Cita√ß√Ķes sobre Destro√ßos

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Frases sobre destro√ßos, poemas sobre destro√ßos e outras cita√ß√Ķes sobre destro√ßos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Vênus II

Singra o navio. Sob a √°gua clara
V√™-se o fundo do mar, de areia fina…
– Impec√°vel figura peregrina,
A dist√Ęncia sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a √°gua plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufr√°gios, perdi√ß√Ķes, destro√ßos!
– √ď f√ļlgida vis√£o, linda mentira!

R√≥seas unhinhas que a mar√© partira…
Dentinhos que o vaiv√©m desengastara…
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos…

Só se Pode Ser Feliz Simplificando

Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto.

25 De Março

25 DE MARÇO
(Recife, 1885)
Em Pernambuco para o Cear√°

Bem como uma cabeça inteiramente nua
De sonhos e pensar, de arroubos e de luzes,
O sol de surpreso esconde-se, recua,
Na √≥rbita tra√ßada — de fogo dos obuses.

Da enérgica batalha estóica do Direito
Desaba a escravatura — a lei cujos fossos
Se ergue a consci√™ncia — e a onda em mil destro√ßos
Resvala e tomba e cai o branco preconceito.

E o Novo Continente, ao largo e grande esforço
De gera√ß√Ķes de her√≥is — presentes pelo dorso
√Ä rubra luz da gl√≥ria — enquanto voa e zumbe.

O inseto do terror, a treva que amortalha,
As l√°grimas do Rei e os bravos da canalha,
O velho escravagismo estéril que sucumbe.

Solit√°rio

Como um fantasma que se refugia
Na solid√£o da natureza morta,
Por tr√°s dos ermos t√ļmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
N√£o era esse que a carne nos conforta
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
– Velho caix√£o a carregar destro√ßos –

Levando apenas na tumbas carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

A Minha Educação Prejudicou-me em Vários Aspectos

Dormi, acordei, dormi, acordei, vida miser√°vel. (…) Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. N√£o fui, de facto, educado num lugar longe de tudo, como por exemplo entre ru√≠nas, nas montanhas; contra esse facto eu n√£o poderia realmente exprimir a minha censura. Apesar de correr o risco de n√£o poder ser compreendido por todos os meus antigos professores, eu bem preferiria ter sido um habitante dessas pequenas ru√≠nas, queimado pelo sol que por entre os destro√ßos me apareceria de todos os lados sobre a t√©pida hera, mesmo que eu a princ√≠pio houvesse sido fraco sob a press√£o das minhas boas qualidades, que com a for√ßa da erva teriam crescido dentro de mim.

Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. Esta censura aplica-se a uma quantidade de pessoas, ou seja, aos meus pais, a algumas pessoas de fam√≠lia, a alguns amigos da casa, a v√°rios escritores, a uma certa cozinheira, que durante todo um ano me levou √† escola, a um monte de professores (que nas minhas recorda√ß√Ķes tenho de comprimir num grupo estreito, que doutra maneira me falha um aqui e outro ali ‚ÄĒ mas,

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A Velhice Pede Desculpas

T√£o velho estou como √°rvore no inverno,
vulc√£o sufocado, p√°ssaro sonolento.
T√£o velho estou, de p√°lpebras baixas,
acostumado apenas ao som das m√ļsicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das l√Ęmpadas, o grito fren√©tico
dos provisórios dias do mundo:
Mas h√° um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que n√£o me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me n√£o ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.

Vénus

I

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda…
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a raz√£o se perde!

P√ļtrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.

O seu esbo√ßo, na marinha turva…
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os p√©s atr√°s, como voando…

E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co’a salsugem.

II

Singra o navio. Sob a √°gua clara
V√™-se o fundo do mar, de areia fina…
_ Impec√°vel figura peregrina,
A dist√Ęncia sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a √°gua plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufr√°gios, perdi√ß√Ķes, destro√ßos!
_ √ď f√ļlgida vis√£o, linda mentira!

R√≥seas unhinhas que a mar√© partira…
Dentinhos que o vaiv√©m desengastara…

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As almas mais ricas e com mais vida são as que contêm mais destroços de coisas mortas, e não aquelas em que há mais germes de coisas por vir.

