Passagens sobre Infinito

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Frases sobre infinito, poemas sobre infinito e outras passagens sobre infinito para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Confiss√£o

√Č certo que me repito,
é certo que me refuto
e que, decidido, hesito
no entra-e-sai de um minuto.

√Č certo que irresoluto
entre o velho e o novo rito
atiro à cesta o absoluto
como in√ļtil papelito.

√Č t√£o certo que me aperto
numa tenaz de mosquito
como é trinta vezes certo
que me oculto no meu grito.

Certo, certo, certo, certo
que mais sinto que reflicto
as f√°bulas do deserto
do raciocínio infinito.

√Č tudo certo e prescrito
em nebuloso estatuto.
O homem, chamar-lhe mito
n√£o passa de anacoluto.

S√≥ amando nos renovamos. O √™xtase √© a √ļnica linguagem comum a todo o infinito. √Č o alimento do ef√©mero e do eterno.
Através do amor o humano se diviniza e o divino se humaniza.

Não invejes o próximo. Nem te acomodes à situação atual. Almeja o tesouro infinito que existe em teu interior e avança com determinação para extraí-lo. Este é o melhor caminho para teu desenvolvimento.

Durmo e desdurmo.
Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair.

Estão Todas as Verdades à Espera em Todas as Coisas

Est√£o todas as verdades
à espera em todas as coisas:
não apressam o próprio nascimento
nem a ele se op√Ķem,
não carecem do fórceps do obstetra,
e para mim a menos significante
é grande como todas.
(Que pode haver de maior ou menor
que um toque?)

Serm√Ķes e l√≥gicas jamais convencem
o peso da noite cala bem mais
fundo em minha alma.

(Só o que se prova
a qualquer homem ou mulher,
é que é;
só o que ninguém pode negar,
é que é.)

Um minuto e uma gota de mim
tranquilizam o meu cérebro:
eu acredito que torr√Ķes de barro
podem vir a ser l√Ęmpadas e amantes,
que um manual de manuais é a carne
de um homem ou mulher,
e que num √°pice ou numa flor
est√° o sentimento de um pelo outro,
e h√£o-de ramificar-se ao infinito
a começar daí
até que essa lição venha a ser de todos,
e um e todos nos possam deleitar
e nós a eles.

Cada doença pertence a um doente. Cada doente tem uma mente. Cada mente é um universo infinito. do livro O Vendedor de Sonhos

A suprema condena√ß√£o n√£o √© a morte, s√≠mbolo e princ√≠pio da err√Ęncia infinita, mas a sua impossibilidade.

Quando Eu Partir

Quando eu partir, que eterna e que infinita
H√° de crescer-me a dor de tu ficares;
Quanto pesar e mesmo que pesares,
Que comoção dentro desta alma aflita.

Por nossa vida toda sol, bonita,
Que sentimento, grande como os mares,
Que sombra e luto pelos teus olhares
Onde o carinho mais feliz palpita…

Nesse teu rosto da maior bondade
Quanta saudade mais, que atroz saudade…
Quanta tristeza por nós ambos, quanta,

Quando eu tiver j√° de uma vez partido,
√ď meu amor, √≥ meu muito querido
Amor, meu bem, meu tudo, ó minha santa!

As ideias s√£o prodigiosas – elas e a maneira como se associam. Num momento, descobrimos que atravess√°mos o mundo, e que transpusemos o infinito entre dois pensamentos.

Corpo de Mulher…

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas
[brancas,
pareces-te com o mundo na tua atitude de
[entrega.
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti
e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Fui s√≥ como um t√ļnel. De mim fugiam os
[p√°ssaros,
e em mim a noite forçava a sua invasão
[poderosa.
Para sobreviver forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra
na minha funda.

Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te.
Corpo de pele, de musgo, de leite √°vido e firme.
Ah os copos do peito! Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do p√ļbis! Ah a tua voz lenta e
[triste!

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.
Minha sede, minha √Ęnsia sem limite, meu
[caminho indeciso!
Escuros regos onde a sede eterna continua,
e a fadiga continua, e a dor infinita.

Os Tent√°culos da Escrita

Os tent√°culos da escrita. A escrita √© um polvo, um molusco vers√°til. Tem infinitos recursos. Escapa sempre. Abstractiza-se. Disfar√ßa-se, adensa-se, adelga√ßa-se, esconde-se. Impele-se r√°pida. Compreende tudo: ascese, consolo √≠ntimo, entrega; fluxos, refluxos, invas√Ķes, esvaziamentos, obstina√ß√£o feroz. O seu rigor √© m√≠stico. √Č uma infinita demanda. Perscruta o inaudito. Sideral Alice atravessa todas as portas, todos os espelhos. Cruza, descobre, inventa universos. A escrita √© um fragmento do espanto, j√° algu√©m o disse.

A Degrada√ß√£o das Paix√Ķes Colectivas

As paix√Ķes colectivas s√£o muito pouco numerosas e de qualidade grosseira: o meu Deus √© o √ļnico Deus; a minha pol√≠tica √© a verdade universal; o meu pa√≠s tem como voca√ß√£o dominar os outros. Enquanto isto, as paix√Ķes individuais s√£o de uma diversidade infinita, de uma tissura imprevis√≠vel e sempre surpreendente. Sou pela cultura dessas mil flores diferentes. N√£o sou favor√°vel a tr√™s ou quatro flores carn√≠voras gigantescas.

XL

Quem chora ausente aquela formosura,
Em que seu maior gosto deposita,
Que bem pode gozar, que sorte, ou dita,
Que n√£o seja funesta, triste, e escura!

A apagar os incêndios da loucura
Nos braços da esperança Amor me incita:
Mas se era a que perdi, glória infinita,
Outra igual que esperança me assegura!

Já de tanto delírio me despeço;
Porque o meu precipício encaminhado
Pela mão deste engano reconheço.

Triste! A quanto chegou meu duro fado!
Se de um fingido bem não faço apreço,
Que alívio posso dar a meu cuidado!

No amor não há monotonia. Ou cresce para o exterior, expandindo-se e criando novos mundos; ou para o interior, alargando os horizontes do sentir e do pensar até ao infinito.

Imortal Atitude

Abre os olhos à Vida e fica mudo!
Oh! Basta crer indefinidamente
Para ficar iluminado tudo
De uma luz imortal e transcendente.

Crer é sentir, como secreto escudo,
A alma risonha, l√ļcida, vidente…
E abandonar o sujo deus cornudo,
O s√°tiro da Carne impenitente.

Abandonar os l√Ęnguidos rugidos,
O infinito gemido dos gemidos
Que vai no lodo a carne chafurdando.

Erguer os olhos, levantar os braços
Para o eterno Silêncio dos Espaços
E no Sil√™ncio emudecer olhando…

Há dois labirintos do espírito humano: um respeita à composição do contínuo, o outro à natureza da liberdade; e ambos têm origem no mesmo infinito.