Passagens sobre Autor

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Frases sobre autor, poemas sobre autor e outras passagens sobre autor para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto

A Moreira de Vasconcelos

Na luta dos impossíveis,
do espirito e da matéria,
tu és a águia sidérea
dos pensamentos terríveis!
(Do Autor)

√Č um pensar flamejador, dard√Ęnico
Uma explosão de rápidas idéias,
Que como um mar de estranhas odisséias
Saem-lhe do cr√Ęnio escultural, tit√Ęnico!…

Parece haver um cataclismo enorme
L√° dentro, em √Ęnsia, a rebentar, fremente!…
Parece haver a convuls√£o potente,
Dos rubros astros num fragor disforme!…

H√£o de ruir na transfus√£o dos mundos
Os monumentos colossais profundos,
As cousas vãs da brasileira história!

Mas o seu vulto, sobre a luz alçado,
Oh! h√° de erguer-se de arreb√≥is c’roado,
Como Atalaia nos umbrais da gl√≥ria!!…

O Teatro e a Sátira Política

O teatro pol√≠tico coloca toda uma s√©rie de problemas. H√° que evitar os serm√Ķes a todo o custo. A objectividade √© essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu pr√≥prio ar. O autor n√£o pode confin√°-las nem obrig√°-las a satisfazer o seu pr√≥prio gosto, inclina√ß√Ķes ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de √Ęngulos, um leque de perspectivas diversas, apanh√°-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu pr√≥prio caminho. Isto nem sempre funciona. E a s√°tira pol√≠tica, √© evidente, n√£o obedece a nenhum destes preceitos; faz exactamente o inverso, e √© essa a sua fun√ß√£o principal.

O caderno em branco chama-se tempo. E nós somos autores de todos os capítulos que se desenrolam por fatos vividos, no livro da Eternidade.

Gostaria de saber se o general Pinochet continuaria a ler meus livros se soubesse que o autor foi preso três vezes durante o regime militar brasileiro e teve muitos amigos detidos ou expulsos do Chile.

Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

Em vez de ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, as pessoas precisam ouvir umas às outras, porque nós, autores, não somos mais do que meros trabalhadores da palavra.

A Arte de Representar

A base da representa√ß√£o √© a falsidade. A arte do ator consiste em servir-se do drama do autor para mostrar por meio dele a sua capacidade de interpreta√ß√£o. A pe√ßa √© como uma barra onde o actor mostra as suas habilidades gin√°sticas. √Č apenas limitado pelas condi√ß√Ķes necess√°rias de uma barra: pode fazer com ela apenas um n√ļmero limitado de coisas, mas pode fazer de mil formas individuais.
A representa√ß√£o, repito, tem todo o atractivo de uma falsifica√ß√£o. Todos adoramos um falsificador. √Č um sentimento muito humano e completamente instintivo. Todos adoramos a trapa√ßa e a imita√ß√£o. A representa√ß√£o une e intensifica, por meio do car√°cter material e vital das suas manifesta√ß√Ķes, todos os baixos instintos do instinto art√≠stico ‚ÄĒ o instinto do enigma, o instinto do trap√©zio (…). √Č popular e apreciado por estas raz√Ķes, ou antes, por esta raz√£o.
A sede de gl√≥ria do artista √© feita carne na sede de aplauso do actor. Todo o aparecimento em p√ļblico √© baixo. Todas as assembleias s√£o multid√Ķes, e se n√£o suadas de corpo, pelo menos suadas de emo√ß√Ķes.
Todos os esp√≠ritos grosseiros adoram falar. Ser falador √© j√° por si vulgar. A √ļnica coisa que torna a verbosidade interessante √© a profanidade e a obscenidade,

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O cinema √© mundano. E a santidade √© a fuga do mundano. √Č o desprendimento ‚Äď o sentimento de liberdade mais profundo ‚Äď de tudo quanto √© mundano, da vida, das atrac√ß√Ķes. √Č separar-se de tudo. Por tr√°s do cinema e do autor est√° a vaidade. Basta isso para destruir tudo. Ele faz isto ‚Äď gosta de receber pr√©mios, de receber elogios, que compreendam os seus filmes. E isso √© mundano ‚Äď √© deste mundo ‚Äď, a santidade n√£o √© deste mundo.

