Passagens sobre Idade

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Frases sobre idade, poemas sobre idade e outras passagens sobre idade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nada é menos digno de honra do que um homem idoso que não tenha outra evidência de ter vivido muito exceto a sua idade.

A Vontade de Escrever

Quando conscientemente, aos treze anos de idade, tomei posse da vontade de escrever Рeu escrevia quando era criança, mas não tomara posse de um destino Рquando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade. Comecei, e nem sequer era pelo começo. Os papéis se juntavam um ao outro Рo sentido se contradizia, o desespero de não poder era um obstáculo a mais para realmente não poder: a história interminável que então comecei a escrever (com muita influência de O Lobo das Estepes de Hermann Hesse), que pena eu não ter conservado: rasguei, desprezando todo um esforço quase sobre-humano de aprendizagem, de autoconhecimento. E tudo era feito em tal segredo. Eu não contava a ninguém, vivia aquela dor sozinha. Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento,

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A superioridade espiritual, mesmo a maior, far√° valer a sua preponder√Ęncia decisiva na conversa√ß√£o s√≥ ap√≥s os quarenta anos de idade. Pois a maturidade dos anos e os frutos da experi√™ncia podem ser superados em muitos sentidos, mas nunca substitu√≠dos pela superioridade espiritual.

Soneto XXIIII

De ua esperança vã suspenso mouro,
Mas quando a fortes cabos mais me amarro,
Então vou através, então desgarro,
Como barca no Tejo, ou rio Douro.

Ah’ quem fora um pastor que seu tesouro
Tem no leve cortiço e tosco tarro,
E de ledo e contente os pés de barro
Julga consigo por cabeça de ouro.

Mas aquele que tem de ouro a cabeça
E pés que são de barro em cima sente,
Como não sintirá tanta desgraça.

Viva ufano, porém viva contente:
Quebra o barro, por mais que se endureça,
O imortal ouro mil idades passa.

A amizade apenas encontra a sua plena irradiação na maturidade da idade e do espírito.

Que me quereis, perpétuas saudades?

Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai n√£o torna mais,
E se torna, n√£o tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes t√£o ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto s√£o iguais,
Nem sempre s√£o conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
N√£o mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento s√£o espias.

Há uma idade em que a mulher gosta mais de ser namorada do que amada. Entre um amor recatado e reverente e um galanteio indiscreto e ostensivo, não hesita: prefere o segundo. O que lhe enche o coração não é o amor; é a vaidade.

Questiono-me se a guerra n√£o √© provocada sen√£o pelo √ļnico objectivo de permitir ao adulto voltar a ser crian√ßa, regredir com al√≠vio √† idade das fantasias e dos soldadinhos de chumbo.

Bens Ilusórios

Por nosso mal l√° chega a idade, em que n√£o queremos mais fortunas, que o viver; conhecemos a ilus√£o delas, e se as buscamos, √© como por costume, mas sem √Ęnsia, e sem desassossego; o desejo de as alcan√ßar, √© como um resto de calor, que apenas se faz sentir. N√£o reflectimos sobre o pouco tempo, que devemos gozar um bem, sen√£o depois de o ter: s√≥ ent√£o consideramos o muito que custou a alcan√ßar, e o pouco que o havemos possuir.
Em cada país há um modo com que as cousas se imaginam; o que é fortuna em uma parte, é desgraça em outra, o que aqui se busca com empenho, ali se despreza totalmente. Os objectos que entretêm a vaidade, e estimação dos homens, são como ídolos, que só se veneram em lugar determinado, e fora daquele tal espaço, a adoração se troca em vitupério; o mesmo mármore de que em Atenas se faria uma Minerva, transportado a outro lugar, apenas servirá de base a uma coluna; assim é a vaidade, por mais que seja universal nos homens, os motivos dela não são universais.

