Passagens sobre Guerra

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Frases sobre guerra, poemas sobre guerra e outras passagens sobre guerra para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Caminho Da Glória

Este caminho é cor de rosa e é de ouro,
Estranhos roseirais nele florescem,
Folhas augustas, nobres reverdecem
De acanto, mirto e sempiterno louro.

Neste caminho encontra-se o tesouro
Pelo qual tantas almas estremecem;
√Č por aqui que tantas almas descem
Ao divino e fremente sorvedouro.

√Č por aqui que passam meditando,
Que cruzam, descem, trêmulos, sonhando,
Neste celeste, límpido caminh

Os seres virginais que vêm da Terra,
Ensang√ľentados da tremenda guerra,
Embebedados do sinistro vinho.

O Fim Justifica o Meio

Os meios virtuosos e bonacheir√Ķes n√£o levam a nada. √Č preciso utilizar alavancas mais en√©rgicas e mais s√°bios enredos. Antes de te tornares c√©lebre pela virtude e de atingires o teu objectivo, haver√° cem que ter√£o tempo de fazer piruetas por cima das tuas costas e de chegar ao fim da corrida antes de ti, de tal modo que deixar√° de haver lugar para as tuas ideias estreitas. √Č preciso saber abarcar com mais amplitude o horizonte do tempo presente.
Nunca ouviste falar, por exemplo, da gl√≥ria imensa que as vit√≥rias alcan√ßam? E, no entanto, as vit√≥rias n√£o surgem sozinhas. √Č preciso que o sangue corra, muito sangue, para serem geradas e depostas aos p√©s dos conquistadores. Sem os cad√°veres e os membros esparsos que v√™s na plan√≠cie onde se desenrolou sabiamente a carnificina, n√£o haver√° guerra, e sem guerra n√£o haver√° vit√≥ria. Est√£o a ver que, quando algu√©m se quer tornar c√©lebre, tem que mergulhar graciosamente em rios de sangue, alimentados com carne para canh√£o. O fim justifica o meio.

Grandeza Oculta

Estes v√£o para as guerras inclementes,
Os absurdos heróiis sanguinolentos,
Alvoroçados, tontos e sedentos
Do clamor e dos ecos estridentes.

Aqueles para os frívolos e ardentes
Prazeres de acres inebriamentos:
Vinhos, mulheres, arrebatamentos
De lux√ļrias carnais, impenitentes.

Mas Tu, que na alma a imensidade fechas,
Que abriste com teu Gênio fundas brechas
no mundo vil onde a maldade exulta,

√ď delicado esp√≠rito de Lendas!
Fica nas tuas Graças estupendas,
No sentimento da grandeza oculta!

A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura √© hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos s√£o muito perigosos, j√° que a nossa riqueza em mec√Ęnica contrasta com a pobreza de prop√≥sitos. O equil√≠brio de esp√≠rito que haur√≠amos outrora na f√© ardente, j√° se foi: depois que a ci√™ncia destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da ca√≥tica fragmenta√ß√£o do nosso car√°cter.

Novamente somos defrontados pelo problema atormentador de S√≥crates: como encontrar uma √©tica natural que substitua as san√ß√Ķes sobrenaturais j√° sem influ√™ncia sobre a conduta do homem? Sem filosofia, sem esta vis√£o de conjunto que unifica os prop√≥sitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa heran√ßa social em corrup√ß√£o c√≠nica de um lado e em loucuras revolucion√°rias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pac√≠fico para mergulharmos nos suic√≠dos em massa da guerra; vemos surgir cem mil pol√≠ticos e nem um s√≥ estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcan√ßadas mas n√£o sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcan√ßaremos qualquer esp√©cie de felicidade.
Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos d√£o. A √ļnica salva√ß√£o est√° na sabedoria.

O amor √© o mais parecido com uma guerra, e √© a √ļnica guerra em que √© indiferente vencer ou ser vencido, porque sempre se ganha.