O Progresso Real não se Deve aos Génios

√Č opini√£o, pode dizer-se, universal, que o conhecimento humano deve a maior parte do seu progresso √†queles g√©nios supremos que surgem de quando em quando, um agora, outro depois, que s√£o quase milagres da natureza. Eu, pelo contr√°rio, penso que ele deva a sua maior parte aos g√©nios comuns, e muito pouco aos extraordin√°rios. Um destes, suponhamos, depois de ter preenchido com a erudi√ß√£o a √°rea do conhecimento dos seus contempor√Ęneos, avan√ßa no saber, digamos, dez passos em frente. Os outros homens, por√©m, n√£o s√≥ n√£o se aprestam a segui-lo como, a maior parte das vezes, isto para n√£o dizer pior, se riem do seu progresso.
Entretanto muitos g√©nios med√≠ocres, valendo-se em parte, talvez, dos pensamentos e das descobertas daquele extraordin√°rio, mas principalmente atrav√©s de estudos deles pr√≥prios, d√£o um passo em conjunto; e, nesse passo, dada a pequenez do espa√ßo, isto √©, a reduzida novidade das suas opini√Ķes, e tamb√©m devido ao elevado n√ļmero daqueles que s√£o os seus autores, ao fim de alguns anos s√£o universalmente seguidos. Assim, avan√ßando, como √© seu h√°bito, a pouco e pouco, e por obra e a exemplo de outros intelectos med√≠ocres, os homens completam, finalmente, o d√©cimo passo; e as opini√Ķes daquele g√©nio extraordin√°rio s√£o geralmente aceites como verdadeiras em todos os pa√≠ses civilizados.

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A Minha Felicidade Resume-se a Isto

Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade √© a leitura de romances policiais. Entre o n√ļmero √°ureo e reduzido das horas felizes que a Vida deixa que eu passe, conto por do melhor ano aquelas em que a leitura de Conan Doyle ou de Arthur Morrison me pega na consci√™ncia ao colo.
Um volume de um destes autores, um cigarro de 45 ao pacote, a ideia de uma ch√°vena de caf√© ‚ÄĒ trindade cujo ser-uma √© o conjugar a felicidade para mim ‚ÄĒ resume-se nisto a minha felicidade. Seria pouco para muitos, a verdade √© que n√£o pode aspirar a muito mais uma criatura com sentimentos intelectuais e est√©ticos no meio europeu actual.
Talvez seja para os senhores como que causa de pasmo, n√£o o eu ter estes por meus autores predilectos ‚ÄĒe de quarto de cama, mas o eu confessar que nesta conta pessoal assim os tenho.

A Influência dos Livros

N√£o h√° d√ļvida nenhuma: se um leitor n√£o se tem firme nos p√©s diante de certos livros e de certos autores, acontece-lhe como quando a gente se debru√ßa a uma alta janela e olha com ades√£o exagerada para o fundo: atira-se dali abaixo. E coisa curiosa: tanto monta que o aceno venha dum cl√°ssico, como dum rom√Ęntico, como dum realista, como dum futurista. Desde que a m√£o feiticeira que o faz saiba da sua poda, um homem, que ainda ontem era enforcado de Villon, passa a sat√Ęnico de Baudelaire sem qualquer cerim√≥nia.

Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE

‚ÄĒ Onde nasceu a ci√™ncia?…
‚ÄĒ Onde nasceu o ju√≠zo?…
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!

GLOSAS

Onde nasceu o autor
Com for√ßas p’ra trabalhar
E fazer a terra dar
As plantas de toda a cor?
Onde nasceu tal valor?…
Seria uma força imensa
E h√° muita gente que pensa
Que o poder nos vem de Cristo;
Mas antes de tudo isto,
Onde nasceu a ci√™ncia?…

De onde nasceu o saber?…
Do homem, naturalmente.
Mas quem gerou tal vivente
Sem no mundo nada haver?
Gostava de conhecer
Quem é que formou o piso
Que a todos nós é preciso
At√© o mundo ter fim…
N√£o h√° quem me diga a mim
Onde nasceu o ju√≠zo?…

Sei que h√° homens educados
Que tiveram muito estudo.
Mas esses n√£o sabem tudo,
Também vivem enganados;
Depois dos dias contados
Morrem quando a morte vem.
Há muito quem se entretém
A ler um bom dicion√°rio…
Mas tudo o que é necessário
Calculo que ninguém tem.

