Requiescat

Por que me vens, com o mesmo riso,
Por que me vens, com a mesma voz,
Lembrar aquele ParaĆ­so,
Extinto para nĆ³s?

Por que levantas esta lousa?
Por que, entre as sombras funerais,
Vens acordar o que repousa,
O que nĆ£o vive mais?

Ah! esqueƧamos, esqueƧamos
Que foste minha e que fui teu:
NĆ£o lembres mais que nos amamos,
Que o nosso amor morreu!

O amor Ʃ uma Ɣrvore ampla, e rica
De frutos de ouro, e de embriaguez:
Infelizmente, frutifica
Apenas uma vez…

Sob essas ramas perfumadas,
Teus beijos todos eram meus:
E as nossas almas abraƧadas
Fugiam para Deus.

Mas os teus beijos esfriaram.
Lembra-te bem! lembra-te bem!
E as folhas pƔlidas murcharam,
E o nosso amor tambƩm.

Ah! frutos de ouro, que colhemos,
Frutos da cĆ”lida estaĆ§Ć£o,
Com que delĆ­cia vos mordemos,
Com que sofreguidĆ£o!

Lembras-te? os frutos eram doces…
Se ainda os pudƩssemos provar!
Se eu fosse teu… se minha fosses,
E eu te pudesse amar…

Em vĆ£o,

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