Cita√ß√Ķes sobre Petr√≥leo

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O Essencial é Ter o Vento

O essencial é ter o vento.
Compra-o; compra-o depressa,
A qualquer preço.
Dá por ele um princípio, uma ideia,
Uma d√ļzia ou mesmo d√ļzia e meia
Dos teus melhores amigos, mas compra-o.
Outros, menos sagazes
E mais convencionais,
Te dir√£o que o preciso, o urgente,
√Č ser o jogador mais influente
Dum trust de petróleo ou de carvão.
Eu não: O essencial é ter o vento.
E agora que o Outono se insinua
No cad√°ver das folhas
Que atapeta a rua
E o grande vento afina a voz
Para requiem do Ver√£o,
A baixa é certa.
Compra-o; mas compra-o todo,
De modo Que n√£o fique sopro ou brisa
Nas m√£os de um concorrente
Incompetente.

Trinta anos atr√°s, ningu√©m poderia ter previsto o imenso impacto da Guerra do Vietn√£, de duas crises do petr√≥leo, da ren√ļncia de um presidente, da dissolu√ß√£o da Uni√£o Sovi√©tica (…). Diferentes choques ocorrer√£o nos pr√≥ximos 30 anos. N√£o tentaremos prev√™-los, nem lucrar com eles.

Rua de Cam√Ķes

A minha inf√Ęncia
cheira a soalho esfregado a piaçaba
aos chocolates do meu pai aos Domingos
à camisa de noite de flanela
da minha m√£e

Ao fog√£o a carv√£o
à máquina a petróleo
ao zinco da bacia de banho

Soa a janelas de guilhotina
a desvendar meia rua
surgia sempre o telhado
sustent√°culo da mansarda
obst√°culo da perspectiva

Nele a chuva acontecia
aspergindo ocres mais vivos
empapando ervas esquecidas
cantando com as telhas liquidamente
percutindo folhetas e caleiras
criando manchas t√£o incoerentes nas paredes
de onde podia emergir qualquer objecto

E havia a Dona Laura
senhora distinta
e sua criada Rosa
que ao nosso menor salto
lesta vinha avisar
que estavam l√° em baixo
as pratas a abanar no guarda-louça

O caruncho repicava nas frinchas
alongava as pernas
a casa envelhecia

Na rua das traseiras havia um catavento
veloz nas turbulências de Inverno
e eu rejeitava da boneca
a imut√°vel express√£o

A minha mãe fazia-me as tranças
antes de ir para a escola
e dizia-me muitas vezes

N√£o olhes para os rapazes
que é feio.

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No Sorriso Louco das M√£es

No sorriso louco das m√£es batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as m√£es
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tend√Ķes
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as m√£es s√£o cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas p√°lpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. S√£o
silenciosas.
E a sua cara est√° no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As m√£es s√£o as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combust√£o dos filhos, porque
os filhos est√£o como invasores dentes-de-le√£o
no terreno das m√£es.

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Maritain disse que o mundo precisava mais de metaf√≠sica do que de carv√£o. Podemos dizer hoje que o mundo precisa mais de poesia do que de petr√≥leo. A poesia √© de fato a emo√ß√£o reelaborada na tranquilidade. √Č, assim, a s√≠ntese da emo√ß√£o e da paz.