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[O Trágico Dilema] Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

A Minha Lista dos Grandes Autores

Uma revista espanhola teve a ideia de pedir a uns quantos escritores que elaborassem a sua √°rvore geneal√≥gica liter√°ria, isto √©, a que outros autores consideravam eles como avoengos seus, directos ou indirectos, excluindo-se do inventado parentesco, obviamente, qualquer presun√ß√£o de rela√ß√Ķes ou equival√™ncias de m√©rito que a realidade, pelo menos no meu caso, logo se encarregaria de desmentir. Tamb√©m se pedia que, em brev√≠ssimas palavras, fosse dada a justifica√ß√£o dessa esp√©cie de adop√ß√£o ao contr√°rio, em que era o ¬ędescendente¬Ľ a escolher o ¬ęascendente¬Ľ. A cada escritor consultado foi entregue o desenho de uma √°rvore com onze molduras dispersas pelos diferentes ramos, onde suponho que h√£o-de vir a aparecer os retratos dos autores escolhidos. A minha lista, com a respectiva fundamenta√ß√£o, foi esta: Lu√≠s de Cam√Ķes, porque, como escrevi no ¬ęAno da Morte de Ricardo Reis¬Ľ, todos os caminhos portugueses a ele v√£o dar; Padre Ant√≥nio Vieira, porque a l√≠ngua portuguesa nunca foi mais bela que quando ele a escreveu; Cervantes, porque sem ele a Pen√≠nsula Ib√©rica seria uma casa sem telhado; Montaigne, porque n√£o precisou de Freud para saber quem era; Voltaire, porque perdeu as ilus√Ķes sobre a humanidade e sobreviveu a isso; Raul Brand√£o, porque demonstrou que n√£o √© preciso ser-se g√©nio para escrever um livro genial,

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Quando os personagens s√£o vivos, realmente vivos, diante de seu autor, este n√£o faz outra coisa sen√£o segui-los, nas palavras, nos gestos que, precisamente, eles lhe prop√Ķem.

A Cantiga do Optimismo

N√£o embarquem na cantiga do optimismo. Sempre que poss√≠vel, vejam as coisas pelo lado ruim. Desejem o melhor, mas n√£o deixem nunca de esperar o pior. E saibam que dois ter√ßos das conquistas do Homem se fizeram, mais do que pelo optimismo dos seus autores, em resultado do pessimismo dos vizinhos daqueles. Os comp√™ndios ir√£o contra v√≥s. Dir-vos-√£o que s√£o c√≠nicos, escapistas, pobres cultores da ideia de supremacia do mal sobre o bem, tristes conformistas destinados ao imobilismo e mais nada. N√£o acreditem. Se h√° uma coisa capaz de mover montanhas, √© ter ao lado um sacana a dizer ¬ęN√£o consegues, p√°, d√™s as voltas que deres n√£o consegues¬Ľ – e, ali√°s, n√≥s pr√≥prios concordarmos com ele. Em todo o caso, o mal exerce efectivamente supremacia sobre o bem. Voc√™s sabem que as crian√ßas choram antes de rir – e que. muito antes de aprenderem o potencial sedutor de um sorriso, j√° conhecem as virtudes chantag√≠sticas de uma boa gritaria.

N√£o pensem que o m√©todo √© meu. Insinuou-o Voltaire, no seu Candide, √† revelia dos optimistas taralhoucos que vieram antes e depois dele, como Leibniz ou Godwin. Gramsci tratou da exegese. O verdadeiro segredo? O verdadeiro m√©todo? ¬ę√Č preciso atrair violentamente a aten√ß√£o para o presente do modo como ele √©.

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