Cita√ß√Ķes sobre Gemas

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Frases sobre gemas, poemas sobre gemas e outras cita√ß√Ķes sobre gemas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto De Luz E Treva

Ela tem uma graça de pantera
no andar bem comportado de menina
no molejo em que vem sempre se espera
que de repente ela lhe salte em cima

Mas s√ļbito renega a bela e a fera
prendeo cabelo, vai para a cozinha
e de um ovo estrelado na panela
ela com clara e gema faz o dia

Ela é de Capricórnio, eu sou de Libra
eu sou o Oxalá velho, ela é Inhansã
a mim me enerva o ardor com que ela vibra

E que a motiva desde de manh√£.
— Como √© que pode, digo-me com espanto
a luz e a treva se quererem tanto…

Ergue, Criança, A Fronte Condorina

Ergue, criança, a fronte condorina
Que é tua fronte, oh!, genial criança,
√Č como a estrela-d’alva da esperan√ßa,
Do talento sagrado que a ilumina!

Ergue-a, pois, e que, à auréola purpurina
Do Sol da Ci√™ncia, o r√ļtilo tesouro
Do Estudo – o Grande Mestre – que te ensina,
Chova sobre ela suas gemas d’ouro!

E hoje que colhes um laurel bendito,
Aceita a saudação que num contrito
Fervor, eleva, qual penhor sincero

Um peito amigo a outro peito amigo,
A um gênio que desponta e que eu bendigo,
A um coração de irmão que tanto quero!

Carta a Manoel

Manoel, tens raz√£o. Venho tarde. Desculpa.
Mas n√£o foi Anto, n√£o fui eu quem teve a culpa,
Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,
A cuja influencia a minha alma n√£o reziste,
Queres noticias? Queres que os meus nervos fallem?
V√°! dize aos choupos do Mondego que se callem…
E pede ao vento que n√£o uive e gema tanto:
Que, emfim, se soffre abafe as torturas em pranto,
Mas que me deixe em paz! Ah tu n√£o imaginas
Quanto isto me faz mal! Peor que as sabbatinas
Dos ursos na aula, peor que beatas correrias
De velhas magras, galopando Ave-Marias,
Peor que um diamante a riscar na vidraça!
Peor eu sei lá, Manoel, peor que uma desgraça!
Hysterisa-me o vento, absorve-me a alma toda,
Tal a menina pelas vesperas da boda,
Atarefada mail-a ama, a arrumar…
O vento afoga o meu espirito n’um mar
Verde, azul, branco, negro, cujos vagalh√Ķes
S√£o todos feitos de luar, recorda√ß√Ķes.
√Ā noite, quando estou, aqui, na minha toca,
O grande evocador do vento evoca, evoca
Nosso ver√£o magnifico, este anno passado,
(E a um canto bate,

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Guerra Junqueiro

Quando ele do Universo o largo suped√Ęneo
Galgou como os clar√Ķes — quebrando o que n√£o serve,
Fazendo que explodissem os astros de seu cr√Ęnio,
As gemas da raz√£o e os m√ļsculos da verve;

Quando ele esfuziou nos p√°ramos as trompas,
As trompas marciais — as liras do estupendo,
Pejadas de prodígios, assombros e de pompas,
Crescendo em propor√ß√Ķes, crescendo e recrescendo;

Quando ele retesou os nervos e as artérias
Do verso orbicular — rasgando das mis√©rias
O ventre do Ideal na forte hematemese.

Clamando — √© minha a luz, que o s√©culo propague-a,
Quando ele avassalou os píncaros da águia
E o sol do Equador vibrou-lhe aquelas teses!

Para chorar √© necess√°rio ver. A mais pequenina dor que diante de n√≥s se produza e diante de n√≥s gema, p√Ķe na nossa alma uma comisera√ß√£o e na nossa carne um arrepio, que lhe n√£o dariam as mais pavorosas cat√°strofes passadas longe, noutro tempo ou sob outros c√©us.

Poeira (Para José Felix)

Do pó ao pólen posta-se o poema
na penumbra do parto antecipado.
Abre-se uma janela sem algema
presa somente do seu próprio fado.

Areia e barro, sol com sua gema,
a gala clara do ovo, visgo dado
ao solo só de vértebras, seu tema
variado na avena: ch√£o arado.

O tropo, o trapo, as vestes: eis aí
a massa que caldeia essa bigorna
ensolando alim√°rias ao se de si.

Nada é constante e tudo se transforma.
Eppur si muove em √°nima no giz
escrito no vaivém se vai e torna.