Tão Pouco Sentimento é a Emoção

tão pouco sentimento é a emoção, que quando
do ch√£o a levantamos se fez leve
maneira de outras √°guas

os cami√Ķes caminham para o norte
com serenos destroços
as maquinetas baças da invenção

ser√° ver√£o, os panos levantados;
ter√°s no espelho a idade, o jeito quase
infeliz de ser homem;

o pouco amor te imita; e nunca
chegar√°s a saber que n√£o existes.

√öltimo Porto

Este o país ideal que em sonhos douro;
Aqui o estro das aves me arrebata,
E em flores, cachos e fest√Ķes, desata
A Natureza o virginal tesouro;

Aqui, perpétuo dia ardente e louro
Fulgura; e, na torrente e na cascata,
A √°gua alardeia toda a sua prata,
E os laranjais e o sol todo o seu ouro…

Aqui, de rosas e de luz tecida,
Leve mortalha envolva estes destroços
Do extinto amor, que inda me pesam tanto;

E a terra, a m√£e comum, no fim da vida,
Para a nudeza me cobrir dos ossos,
Rasgue alguns palmos do seu verde manto.

O Amor no Ch√£o

O vento da outra noite derrubou o Amor
Que, no mais misterioso recanto do parque,
Nos sorria, ao esticar malignamente o arco,
E cujo ar nos fez meditar com fervor!

O vento da outra noite derrubou-o! O m√°rmore
com o sopro da manh√£, disperso, gira. √Č triste
Olhar o pedestal, onde o nome do artista
Se lê com muito esforço à sombra de uma árvore,

√Č triste ver em p√©, sozinho, o pedestal!
Melancólicos vêm e vão pensamentos
No meu sonho, onde o mais profundo sofrimento
Evoca um solit√°rio futuro fatal.

√Č triste! ‚ÄĒ E mesmo tu, n√£o √©? ficas tocada
Plo cen√°rio dolente, embora te divirtas
Com a borboleta rubra e de oiro, que se agita
Sobre a alameda, além, de destroços juncada.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

A Crença só se Mantém pela Ritualização

Uma verdade racional √© impessoal e os factos que a sustentam ficam estabelecidos para sempre. Sendo, ao contr√°rio, pessoais e baseadas em concep√ß√Ķes sentimentais ou m√≠sticas, as cren√ßas s√£o submetidas a todos os factores suscept√≠veis de impressionar a sensibilidade. Deveriam, portanto, ao que parece, modificar-se incessantemente.
As suas partes essenciais mantêm-se, contudo, mas cumpre que sejam constantemente alentadas. Qualquer que seja a sua força no momento do seu triunfo, uma crença que não é continuamente defendida logo se desagrega. A história está repleta de destroços de crenças que, por essa razão, tiveram apenas uma existência efémera. A codificação das crenças em dogmas constitui um elemento de duração que não poderia bastar. A escrita unicamente modera a acção destruidora do tempo.
Uma cren√ßa qualquer, religiosa, pol√≠tica, moral ou social mant√©m-se sobretudo pelo cont√°gio mental e por sugest√Ķes repetidas. Imagens, est√°tuas, rel√≠quias, peregrina√ß√Ķes, cerim√īnias, cantos, m√ļsica, pr√©dicas, etc., s√£o os elementos necess√°rios desse cont√°gio e dessas sugest√Ķes.
Confinado num deserto, privado de qualquer símbolo, o crente mais convicto veria rapidamente a sua fé declinar. Se, entretanto, anacoretas e missionários a conservam, é porque incessantemente relêem os seus livros religiosos e, sobretudo, se sujeitam a uma multidão de ritos e de preces.

