Cita√ß√Ķes de Italo Calvino

28 resultados
Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Italo Calvino para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

O conhecimento do próximo tem isto de especial: passa necessariamente pelo conhecimento de si mesmo.

Ser capaz de colocar continuamente em quest√£o as suas pr√≥prias opini√Ķes – esta √©, para mim, a condi√ß√£o preliminar de qualquer intelig√™ncia.

A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos, dos quais o √ļltimo tamb√©m poderia mudar o sentido de todo o conjunto.

Quando tenho mais ideias do que os outros, dou-lhe essas idéias, se as aceitam; e isso é comandar.

A Dist√Ęncia Entre Gera√ß√Ķes

A solu√ß√£o de continuidade entre as gera√ß√Ķes depende da impossibilidade de transmitir a experi√™ncia, de fazer evitar aos outros os erros j√° cometidos por n√≥s. A verdadeira dist√Ęncia entre duas gera√ß√Ķes √© dada pelos elementos que t√™m em comum e que obrigam √† repeti√ß√£o c√≠clica das mesmas experi√™ncias, como nos comportamentos das esp√©cies animais transmitidos pela heran√ßa biol√≥gica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre n√≥s e eles s√£o, pelo contr√°rio, o resultado das modifica√ß√Ķes irrevers√≠veis que cada √©poca traz consigo, ou seja, dependem da heran√ßa hist√≥rica que n√≥s lhes transmitimos, a verdadeira heran√ßa de que somos respons√°veis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso n√£o temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experi√™ncia n√£o podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, n√£o sabemos reconhecer-nos.

Até mesmo para quem passou toda uma vida no mar, chega uma idade em que se deixa a embarcação.

Como epígrafes num alfabeto indecifrável, do qual metade das letras tenham sido apagadas pelo esmeril do vento pesado de areia, assim permanecereis, perfumarias, para o homem futuro sem nariz.

N√£o podemos conhecer nada de exterior a n√≥s pr√≥prios que nos supere (…) o universo √© o espelho em que podemos contemplar apenas o que aprendemos a conhecer em n√≥s.

O inconsciente √© o oceano do indiz√≠vel, o que foi expulso do territ√≥rio da linguagem, posto de lado em virtude de antigas proibi√ß√Ķes.

A Perturbação do Último Acontecimento

A vida de uma pessoa consiste num conjunto de acontecimentos no qual o √ļltimo poderia mesmo mudar o sentido de todo o conjunto, n√£o porque conte mais do que os precedentes mas porque, uma vez inclu√≠dos na vida, os acontecimentos disp√Ķem-se segundo uma ordem que n√£o √© cronol√≥gica mas que corresponde a uma arquitectura interna. Uma pessoa, por exemplo, l√™ na idade madura um livro importante para ela, que a faz dizer: “Como poderia viver sem o ter lido!” e ainda: “Que pena n√£o o ter lido quando era jovem!”. Pois bem, estas afirma√ß√Ķes n√£o fazem muito sentido, sobretudo a segunda, porque a partir do momento em que ela leu aquele livro, a sua vida torna-se a vida de uma pessoa que leu aquele livro, e pouco importa que o tenha lido cedo ou tarde, porque at√© a vida que precede a leitura assume agora uma forma marcada por aquela leitura.

Se o modelo n√£o consegue transformar a realidade, a realidade deveria conseguir transformar o modelo.

A arte de escrever histórias consiste em conseguir retirar do pouco que se compreendeu da vida tudo o resto; porém, acabada a página, a vida renova-se e damo-nos conta de que o que sabíamos era muito pouco.

A loucura é uma força da natureza para o bem ou para o mal, ao passo que a estupidez é uma debilidade da natureza sem contrapartidas.