Regresso ao Lar

Ai, h√° quantos anos que eu parti chorando
deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi h√° vinte?… H√° trinta?… Nem eu sei j√° quando!…
Minha velha ama, que me est√°s fitando,
canta-me cantigas para me eu lembrar!…

Dei a volta ao mundo, dei a volta √† vida…
S√≥ achei enganos, decep√ß√Ķes, pesar…
Oh, a ing√©nua alma t√£o desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida.
canta-me cantigas de me adormentar!…

Trago de amargura o cora√ß√£o desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu sa√≠ra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama, que me deste o peito,
canta-me cantigas para me embalar!…

P√īs-me Deus outrora no frouxel do ninho
pedrarias de astros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, v√™, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!…

Como antigamente, no regaço amado
(Venho morto, morto!…), deixa-me deitar!
Ai o teu menino como est√° mudado!
Minha velha ama, como est√° mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…

Canta-me cantigas manso, muito manso…
tristes, muito tristes, como √† noite o mar…

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A Palavra Destino

Deixai vir a mim
a palavra destino.

Manhã de surpresas, lascívia e gema.
Acasos felizes, deslizes.
Ovo dentro da ave dentro do ovo.
Palavra folha e flor.

Deixai vir a mim palavra
e seus versos, reversos:
metamorfose,
metaformosa.

Deixai vir a mim
a palavra p√£o-de-consolo.
Livre de ataduras, esparadrapos,
choques elétricos
e sutis guardanapos em seco engolidos socos.

Deixai vir a mim
a palavra intumescida pelo desejo
a palavra em alvoroço sutil, ardil
e ave na folhagem da memória.
A palavra estremecida entre a palavra.
A palavra entre o som
mas entre o silêncio do som.

Deixai vir a mim
a palavra entre homem e homem.
E a palavra entre o homem
e seu coração posto à prova
na liberdade da palavra coração.

Deixai vir a mim
a palavra destino.

A Sesta De Nero

Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,
O palácio imperial de pórfiro luzente
E m√°rmor da Lac√īnia. O teto caprichoso
Mostra, em prata incrustado, o n√°car do Oriente.

Nero no toro eb√ļrneo estende-se indolente…
Gemas em profus√£o do estr√°gulo custoso
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente,
Da p√ļrpura da Tr√°cia o brilho esplendoroso.

Formosa ancila canta. A aurilavrada lira
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Arde a mirra da Ar√°bia em recendente pira.

Formas quebram, dançando, escravas em coréia.
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nos alvos seios nus da l√ļbrica Pop√©ia.

O Assinalado

Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas etrenas, pouco a pouco…

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a aud√°cia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

O Anel de Corina

Enquanto espera a hora combinada
De o remeter com flores a Corina,
Ov√≠dio osc√ļla o anel que lhe destina
E em que uma gema fulge bem gravada.

‚ÄĒ ¬ę Como eu te invejo, √≥ prenda afortunada !
¬ę Com ela vais dormir, mimosa e fina,
¬ę Com ela has-de banhar-te na piscina
¬ę Donde sair√°, qual Venus, orvalhada,

¬ę O dorso e o seio lhe ver√°s de rosas,
¬ę E selar√°s as cartas deliciosas
¬ę Com que em minh’alma alento e esp’ran√ßa verte…

¬ę E temendo (suprema f’licidade!)
¬ę Que a cera adira √° pedra, ai! ent√£o ha-de
¬ę Com a ponta da l√≠ngua humedecer-te! ¬Ľ

Acordar na Rua do Mundo

madrugada, passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal j√° lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas, ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu, estragou-se o alarme
da joalharia, os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam

o azul dos azulejos, assoma à janela
quem acordou. o alarme n√£o p√°ra o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
n√£o gravou

e duma varanda um pingo cai
de um vaso salpicando o fato do banc√°rio

Inverno

Amanheceu – no topo da colina
Um céu de madrepérola se arqueia
Limpo, lavado, reluzindo – ondeia
O perfume da selva esmeraldina.

Uma luz virginal e cristalina,
Como de um rio a transbordante cheia,
Alaga as terras culturais e arreia
De pingos d’ouro os verdes da campina.

Um sol pag√£o, de um louro gema d’ovo,
J√° t√£o antigo e quase sempre novo
Surge na frígida estação do inverno.

– Chilreiam muito em √°rvores frondosas
P√°ssaros – fulge o orvalho pelas rosas
Como o vigor no espírito moderno.