A Import√Ęncia da Arte

A arte √©, provavelmente, uma experi√™ncia in√ļtil; como a ¬ępaix√£o in√ļtil¬Ľ em que cristaliza o homem. Mas in√ļtil apenas como trag√©dia de que a humanidade beneficie; porque a arte √© a menos tr√°gica das ocupa√ß√Ķes, porque isso n√£o envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de m√ļsica, fazia-se um deserto extraordin√°rio. Acreditem que os teares paravam, tamb√©m, e as f√°bricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte √©, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e h√° decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam √† experi√™ncia in√ļtil que √© a arte, pessoas como Virg√≠lio, por exemplo, e que sabem que o seu sil√™ncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e s√≥ ficasse no ar o ru√≠do dos motores, porque at√© o vento se calava no fundo dos vales, penso que at√© as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vit√≥ria, com a mansid√£o das coisas est√©reis. O la√ßo da fic√ß√£o, que gera a expectativa, √© mais forte do que todas as realidades acumul√°veis. Se ele se quebra, o equil√≠brio entre os seres sofre grave preju√≠zo.

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A liberdade não é uma mera ausência de aprisionamento, tal como se diz que a paz não é uma mera ausência de guerra.

Um √önico Poema

Quando olho para esse livro (¬ęPoesia Toda¬Ľ), vejo que n√£o fabriquei ou instru√≠ ou afei√ßoei objectos ‚ÄĒ estas palavras n√£o sup√Ķem o mesmo modo de fazer‚ÄĒ, vejo que escrevi apenas um poema, um poema em poemas; durante a vida inteira brandi em todas as direc√ß√Ķes o mesmo aparelho, a mesma arma furiosa. Fui um inocente, porque s√≥ se consegue isso com inoc√™ncia. E se a inoc√™ncia √© uma condi√ß√£o insubstitu√≠vel de esc√Ęndalo, uma transparente e mobilizadora familiaridade com a terra, constitui tamb√©m um rev√©s: pois h√° uma altura em que se sabe: as coisas ludibriaram-nos, ludibri√°mo-nos nas coisas; a inoc√™ncia deveria ter-nos oferecido uma vida estupenda, um tumulto: o ar em torno proporcionado como pura levita√ß√£o; ver, tocar; os mais simples actos e factos pr√≥ximos como instant√Ęneo e completo conhecimento. Era assim, foi assim, mas a dor, as vozes demon√≠acas, o abismo junto √† dan√ßa, a noite que se vai insinuando a toda a altura e largura da luz, tudo Isso invade a inoc√™ncia ‚ÄĒ e ent√£o j√° n√£o sabemos nada, por exemplo: ser√° inocente a nossa inoc√™ncia? A inoc√™ncia √© um estado clandestino na ditadura do mundo; tem se der astuta, tem de recorrer a todas as torpezas para lutar e escapar,

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A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.

XCVIII

Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci! oh quem cuidara,
Que entre penhas t√£o duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigre por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que n√£o me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasi√£o minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

A Democracia Política Conduz à Ineficiência e Fraqueza de Direcção

Os defeitos da democracia pol√≠tica como sistema de governo s√£o t√£o √≥bvios, e t√™m sido tantas vezes catalogados, que n√£o preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia pol√≠tica foi criticada porque conduz √† inefici√™ncia e fraqueza de direc√ß√£o, porque permite aos homens menos desej√°veis obter o poder, porque fomenta a corrup√ß√£o. A inefici√™ncia e fraqueza da democracia pol√≠tica tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando √© preciso tomar e cumprir decis√Ķes rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milh√Ķes de eleitores em poucas horas √© uma impossibilidade f√≠sica. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decis√£o aos eleitores – em cujo caso todo o princ√≠pio da democracia pol√≠tica ter√° sido tratado com o desprezo que em circunst√Ęncias cr√≠ticas ela merece; ou ent√£o o povo √© consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequ√™ncias fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia pol√≠tica foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

Eu sou o meu pr√≥prio espelho. E vivo de achados e perdidos. √Č o que me salva. Estou metida numa guerra invis√≠vel entre perigos. Quem vence? Eu sempre perco.

