s olhamos, sem ver, a long√≠nqua miragem…
Aonde iremos ter? ‚ÄĒ Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa… alheio aos meus sentidos.
‚ÄĒ Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!

Os homens podem dividir-se em dois grupos: os que seguem em frente e fazem alguma coisa e os que v√£o atr√°s a criticar.

Nunca entendi como dois homens podem ser juntar para escrever um livro. Para mim, é como precisar de três pessoas para produzir um filho.

Como Vemos os Outros

N√≥s temos em toda a vida, especialmente na esfera da comunica√ß√£o espiritual, o h√°bito errado de emprestarmos √†s outras pessoas muito daquilo que nos √© pr√≥prio, como se tivesse de ser mesmo assim. Mas como elas, al√©m disso, nos mostram tamb√©m o que t√™m de si pr√≥prias, da√≠ resultam, dado que n√≥s procuramos criar uma unidade com as duas partes, aut√™nticos monstros, semelhantes √†queles que, numa casa com muitos cantos, a luz de uma lanterna produz com uma parte de sombras e uma parte de objectos reais. N√£o h√° nenhuma opera√ß√£o mais √ļtil mas, ao mesmo tempo, mais dif√≠cil que deduzir da imagem do outro aquilo que inconscientemente lhe foi emprestado. No entanto, s√≥ assim fazemos dos outros verdadeiras pessoas – ou, dito de uma forma mais breve: o homem julga compreender os homens quando acrescenta a uma suposta e ilimitada analogia com o seu pr√≥prio eu ainda alguma coisa que √© contr√°ria a esse eu. √Č a experi√™ncia que leva cada um a poder lidar com pessoas que tem de imaginar, na sua ess√™ncia, diferentes de si mesmo.

Sem identidade n√£o se √©. E a gente tem que ser, isso √© que √© importante. Mas a identidade obriga depois √† dignidade. Sem identidade n√£o h√° dignidade, sem dignidade n√£o h√° identidade, sem estas duas n√£o h√° liberdade. A liberdade imp√Ķe, logo de come√ßo, o respeito pelo pr√≥ximo. Isto pode explicar um pouco os limites da pr√≥pria vida.

Se a natureza me oferecer duas coisas, eu não me importaria com a segunda se a primeira for você.

H√° pessoas que t√™m pequenos problemas emocionais que nunca resolvem. A atitude passiva do ¬ęeu¬Ľ arrasta a solu√ß√£o. N√£o h√° dois vencedores nas √°guas da emo√ß√£o. Ou supera os conflitos emocionais ou eles acabar√£o por control√°-lo. Todos querem o p√≥dio, mas muitos desprezam a fadiga dos treinos. Todos querem a vit√≥ria, mas a grande maioria desiste da labuta. Todos querem ser felizes, mas n√£o treinam as suas emo√ß√Ķes. Ningu√©m pode brilhar em qualquer √°rea da vida se n√£o aprender a percorrer com coragem todas as dist√Ęncias necess√°rias.

Carta à Minha Filha

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na met√°fora dada
pela inf√Ęncia, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de raz√£o nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite t√£o quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguir√°.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas Рé sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.

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Da Oração

Doce quietação de quem vos ama,
Em serviços, Senhor, que tanto quanto
Amado sois, t√£o longe o fim de tanto,
Subindo mais, e mais, mais se derrama:

Ardendo por arder em viva chama
De amor do vosso amor, a voz levanto;
Sinto, suspiro, choro, colho, e planto
Ao som doutra suave que me chama.

Onde se vai, Senhor, quem vos ofende?
Donde levais, Deus meu, a quem vos segue?
Onde fugir se pode uma de duas?

Morto por quem o mata que pretende,
Ou que extremos de amor h√° que nos negue
Quem culpas nossas chama ofensas suas?