Cita√ß√Ķes sobre Ilustra√ß√£o

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Frases sobre ilustra√ß√£o, poemas sobre ilustra√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre ilustra√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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O Esplendor

E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a imaginação concreta,
Letras e riscos irregulares abrindo para a maravilha.

O que de sonho jaz nas encaderna√ß√Ķes vetustas,
Nas assinaturas complicadas (ou t√£o simples e esguias) dos velhos livros.

(Tinta remota e desbotada aqui presente para além da morte,
O que de negado √† nossa vida quotidiana vem nas ilustra√ß√Ķes,
O que certas gravuras de an√ļncios sem querer anunciam.

Tudo quanto sugere, ou exprime o que n√£o exprime,
Tudo o que diz o que n√£o diz,
E a alma sonha, diferente e distraída.

√ď enigma vis√≠vel do tempo, o nada vivo em que estamos!

Vi Jesus Cristo Descer à Terra

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e √°rvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustra√ß√Ķes.
Nem sequer o deixavam ter pai e m√£e
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que n√£o era pai dele;
E o outro pai era uma pomba est√ļpida,

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A Armadilha do Imediato

Como guia das nossas pr√≥prias aspira√ß√Ķes n√£o devemos tomar imagens da fantasia, mas conceitos. Geralmente ocorrer o inverso. Na juventude, em especial, a meta da nossa felicidade fixa-se na forma de algumas imagens que se implantam na nossa mente, frequentemente pela vida inteira ou por metade dela, mas na realidade n√£o passam de fantasmas que zombam de n√≥s: pois, no momento em que as alcan√ßamos, desfazem-se no nada, e vemos que n√£o cumprem nada daquilo que prometem.
Enquadram-se aqui determinadas cenas da vida dom√©stica, citadina, campestre, imagens da casa, do ambiente, etc. Chaque fou a sa marotte [cada louco com sua mania]. √Č comum tamb√©m fazer parte disso a imagem da amada. √Č natural que seja assim: pois o que √© evidente, justamente por ser imediato, tamb√©m age sobre a nossa vontade de modo mais directo do que o conceito, o pensamento abstracto, que fornece somente o universal, n√£o o detalhe, e tem uma rela√ß√£o apenas indirecta com a vontade. Em contrapartida, o conceito mant√©m a palavra. √Č ele que deve sempre guiar-nos e orientar-nos, embora seja certo que sempre necessitar√° da ilustra√ß√£o e da par√°frase por meio de imagens.

Dactilografia

Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das m√°quinas de escrever.
Que n√°usea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!

Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustra√ß√Ķes, talvez, de qualquer livro de inf√Ęncia),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.

Outrora.

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das m√°quinas de escrever.

Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que √© a que sonhamos na inf√Ęncia,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que √© a pr√°tica, a √ļtil,
Aquela em que acabam por nos meter num caix√£o.

Na outra n√£o h√° caix√Ķes, nem mortes,
H√° s√≥ ilustra√ß√Ķes de inf√Ęncia:
Grandes livros coloridos, para ver mas n√£o ler;
Grandes p√°ginas de cores para recordar mais tarde.

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