A Minha Cidade Preferida

√Č o Porto. Tem umas caracter√≠sticas muito particulares, muito suas. Ou melhor, tinha. Est√£o agora a fazer for√ßa para tir√°-las, ao contr√°rio do que se faz l√° fora. Mesmo √†s cidades que foram arrasadas pela guerra, como Vars√≥via, na Pol√≥nia, que foi refeita tal qual era antes. O mesmo aconteceu em Berlim. Aqui destroem o que est√° feito para construir uma porcaria qualquer incaracter√≠stica, que n√£o representa coisa nenhuma. Por exemplo, o que querem fazer no mercado do Bolh√£o √© uma vergonha – querem meter l√° um supermercado, ou outra borra qualquer, que tira todo o car√°cter √† cidade e a modifica. Assim, as cidades confundem-se todas: a gente chega a uma cidade e j√° n√£o sabe onde est√°. √Č tudo igual em toda a parte.

Ah, a Moral!

Ah, a palavra ¬ęmoral¬Ľ! Sempre que aparece, penso nos crimes que foram cometidos em seu nome. As confus√Ķes que este termo engendrou abarcam quase toda a hist√≥ria das persegui√ß√Ķes movidas pelo homem ao seu semelhante. Para al√©m do facto de n√£o existir apenas uma moral, mas muitas, √© evidente que em todos os pa√≠ses, seja qual for a moral dominante, h√° uma moral para o tempo de paz e uma moral para a guerra. Em tempo de guerra tudo √© permitido, tudo √© perdoado. Ou seja, tudo o que de abomin√°vel e infame o lado vencedor praticou. Os vencidos, que servem sempre de bode expiat√≥rio, ¬ęn√£o t√™m moral¬Ľ.
Pensar-se-√° que, se realmente glorific√°ssemos a vida e n√£o a morte, se d√©ssemos valor √† cria√ß√£o e n√£o √† destrui√ß√£o, se acredit√°ssemos na fecundidade e n√£o na impot√™ncia, a tarefa suprema em que nos empenhar√≠amos seria a da elimina√ß√£o da guerra. Pensar-se-√° que, fartos de carnificina, os homens se voltariam contra os assassinos, ou seja, os homens que planeiam a guerra, os homens que decidem das modalidades da arte da guerra, os homens que dirigem a ind√ļstria de material de guerra, material que hoje se tornou indescrivelmente diab√≥lico. Digo ¬ęassassinos¬Ľ, porque em √ļltima an√°lise esses homens n√£o s√£o outra coisa.

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Vis√£o

Noiva de Satan√°s, Arte maldita,
Mago Fruto letal e proibido,
Son√Ęmbula do Al√©m, do Indefinido
Das profundas paix√Ķes, Dor infinita.

Astro sombrio, luz amarga e aflita,
Das Ilus√Ķes tant√°lico gemido,
Virgem da Noite, do luar dorido,
Com toda a tua Dor oh! sê bendita!

Seja bendito esse clar√£o eterno
De sol, de sangue, de veneno e inferno,
De guerra e amor e ocasos de saudade…

Sejam benditas, imortalizadas
As almas castamente amortalhadas
Na tua estranha e branca Majestade!

Uma guerra sempre avan√ßa a tecnologia Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria. Pra que exportar comida, se as armas d√£o mais lucros na exporta√ß√£o…

Como é Difícil Ser Natural

√Č curioso como √© dif√≠cil ser natural. Como a gente est√° sempre pronta a vestir a casaca das ideias, sem a humildade de se mostrar em camisa, na intimidade simples e humana da estupidez ou mesmo da indiferen√ßa. Fiz agora um grande esfor√ßo para dizer coisas brilhantes da guerra futura, da harmonia dos povos, da pr√≥xima crise. E, afinal de contas, era em camisa que eu devia continuar quando a visita chegou. No fundo, n√£o disse nada de novo, n√£o fiquei mais do que sou, n√£o mudei o curso da vida. Fui apenas rid√≠culo. Se n√£o aos olhos do interlocutor, que disse no fim que gostou muito de me ouvir, pelo menos aos meus, o que ainda √© mais penoso e mais tr√°gico.