Passagens sobre Guerra

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Frases sobre guerra, poemas sobre guerra e outras passagens sobre guerra para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Milagre De Guaxenduba

Minha Terra natal, em Guaxenduba;
Na trincheira, em que o luso ainda trabalha,
A artilharia, que ao francês derruba,
Por três bocas letais pragueja e ralha.

O leão de França, arregaçando a juba,
Saltou. E o luso, como um tigre, o atalha.
Troveja a boca do arcabuz, e a tuba
Do índio corta o clamor e o medo espalha.

Foi ent√£o que se viu, sagrando a guerra,
Nossa Senhora, com o Menino ao colo,
Surgir lutando pela minha terra.

Foi-lhe vista na m√£o a espada em brilho…
(P√°tria, se a Virgem quis assim teu solo,
Que por ti n√£o far√° quem for teu filho?)

O que Poder√° Ver quem j√° da Vista Cegou?

Ante Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n’√°gua salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que n√£o cuidarom.

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele t√£o mal merecia.
Sendo de pouca idade,
n√£o se ver tanto sentiam
que o dia que n√£o se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

Algumas horas falavam,
andando o gado pascendo;
e ent√£o se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
pequena e, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que lhe Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado;

Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana,

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Clamor Supremo

Vem comigo por estas cordilheiras!
P√Ķe teu manto e bord√£o e vem comigo,
Atravessa as montanhas sobranceiras
E nada temas do mortal Perigo!

Sigamos para as guerras condoreiras!
Vem, resoluto, que eu irei contigo
Dentre as √Āguias e as chamas feiticeiras,
Só tendo a Natureza por abrigo.

Rasga florestas, bebe o sangue todo
Da Terra e transfigura em astros lodo,
O próprio lodo torna mais fecundo.

Basta trazer um coração perfeito,
Alma de eleito, Sentimento eleito
Para abalar de lado a lado o mundo!

O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

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As Facas

Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.

O Problema do Pacifismo

Regozijo-me por me haverem dado a oportunidade de proferir algumas palavras sobre o problema do pacifismo. A evolu√ß√£o dos √ļltimos anos mostrou novamente que n√£o √© eficaz deixar a luta contra o armamento e contra o esp√≠rito b√©lico nas m√£os dos governantes. Mas a forma√ß√£o de grandes organiza√ß√Ķes com muitos membros tamb√©m n√£o basta, por si s√≥, para atingirmos essa finalidade. A meu ver o meio mais eficaz √© o que j√° o sarc√°stico Arist√≥fanes, h√° quase tr√™s mil anos preconizava na sua famosa com√©dia sat√≠rica ¬ęLisistrata¬Ľ.
Poderíamos assim conseguir que o problema do pacifismo se tornasse uma questão vital da Humanidade, um verdadeiro combate a que seriam atraídos todos os homens de boa-vontade e personalidade vigorosa. A luta seria árdua, por ter de se travar no campo da ilegalidade, mas no fundo seria legítima, por se travar em nome do verdadeiro direito dos homens, contra dirigentes que, por interesses muitas vezes odiosos, exigem dos seus concidadãos um sacrifício de vida que redunda também num acto criminal por atentar contra um dos mandamentos da Lei de Deus.
Muitos que se consideram bons pacifistas não estarão dispostos a tomar parte num pacifismo tão radical, invocando motivos patrióticos. Com esses não se poderá contar na hora crítica.

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Cremos que a guerra é um mal, mesmo quando é uma necessidade, mas sabemos que há para os povos outros males maiores, porque os há que excedem a morte e a miséria Рsão a sua desonra e aniquilamento.

Ningu√©m, com toda certeza, √© capaz de assumir a lideran√ßa em todos os campos, pois para um homem os deuses concederam as proezas da guerra, a outro, a dan√ßa, para um outro, a m√ļsica e o canto, e, num outro, o todo poderoso Zeus colocou uma boa cabe√ßa.

Quando se defrontam dois exércitos de força equivalente, aquele que sofre por sustentar a guerra alcançará a vitória.

