Cita√ß√Ķes sobre Gr√°vidas

10 resultados
Frases sobre gr√°vidas, poemas sobre gr√°vidas e outras cita√ß√Ķes sobre gr√°vidas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Novo Conhecimento

Quando fazemos amor com uma nova mulher, vimo-nos por causa da paix√£o. Quando fazemos amor com uma esposa, vimo-nos por causa da fric√ß√£o. A paix√£o √© lux√ļria idolatrada pelo fr√©mito. O fr√©mito no casamento √© reduzido a cinzas, e o que resta √© uma lux√ļria insignificante, uma contribui√ß√£o inevit√°vel √† fisiologia.
S√≥ depois do meu casamento √© que eu percebi at√© que ponto a paix√£o √© espiritual. A alma perde o fr√©mito, que s√≥ se obt√©m atrav√©s da novidade. Lutar pela novidade √© o mesmo que lutar pelo conhecimento, acerca do qual Deus nos advertiu. Se o conhecimento √© pecaminoso, ent√£o tudo o que √© novo √© pecaminoso. √Č por isso que a for√ßa dos la√ßos familiares se baseia na tradi√ß√£o e no costume antigo. A intrus√£o da novidade, do novo conhecimento no casamento, s√≥ o destr√≥i. Cada adult√©rio √© uma renova√ß√£o do pecado do conhecimento.
No casamento, a espiritualidade do frémito pela nossa mulher não desaparece, transforma-se em filhos, transforma-se na alma da criança. Talvez seja por isso que a Igreja Católica, embora ciente de que o frémito desaparece no casamento, considera a cópula pecaminosa se não tiver o objecitvo de engravidar. Esta proibição prolonga a vida da paixão,

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Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
est√° guardado um dedo da tua m√£o direita num relic√°rio.
Palavra de honra que est√°!
As voltas que o mundo d√°!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calend√°rio.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milh√Ķes de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar ‚Äď que disparate, Galileo!
‚Äď e jurava a p√©s juntos e apostava a cabe√ßa
sem a menor hesita√ß√£o ‚Äď
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados s√£o.

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Soneto, às Cinco Horas da Tarde

Agora que me instigo e me arremesso
ao branco ofício de prender meu sono
e depois atir√°-lo em seu vestido
feito de céu e restos de incerteza,

recolho inutilmente de seus l√°bios
a precisão do sangue do silêncio
e inauguro uma tarde em suas m√£os
gr√°vidas de gestos e de rumos.

Pelo temor e o débil sobressalto
de encontrar sua ausência numa esquina
quando extingui canção e permanência,

guardei todo o impossível de seus olhos,
embora ouvisse, longe, além dos mapas,
bruscos mastins de cedro em seus cabelos.

Estes Homens

estes homens
abrem as portas
do sol nascente

conhecem os íntimos latejos
da cal as soltas √°guas
os fermentos as uvas
os cílios discretos do pão

amam as urzes e as fontes
o suor dos fenos
a febre moira de um corpo
de mulher

estes homens
partem a pedra
com martelos de solid√£o
(os olhos abismados
nos goivos
da lonjura)

erguem as paredes
as janelas crepusculares
as asfaimadas antenas das cidades:
céu de cimento; baba remota
do cansaço

estes homens
tamisam cores: viajam nos navios
pescam no cisco das pérolas
do vidro
s√£o garimpeiros
de uma esponja
de coral

moldam nas forjas
as sílabas secretas
do ferro
afeiçoam os seixos e o linho
o bafo marítimo
das palavras

estes homens
dizem casa com dezembro
nas veias
ternura com a sede de uma seara
gr√°vida
assobiam comovidos contra as sombras
trazem na algibeira
o trevo rugoso das cantigas

estes homens:
guardadores de cabras
e de m√°goas
de espantos e revoltas
servos emigrantes
contrabandistas
soldados andarilhos do mar
carabineiros da m√° sorte
trepadores das sete colinas
oper√°rios
azeitoneiros
ratinhos
levantam por maio
os cantis do lume: voz de musgo
concha entreaberta
estes homens
(p√°tria viva;

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Mais do que Amor

O amor veio afirmar todas as coisas velhas de cuja exist√™ncia apenas sabia sem nunca ter aceito e sentido. O mundo rodava sob seus p√©s, havia dois sexos entre os humanos, um tra√ßo ligava a fome √† saciedade, o amor dos animais, as √°guas das chuvas encaminhavam-se para o mar, crian√ßas eram seres a crescer, na terra o broto se tornaria planta. N√£o poderia mais negar… o qu√™? ‚ÄĒ perguntava-se suspensa. O centro luminoso das coisas, a afirma√ß√£o dormindo em baixo de tudo, a harmonia existente sob o que n√£o entendia.

Erguia-se para uma nova manh√£, docemente viva. E sua felicidade era pura como o reflexo do sol na √°gua. Cada acontecimento vibrava em seu corpo como pequenas agulhas de cristal que se espeda√ßassem. Depois dos momentos curtos e profundos vivia com serenidade durante largo tempo, compreendendo, recebendo, resignando-se a tudo. Parecia-lhe fazer parte do verdadeiro mundo e estranhamente ter-se distanciado dos homens. Apesar de que nesse per√≠odo conseguia estender-lhes a m√£o com uma fraternidade de que eles sentiam a fonte viva. Falavam-lhe das pr√≥prias dores e ela, embora n√£o ouvisse, n√£o pensasse, n√£o falasse, tinha um olhar bom ‚ÄĒ brilhante e misterioso como o de uma mulher gr√°vida.

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Dificuldade de Governar

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler n√£o fosse t√£o inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar gr√°vida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autoriza√ß√£o do F√ľhrer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma f√°brica. Sem o patr√£o
As paredes cairiam e as m√°quinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o propriet√°rio rural?
N√£o h√° d√ļvida nenhuma que se semearia centeio onde j√° havia batatas.

3.
Se governar fosse f√°cil
N√£o havia necessidade de esp√≠ritos t√£o esclarecidos como o do F√ľhrer.

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Amei Demais

Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais
todas as coisas que na vida eu emprenhei.
Vejo-as agora gr√°vidas. Redondas. Coisas tais,
como as tais coisas nas quais nunca pensei.

Demais foram as sombras. Mais e mais.
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei
do imenso mar de sol, sem praia ou cais,
de onde parti sem saber por que embarquei.

Amei demais. Sempre demais. E o que dei
está espalhado pelos sítios onde vais
e pelos anos longos, longos, que passei

à procura de ti. De mim. De ninguém mais.
E os milhares de versos que rasguei
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.

Contra o Abuso das Crianças

Estejam sempre vigilantes, pe√ßam responsabilidades aos governos, lutem pela paz e pela justi√ßa. N√£o descansem nem um momento, pois n√£o h√° circunst√Ęncia alguma em que a neglig√™ncia ou o abuso de crian√ßas possa ser tolerado. (…) Neste mundo de tamanha abund√Ęncia, podemos certamente encontrar os meios para assegurar que nenhuma crian√ßa passe fome, nenhuma gr√°vida esteja demasiado fraca para sobreviver ao parto e que cada uma dos quase seis milh√Ķes de crian√ßas que dever√£o morrer no pr√≥ximo ano por malnutri√ß√£o seja salva.