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A Face Oculta dos Progressos Técnicos

Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.
O choque mais violento vai dar-se exactamente, como era natural, nos países em que existir uma liberdade maior; nos outros, as formas autoritárias de regime de certo modo poderão canalizar mais facilmente a Humanidade para a utilização desse ócio; sucederá, porém, o seguinte: nos países não-livres, porque nenhum há livre,

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A Cegueira da Governação

Pr√≠ncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ru√≠na dos vossos Reinos, vedes as afli√ß√Ķes e mis√©rias dos vossos vassalos, vedes as viol√™ncias, vedes as opress√Ķes, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assola√ß√£o de tudo? Ou o vedes ou o n√£o vedes. Se o vedes como o n√£o remediais? E se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pr√≠ncipes, Eclesi√°sticos, grandes, maiores, supremos, e v√≥s, √≥ Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destro√ßos da F√©, vedes o descaimento da Religi√£o, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados p√ļblicos, vedes os esc√Ęndalos, vedes as simonias, vedes os sacril√©gios, vedes a falta da doutrina s√£, vedes a condena√ß√£o e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou n√£o o vedes. Se o vedes, como n√£o o remediais, e se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da Rep√ļblica, da Justi√ßa, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obriga√ß√Ķes que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consci√™ncias,

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A Vida é um Contrato de Risco

Basta estar vivo para correr riscos. Risco de fracassar, ser rejeitado, frustrar-se consigo mesmo, decepcionar-se com os outros, ser incompreendido, ofendido, reprovado, adoecer. Não devemos correr riscos irresponsáveis, mas também não devemos temer andar por terrenos desconhecidos, respirar ares nunca antes aspirados.

Viver √© uma grande aventura. Quem ficar preso num casulo com medo dos acidentes da vida, al√©m de n√£o os eliminar, ser√° sempre frustrado. Quem n√£o tem aud√°cia e disciplina pode alimentar grandes sonhos, mas eles ser√£o enterrados nos solos da sua timidez e nos destro√ßos das suas preocupa√ß√Ķes. Estar√° sempre em desvantagem competitiva.

Hino à Morte

Tenho às vezes sentido o chocar dos teus ossos
E o vento da tua asa os meus lábios roçar;
Mas da tua presença o rasto de destroços
Nunca de susto fez meu coração parar.

Nunca, espanto ou receio, ao meu √Ęnimo trouxe
Esse aspecto de horror com que tudo apavoras,
Nas tuas m√£os erguendo a inexor√°vel Fouce
E a ampulheta em que vais pulverizando as horas.

Sei que andas, como sombra, a seguir os meus
[passos,
Tão próxima de mim que te respiro o alento,
‚ÄĒ Prestes como uma noiva a estreitar-me em teus
[braços,
E a arrastar-me contigo ao teu leito sangrento…

Que importa? Do teu seio a noite que amedronta,
Para mim não é mais que o refluxo da Vida,
Noite da noite, donde esplêndida desponta
A aurora espiritual da Terra Prometida.

A Alma volta à Luz; sai desse hiato de sombra,
Como o insecto da larva. A Morte que me aterra,
Essa que tanta vez o meu √Ęnimo assombra,
Não és tu, com a paz do teu oásis te terra!

Quantas vezes,

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A Felicidade na Perseverança

Meu bem-amado Luc√≠lio, conjuro-te a tomar o √ļnico partido que pode garantir a felicidade. Dispersa e pisoteia os esplendores de fora, as suas promessas, os seus lucros; volta o olhar para o vero bem; s√™ feliz merc√™ do teu pr√≥prio cabedal. Qual √© esse cabedal? Tu mesmo, e a melhor parte de ti. Este pobre corpo esfor√ßa-se por ser nosso colaborador indispens√°vel; considera-o antes um objecto necess√°rio do que importante. Ele procura os prazeres v√£os, breves, seguidos de descontentamento e destinados, se uma grande modera√ß√£o n√£o os tempera, a passarem para o estado oposto. Sim, sim, o prazer est√° √† beira de um declive: inclina-se para o sofrimento quando deixa de observar o justo limite. Ora, observar tal limite √© dif√≠cil em rela√ß√£o √†quilo que se acreditou fosse um bem. O √°vido desejo do verdadeiro bem n√£o oferece risco algum.
Em que consiste o verdadeiro bem Рquereis saber Рe qual é a fonte de onde emana?

Eu to direi: √© a boa consci√™ncia, as inten√ß√Ķes virtuosas, as rectas ac√ß√Ķes, o desprezo pelos eventos fortuitos, o desenvolvimento tranquilo e regular de uma exist√™ncia que anda por um s√≥ caminho. Quanto a esses homens que v√£o de desejo em desejo,

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