Reflex√Ķes sobre a Guerra

As vantagens do aumento da amplitude das unidades sociais s√£o principalmente evidentes em caso de guerra. De resto, a guerra foi em todos os tempos a causa principal desse crescimento, da transforma√ß√£o das fam√≠lias em tribos, das tribos em na√ß√Ķes e das na√ß√Ķes em coliga√ß√Ķes. Nas muito embora seja grande o interesse das na√ß√Ķes poderosas em triunfar, algumas come√ßam a compreender que h√° qualquer coisa prefer√≠vel √† pr√≥pria vit√≥ria, que √© evitar a guerra. No passado, a guerra era √†s vezes uma empresa proveitosa. A Guerra dos Sete Anos, por exemplo, proporcionou aos ingleses excelente rendimento em rela√ß√£o ao capital nela empregado, e os lucros conseguidos pelos vencedores nas guerras primitivas foram ainda mais evidentes. Mas o mesmo n√£o sucede nos conflitos modernos, por duas raz√Ķes principais: primeiro, porque os armamentos se tornaram extremamente caros; segundo, porque os grupos sociais envolvidos numa guerra moderna s√£o muito importantes.
√Č um erro pensar que a guerra moderna √© mais destruidora de vidas do que o foram os conflitos menos importantes de outrora. Antigamente, a percentagem das perdas em rela√ß√£o aos efectivos envolvidos na luta era por vezes t√£o elevada como hoje; e al√©m das perdas em combate, as mortes causadas pelas epidemias eram em geral numerosas.

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Clamando

Bárbaros vãos, dementes e terríveis
Bonzos tremendos de ferrenho aspeto,
Ah! deste ser todo o clar√£o secreto
Jamais p√īde inflamar-vos, Impass√≠veis!

Tantas guerras bizarras e incoercíveis
No tempo e tanto, tanto imenso afeto,
São para vós menos que um verme e inseto
Na corrente vital pouco sensíveis.

No entanto nessas guerras mais bizarras
De sol, clarins e r√ļtilas fanfarras,
Nessas radiantes e profundas guerras…

As minhas carnes se dilaceraram
E v√£o, das Ilus√Ķes que flamejaram,
Com o pr√≥prio sangue fecundando as terras…

A Acção Vai Bem sem a Paixão

Fazemos coisas iguais com for√ßas diversas e diferente esfor√ßo de vontade. A ac√ß√£o vai bem sem a paix√£o. Pois quantas pessoas se arriscam diariamente em guerras que n√£o lhes importam, e se sujeitam aos perigos de batalhas cuja perda n√£o lhes perturbar√° o pr√≥ximo sono? Um homem na sua casa, longe desse perigo que n√£o teria ousado encarar, est√° mais interessado no desfecho dessa guerra e tem a alma mais inquieta do que o soldado que p√Ķe nela o seu sangue e a sua vida. Essa impetuosidade e viol√™ncia de desejo mais atrapalha do que auxilia a condu√ß√£o do que empreendemos, enche-nos de acrim√≥nia e suspei√ß√£o contra aqueles com quem tratamos. Nunca conduzimos bem a coisa pela qual somos possu√≠dos e conduzidos.
Quem emprega nisso apenas o seu discernimento e a sua habilidade procede com mais vivacidade: amolda, dobra, difere tudo √† vontade, de acordo com as exig√™ncias das circunst√Ęncias; erra o alvo sem tormento e sem afli√ß√£o, pronto e intacto para uma nova iniciativa; avan√ßa sempre com as r√©deas na m√£o. Naquele que est√° embriagado por essa intensidade violenta e tir√Ęnica vemos necessariamente muita imprud√™ncia e injusti√ßa; a impetuosidade do seu desejo arrebata-o: s√£o movimentos temer√°rios e, se a fortuna n√£o ajudar muito,

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O Medo Da Nossa Condição Humana

Quando me ponho √†s vezes a considerar as diversas agita√ß√Ķes dos homens, e os perigos e trabalhos a que eles se exp√Ķem, na corte, na guerra, donde nascem tantas querelas, paix√Ķes, cometimentos ousados e muitas vezes nocivos, etc., descubro que toda a mis√©ria dos homens vem duma s√≥ coisa, que √© n√£o saberem permanecer em repouso, num quarto. Um homem que tenha o bastante para viver, se fosse capaz de ficar em sua casa com prazer n√£o sairia para ir viajar por mar ou p√īr cerco a uma pra√ßa-forte. Ningu√©m compraria t√£o caro um posto no ex√©rcito se n√£o achasse insuport√°vel deixar-se estar quieto na cidade; e quem procura a conviv√™ncia e a divers√£o dos jogos √© porque √© incapaz de ficar, em casa, com prazer.
Mas quando pensei melhor, e que, depois de ter encontrado a causa de todos os nossos males, quis descobrir a razão desta, achei que há uma bem efectiva, que consiste na natural infelicidade da nossa condição frágil e mortal, e tão miserável que nada nos pode consolar quando nela pensamos a fundo.