Cita√ß√Ķes sobre Pedido

37 resultados
Frases sobre pedido, poemas sobre pedido e outras cita√ß√Ķes sobre pedido para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ama-me

Aos amantes é lícito a voz desvanecida.
Quando acordares, um s√≥ murm√ļrio sobre o teu ouvido:
Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,
Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vês
Que sobre o muro dos mortos a garganta do mundo
Ronda escurecida?

Não é tempo, senhora. Ave, moinho e vento
Num vórtice de sombra. Podes cantar de amor
Quando tudo anoitece? Antes lamenta
Essa teia de seda que a garganta tece.

Ama-me. Desvaneço e suplico. Aos amantes é lícito
Vertigens e pedidos. E é tão grande a minha fome
T√£o intenso meu canto, t√£o flamante meu preclaro tecido
Que o mundo inteiro, amor, h√° de cantar comigo.

O Valor do Tempo

Fico sempre surpreendido quando vejo algumas pessoas a exigir o tempo dos outros e a conseguir uma resposta t√£o servil. Ambos os lados t√™m em vista a raz√£o pela qual o tempo √© solicitado e nenhum encara o tempo em si – como se nada estivesse a ser pedido e nada a ser dado. Est√£o a esbanjar o mais precioso bem da vida, sendo enganados por ser uma coisa intang√≠vel, n√£o aberta √† inspec√ß√£o, e, portanto, considerada muito barata – de facto, quase sem qualquer valor. As pessoas ficam encantadas por aceitar pens√Ķes e favores, pelos quais empenham o seu labor, apoio ou servi√ßos. Mas ningu√©m percebe o valor do tempo; os homens usam-no descontraidamente como se nada custasse.
Mas se a morte ameaça estas mesmas pessoas, vê-las-ás a recorrer aos seus médicos; se estiverem com medo do castigo capital, vê-las-ás preparadas para gastarem tudo o que têm para se manterem vivas. Tão inconsistentes são nos seus sentimentos! Mas se cada um de nós pudesse ter um vislumbre dos seus anos futuros, como podemos fazer em relação aos anos passados, como ficariam alarmados os que só podem ver com alguns anos de antecedência e como seriam cuidadosos a utilizá-los!

Continue lendo…

Guerra & Paz

Pedidos sacrifícios, as imagens
Foram trazidas na maré, enxutas.
Treme a escada torpe, e o c√£o ladra –
S√£o os antepassados, fixos,
Na √°gua das janelas.
Que podemos fazer, o fumo
Entra nas casas é preciso
Uma porta que nos leve ao mar.

Ser Amado

Às vezes, é preciso conseguirmos o que não se consegue: parar de amar por um momento, para se ser amado por quem se ama.
Seria bom podermos parar para nos sentirmos amados sem ser de volta, na confusão de duas pessoas a amarem-se. Se não amássemos quem amássemos, talvez pudéssemos receber o amor dela e saber como era.
Mas n√£o √© prov√°vel. Se n√£o a am√°ssemos, n√£o querer√≠amos saber. Ser amado seria um pedido, uma intromiss√£o, um desconforto √† espera de uma resposta nossa, de uma desilus√£o, de uma insensibilidade √†quele amor que n√£o queremos para nada, que nos apanhou e embara√ßa. Se calhar, na vida e na morte de quem ama e quem se ama, s√≥ se sente o n√£o ser amado e o j√° n√£o ser amado e, quando muito, o j√° ter sido amado. A aus√™ncia e a tristeza, por muito grandes que sejam, n√£o s√£o t√£o grandes como a presen√ßa, a alegria e a ang√ļstia do amor vivo, que ocupa os corpos todos e as almas todas.
√Č pena que enquanto se √© amado por algu√©m nunca pare√ßa que se √©. Amado, de certeza, incondicionalmente, como √© amado – tamb√©m sem saber –

Continue lendo…

Ninguém é responsável pelo seu nascimento, cada um é livre de escolher a morte, portanto de rejeitar o fardo que recebeu sem o ter pedido.

O conselho pedido √© geralmente mal recebido, e o que n√£o √© desejado √© sem d√ļvida impertinente.

Em certas condi√ß√Ķes a eutan√°sia justifica-se. Quando uma pessoa est√° em grande sofrimento num hospital e percebe que n√£o tem sa√≠da e pede a um m√©dico, est√° consciente do pedido que faz, que quer morrer. As pessoas t√™m direitos √† sua dignidade e se sabem que n√£o a podem manter t√™m direito de pedir a sua morte. √Č preciso ver se n√£o est√£o influenciados, perturbados, mas acho que n√£o sou absolutamente contra. Embora tenha uma vis√£o da vida que nunca me tivesse ocorrido que eu me podia extinguir por minha vontade.

