Passagens sobre Cat√°strofe

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Frases sobre cat√°strofe, poemas sobre cat√°strofe e outras passagens sobre cat√°strofe para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os escritores de fic√ß√£o cient√≠fica prev√™em o inevit√°vel e, ainda que os problemas e as cat√°strofes possam ser evit√°veis, n√£o h√° solu√ß√Ķes.

A Miss√£o de Continuar a Vida

Ningu√©m se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mist√©rio. Para n√≥s mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada miss√£o que temos no mundo. Todos n√≥s somos uma miss√£o. Somos a miss√£o de continuar a vida, aperfei√ßoando-a, festejando-a e n√£o destruindo-a como se est√° a fazer hoje. Eu n√£o tenho certezas, mas tenho convic√ß√Ķes e uma das minhas convic√ß√Ķes mais firmes √© que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade est√° a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. N√≥s chegamos a esta coisa terr√≠vel, o chamado equil√≠brio nuclear, que √© o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade est√° hoje pronta (parece que est√° sempre pronta!) para p√īr luto por si pr√≥pria. Isto n√£o √© uma forma humana de viver. Esta trag√©dia tem que ser a sua ¬ęh√ļbris¬Ľ, que √©, digamos, a arrog√Ęncia que desencadeia a cat√°strofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, √© que pa√≠ses que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem.

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A desintegração do átomo transformou tudo, exceto nossa forma de pensar; por isso, caminhamos para uma catástrofe sem paralelo.

O Antagonismo Racial

O elemento puramente instintivo n√£o constitui sen√£o uma pequena parte do √≥dio racial e n√£o √© dif√≠cil de vencer. O medo do que √© estrangeiro, que √© a sua principal ess√™ncia, desaparece com a familiaridade. Se nenhum outro elemento o formasse, toda a perturba√ß√£o desapareceria logo que pessoas de ra√ßas diferentes se habituassem umas √†s outras. Mas h√° sempre pretextos para se odiarem os grupos estrangeiros. Os seus h√°bitos s√£o diferentes dos nossos e portanto (em nossa opini√£o) piores. Se triunfam, √© porque nos roubam as oportunidades; se n√£o triunfam, √© porque s√£o miser√°veis vagabundos. A actual popula√ß√£o do mundo descende dos sobreviventes de longos s√©culos de guerras e por instinto est√° √† espreita de ocasi√Ķes de hostilidade colectiva.

O desejo de ter um inimigo fixa-se no cora√ß√£o desse instinto racista e constr√≥i √† sua volta um edif√≠cio monstruoso de crueldade e de loucura. Tais conflitos representam hoje uma cat√°strofe universal e n√£o j√° somente, como outrora, um desastre para os vencidos: da√≠ as inquieta√ß√Ķes do nosso tempo. √Č por isso que √© mais importante do que nunca conseguir um certo grau de dom√≠nio racional sobre os nossos sentimentos destruidores.

Em geral o ódio racial tem duas origens,

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Coração Incoerente

A superior sapi√™ncia das na√ß√Ķes j√° formulou esta lei naquele seu fino ad√°gio: O cora√ß√£o n√£o sente o que os olhos n√£o v√™em. A mais pequenina dor que diante de n√≥s se produz e diante de n√≥s geme, p√Ķe na nossa alma uma comisera√ß√£o e na nossa carne um arrepio, que lhe n√£o dariam as mais pavorosas cat√°strofes passadas longe, noutro tempo ou sob outros c√©us. Um homem ca√≠do a um po√ßo na minha rua mais ansiadamente me sobressalta que cem mineiros sepultados numa mina da Sib√©ria: – e um carro esmagando a pata de um c√£o, em frente √† nossa janela, √© um caso infinitamente mais aflitivo do que a her√≥ica e admir√°vel Joana d’Arc queimada na pra√ßa de Rouen.

Toda a história não é mais do que uma infinita catástrofe da qual tentamos sair o melhor possível.

Combater é uma Diminuição

Combater √©, em termos absolutos, uma diminui√ß√£o. O homem, quer defenda a p√°tria, quer defenda as ideias, desde que passa os dias aos tiros ao vizinho, mesmo que o vizinho seja o monstro dos monstros, est√° a perder grandeza. Sempre que por qualquer motivo a raz√£o passou a servir a paix√£o, houve um apoucamento do espirito, e √© dif√≠cil que o esp√≠rito se salve num processo onde ele entra diminu√≠do. Mas quando numa comunidade algu√©m endoidece e desata a ferir a torto e a direito, √© preciso dominar o possesso de qualquer forma, e a guerra √© fatal. Ent√£o, embora sabendo que vai empobrecer a sua alma, o homem normal come√ßa a lutar, e s√≥ a morte ou o triunfo o podem fazer parar. √Č tr√°gico, mas √© natural. O que √© contra todas as leis da vida √© ficar ao lado da contenda como espectador. Sendo uma diminui√ß√£o combater, √© uma trai√ß√£o sem nome lavar as m√£os do conflito, e passar as horas de bin√≥culo assestado a contemplar a desgra√ßa do alto dum monte. Assim √© que nada se salva. Fica-se homem sem qualquer sentido, manequim vestido de gente, coisa que n√£o tem personalidade. Porque nem se representa a intelig√™ncia,