A Juventude e a Literatura

Os jovens s√£o, geralmente, melhores ju√≠zes das obras destinadas a estimular sentimentos e imagens do que os homens maduros ou velhos. Mas por outro lado, v√™-se que os jovens que n√£o s√£o educados para a leitura procuram nela um prazer mais do que humano, infinito, e de caracter√≠sticas absurdas; e n√£o encontrando isso nela, desprezam os escritores; o que por vezes acontece tamb√©m noutras idades, por raz√Ķes id√™nticas, com os iliteratos.

E aqueles jovens que se dedicam √†s letras facilmente preferem, n√£o s√≥ quando escrevem mas tamb√©m quando avaliam as obras dos outros, o excessivo ao moderado, a sumptuosidade ou a afecta√ß√£o das express√Ķes e dos ornamentos ao simples e ao natural, e as belezas ilus√≥rias √†s verdadeiras, em parte devido √† sua pouca experi√™ncia e em parte ao arrebatamento pr√≥prio da idade. Donde se deduz que os jovens, que s√£o sem d√ļvida, entre todos os homens, aqueles que est√£o mais dispostos a louvar o que lhes parece bom, por serem mais sinceros e ing√©nuos, raramente s√£o capazes de apreciar a h√°bil e perfeita boa qualidade das obras liter√°rias. Com o avan√ßar dos anos, aumenta a capacidade que se adquire com o treino e diminui a natural. Contudo,

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Marília De Dirceu

Soneto 11

Com pesadas cadeias manietado,
Às vozes da razão ensurdecido,
Dos céus, de mim, dos homens esquecido,
Me vi de amor nas trevas sepultado.

Ali aliviava o meu cuidado
C’o dar de quando em quando algum gemido.
Ah! tempo! Que, somente refletido,
Me fazes entre as ditas desgraçado.

Assim vivia, quando a falsidade
De Laura me tornou num breve dia
Quanto a raz√£o n√£o p√īde em longa idade:

Quebrei o vil grilh√£o que me oprimia!
Oh! feliz de quem goza a liberdade,
Bem que venha por m√£os da aleivosia!

Por certo, os que não obtêm dentro de si os recursos necessários para viver na felicidade acharão execráveis todas as idades da vida.

Em certa idade as divers√Ķes n√£o distraem, afligem. Vive-se do passado, e para que o pensamento o retrate, √© mister que o remorso lhe d√™ a limpidez do lago tranquilo.

O homem que s√≥ tem as qualidades pr√≥prias da sua idade e do seu estado √© o homem admir√°vel. O que re√ļne a essas grandes qualidades os pequenos defeitos que lhe s√£o cong√©neres √© o homem completo.

A inf√Ęncia √© a idade das interroga√ß√Ķes, a juventude a das afirma√ß√Ķes, a velhice a das nega√ß√Ķes.

O Prolongamento da Adolescência

No dia a seguir ao casamento os noivos est√£o mais velhos cinco anos. Biol√≥gicamente, a idade madura come√ßa com o casamento, porque o descuidoso brincar de at√© ali substitui-se pelo trabalho e pela responsabilidade, a paix√£o cede diante das limita√ß√Ķes da ordem social – a poesia passa a prosa. Esta mudan√ßa varia com os costumes e o clima; o casamento vem mui tardiamente nas cidades modernas, facto que prolonga a adolesc√™ncia; mas entre os povos do Sul e do Oriente realiza-se em idade bem verde. Os rapazes orientais, diz Stanley Hall, come√ßam a exercer as fun√ß√Ķes de marido aos treze anos, e aos trinta, j√° gastos, recorrem a afrodis√≠acos… Aos trinta anos as mulheres dos climas quentes j√° est√£o velhas. Est√° verificado que o dilatar da adolesc√™ncia prolonga a vida. Se pud√©ssemos retardar a nossa maturidade sexual de modo a coincidir com a nossa maturidade econ√≥mica, prolongando assim a adolesc√™ncia e a fase educativa, erguer√≠amos a civiliza√ß√£o a n√≠vel jamais alcan√ßado.