Mais Valera…

Baldadas, as tuas ora√ß√Ķes fervorosas,
vãs, as tuas vigílias sem cansaço,
in√ļteis, as tuas rugas que foram l√°grimas, M√£e!
E s√£o brancos os teus cabelos por ser negra a minha vida…

Todos os amparos pedidos para os meus passos,
todas as claridades imploradas para os meus caminhos,
todas as fontes solicitadas para as minhas sedes,
todos os vergéis requeridos para as minhas fomes,
todas as pedras com musgo seco rogadas para o meu descanso,
‚ÄĒ tudo foi trocado para a felicidade doutra M√£e
que n√£o orou, talvez, fervorosamente,
nem vigiou noites e noites um berço, como estrela,
nem, M√£e, chorou as l√°grimas que deixaram no teu rosto essa tristeza.

Para mim veio este destino errante de poeta…
Comigo, a incerteza e frouxidão contínua de passos,
a escurid√£o em todos os caminhos inevit√°veis,
a sede para que só há fontes secas,
a fome que nenhum fruto satisfaz,
as pedras √°speras onde o corpo n√£o pode estender-se…

M√£e, porque n√£o me levaram os ciganos?

No Amor, o Homem Deve Tomar a Iniciativa

O pudor inibe a mulher de provocar certas car√≠cias, mas sente prazer em receb√™-las quando outro as come√ßa. Sim, um homem tem em demasiada conta as suas qualidades f√≠sicas, se espera que seja a mulher a primeira a rogar. √Č ao homem que compete come√ßar, √© ao homem que compete pronunciar as palavras suplicantes; a ela acolher favor√°velmente as suas brandas preces. Queres possu√≠-la? pede. Ela deseja tanto como tu ser rogada. Explica-lhe a causa e a origem do teu amor. J√ļpiter dirigia-se suplicante √†s antigas hero√≠nas; apesar do seu poder, nenhuma o vinha provocar.
Mas se as tuas preces se quebram na dist√Ęncia dum orgulho desdenhoso, abandona o que come√ßaste e recua. Como elas desejam o que lhes escapa, e detestam o que est√° ao seu alcance! Sendo menos insistente, n√£o mais ser√°s repelido.
E a esperança de alcançares os teus fins nem sempre deve aparecer nos teus pedidos; que o amor penetre sob o nome da amizade. Vi mulheres esquivas serem enganadas desta maneira: o que fora seu cortesão, tornara-se seu amante.

Em Cruz n√£o Era Acabado

As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da p√°gina do Natal
nasciam os montes prateados

da inf√Ęncia. Int√©rmina, a m√£e
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente.

Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.

Menino pronunciado
como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.

Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que ent√£o havia
para a capital dos brinquedos.

E as crianças com a tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam os seus pedidos
no muro que dava para o impossível,

chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicion√°rio
da dor futura: saudade.

Não Peças o que na Realidade não Pretendes Obter

“N√£o te ponhas a pedir o que n√£o pretendes obter!” √Č que sucede muitas vezes n√≥s pedirmos com empenho coisas que recusar√≠amos se algu√©m no-las oferecesse. Por ligeireza? Por excesso de gentileza? Seja qual for a raz√£o, apliquemos-lhe um castigo: acedamos largamente ao pedido. Muitas coisas n√≥s desejamos parecer querer quando de facto as n√£o queremos. Numa leitura p√ļblica, um autor levou uma vez uma obra hist√≥rica enorme, escrita em letra miudinha, num volume dens√≠ssimo, e, depois de ler a maior parte, disse: “Se querem, fico por aqui.” Ora os auditores, embora o seu √ļnico desejo fosse que o homem se calasse imediatamente, gritaram em coro: “Continua a leitura, continua!” Muitas vezes, tamb√©m, queremos uma coisa mas escolhemos outra, e nem sequer aos deuses confessamos a verdade; o que vale √© que os deuses ou n√£o nos atendem ou t√™m pena de n√≥s!

Nas suas ora√ß√Ķes, pe√ßa prote√ß√£o e vida longa √†queles que ama. Deus, na sua infinita bondade, vai atender seu pedido e, por extens√£o, atender√° voc√™ tamb√©m!