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A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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A Diplomacia é um Exercício de Grande Violência Interior

Há momentos em que somos obrigados a conviver com pessoas de natureza tão distinta da nossa que bastam cinco minutos de contacto para percebermos que, cedo ou tarde, os diques que sustêm a hostilidade latente acabarão por ceder e quanto mais pressão pusermos sobre eles maior será a catástrofe. A questão que nos colocamos é a de saber se o ideal é passar de imediato para a fase de conflito declarado ou aguardar diplomaticamente que, como dizem alguns entendidos nas matérias, as coisas sigam ao seu ritmo, na vã esperança de que uma relação franca e honesta, ainda que difícil, seja possível. A diplomacia, sabe quem já esteve na guerra, é um exercício de grande violência interior.

Luto pela Bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. N√£o excomungarei ningu√©m. N√£o diria, amanh√£, a esse sacerdote: ¬ęVoc√™ n√£o pode baptizar ningu√©m porque √© anticomunista.¬Ľ N√£o diria ao outro: ¬ęN√£o publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque voc√™ √© anticomunista.¬Ľ Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais t√≠tulos al√©m desse, sem trazerem na cabe√ßa uma regra-, uma palavra r√≠gida, um r√≥tulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que n√£o esperem ningu√©m, nunca mais, √† porta do munic√≠pio para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da C√Ęmara Municipal. N√£o quero que ningu√©m fuja em g√īndola, que ningu√©m seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a √ļnica maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta sen√£o como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor sen√£o como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ub√≠qua, extensa, inexaur√≠vel. De tantos encontros entre a minha poesia e a pol√≠cia, de todos esses epis√≥dios e de outros que n√£o contarei porque repetidos,

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As Pequenas Injustiças

Não me conformo com as pequenas injustiças. Aceito as grandes, porque são inevitáveis, como as catástrofes, e atestam a impotência dos deuses.
Aquela criança, descalça, apenas precisava de uns sapatos. Se tivesse nascido sem pés, não era tão grande a minha revolta.

O Elogio do Vício

Admiro os viciados. Num mundo em que est√° toda a gente √† espera de uma cat√°strofe total e aleat√≥ria ou de uma doen√ßa s√ļbita qualquer, o viciado tem o conforto de saber aquilo que quase de certeza estar√° √† sua espera ao virar da esquina. Adquiriu algum controlo sobre o seu destino final e o v√≠cio faz com que a causa da sua morte n√£o seja uma completa surpresa.
De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactivista. Um bom vício retira à morte a suposição. Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga.

A união conjugal que se baseou apenas na atração física não tem durabilidade, a não ser que evolua para a uma união espiritual. Esta é a razão por que o amor livre, que deveria trazer felicidade, acaba frequentemente em catástrofe. O corpo físico é algo que não tem durabilidade.

Felicidade e Alegria

N√£o creio que se possa definir o homem como um animal cuja caracter√≠stica ou cujo √ļltimo fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre. O que √© pr√≥prio do homem na sua forma mais alta √© superar o conceito de felicidade, tornar-se como que indiferente a ser ou n√£o ser feliz e ver at√© o que pode vir do obst√°culo exactamente como melhor meio para que possa desferir voo. Creio que a mais perfeita das combina√ß√Ķes seria a do homem que, visto por todos, inclusive por si pr√≥prio, como infeliz, conseguisse fazer de sua infelicidade um motivo daquela alegria que se n√£o quebra, daquela alegria serena que o leva a interessar-se por tudo quanto existe, a amar todos os homens apesar do que possa combater, e √© mais dif√≠cil amar no combate que na paz, e sobretudo conservar perante o que vem de Deus a atitude de obedi√™ncia ou melhor, de disponibilidade, de quem finalmente entendeu as estruturas da vida.
Os felizes passam na vida como viajantes de trem que levassem toda a viagem dormindo; só gozam o trajecto os que se mantêm bem despertos para entender as duas coisas fundamentais do mundo: a implacabilidade,

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Optimizar, em Vez de Ser Optimista

Ser optimista √© bom, mas tem os seus perigos. O optimista pode n√£o perceber bem os problemas dos outros, pode n√£o dar o verdadeiro valor ao mal. Outra coisa √© ter a capacidade de optimizar. Optimizar √© tirar o melhor partido poss√≠vel de tudo o que acontece, mesmo de uma cat√°strofe. Perante ela, quem sabe optimizar p√Ķe-se numa atitude positiva, anima os outros e reage bem. Mais vale optimizar que ser optimista.

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Contento-me com a Simpatia

Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e, depois, n√£o nos imp√Ķe nenhum compromisso. ¬ęCreia na minha simpatia¬Ľ, no discurso interior precede imediatamente ¬ęe agora ocupemo-nos de outra coisa¬Ľ. √Č um sentimento de presidente de Conselho: obt√©m-se muito barato, depois das cat√°strofes. A amizade √© menos simples. A sua aquisi√ß√£o √© longa e dif√≠cil, mas, quando se obt√©m, j√° n√£o h√° meio de nos desembara√ßarmos dela, temos de fazer frente.