Cita√ß√Ķes sobre Pervers√£o

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Ao abuso das nossas faculdades f√≠sicas sucede a dor; √†s pervers√Ķes do esp√≠rito seguem o pesar e o arrependimento.

A Culpa é Sempre Nossa

Sempre admirei aqueles que nos fazem sentir culpados do que dantes nos julgáramos inocentes. A culpa é uma riqueza, à qual se vai acrescentando. O resultado oscila entre a lista telefónica e as Obras Completas mas pesa sempre.
Os grandes mestres s√£o os nossos pais e os nossos filhos – ambos mostram de onde veio a inspira√ß√£o para o pecado original. Ora se √© culpado por ter nascido e interrompido, ora se √© culpado por ter dado a nascer e n√£o se ter interrompido tanto quanto precisariam os nascidos.A culpa n√£o √© uma coisa que se tenha, como um pesco√ßo. √Č uma coisa que se transmite, como uma gripe. Tanto faz ser-se inocente ou culpado ¬ę√† partida¬Ľ, que tem aspas porque n√£o existe. Os malvados constipam-se tanto como os bonzinhos. Mas ambos s√£o vulner√°veis √† ideia que at√© fizeram por isso e merecem pagar.At√© com as l√Ęmpadas de casa de banho acontece. N√£o h√° dom√≠nio de banalidade que a culpa n√£o contamine. Tenho passado, nos √ļltimos anos, v√°rias semanas, dispersas no tempo, sem luz na casa de banho. Uso pilhas e a luz da lua, quando √© oferecida.Depois aparece o electricista que √© afoito e resolve tudo num segundo.

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A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada.

Instinto Humano Deteriorado

Um estranho paradoxo: as pessoas, quando agem, t√™m em mente o interesse privado mais mesquinho, mas ao mesmo tempo, no seu comportamento, s√£o mais do que nunca determinadas pelo instinto das massas. E mais do que nunca, o instinto das massas tornou-se errado. O obscuro instinto do animal – como in√ļmeros epis√≥dios o comprovam – encontra a sa√≠da para o perigo iminente mas ainda invis√≠vel. Em contrapartida, esta sociedade, onde cada um tem apenas em vista o seu pr√≥prio interesse mesquinho, sucumbe como uma massa cega, com estupidez animal mas sem a est√ļpida sabedoria dos animais, a todo o perigo, ainda que muito pr√≥ximo, e a diversidade dos objectivos torna-se insignificante, ante a identidade das for√ßas determinantes.
Muitas vezes se tem demonstrado que é tão rígida a sua fixação à vida habitual, mas de há muito perdida, que acaba por não se verificar a aplicação efectivamente humana do intelecto, a previdência, até mesmo ante o perigo iminente. Assim a imagem da estupidez completa-se nela: insegurança, ou mesmo perversão dos instintos vitais, e desfalecimento ou até decadência do intelecto.

A Precis√£o da Escrita n√£o Faz o Bom Escritor

Como escritor, poder√° algu√©m fazer a experi√™ncia de que quanto mais precisa, esmerada e adequadamente se expressar, tanto mais dif√≠cil de entender ser√° o resultado liter√°rio, ao passo que quando o faz de forma laxa e irrespons√°vel se v√™ recompensado com uma segura inteligibilidade. De nada serve evitar asceticamente todos os elementos da linguagem especializada e todas as alus√Ķes a esferas culturais n√£o estabelecidas. O rigor e a pureza da textura verbal, inclusive na extrema simplicidade, criam antes um vazio. O desmazelo, o nadar com a corrente familiar do discurso, √© um sinal de vincula√ß√£o e de contacto: sabe-se o que se quer porque se sabe o que o outro quer. Enfrentar a coisa na express√£o, em vez da comunica√ß√£o, √© suspeitoso: o espec√≠fico, o que n√£o est√° acolhido no esquematismo, parece uma desconsidera√ß√£o, um sintoma de excentricidade, quase de confus√£o. A l√≥gica do nosso tempo, que tanto se ufana da sua claridade, acolheu ingenuamente tal pervers√£o na categoria da linguagem quotidiana.

A expressão vaga permite a quem a ouve ter uma ideia aproximada do que é que lhe agrada e do que, de qualquer modo, opina. A rigorosa exige a univocidade da concepção, o esforço do conceito,

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Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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Quase toda a seita do cristianismo representa uma perversão da sua essência, com a finalidade de adaptá-lo aos preconceitos do mundo.