Passagens sobre Infinito

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H√° uma bondade natural e profunda nas amizades. S√£o compromissos de aceita√ß√£o. S√£o fortes, s√≥lidas e duradouras. N√£o t√™m pressas, t√£o-pouco s√£o instant√Ęneas. O amor encerra infinitos mist√©rios, mas para que surja e possa crescer √© preciso que o aceitem e que nele se queira investir e trabalhar.

A arrog√Ęncia da esp√©cie humana coexiste com um sentimento contradit√≥rio de desprotec√ß√£o total. Nos dias de hoje, todas as na√ß√Ķes, mesmo as mais poderosas, estremecem nas m√£os de algo que nos escapa, um destino cego, um horizonte enevoado. De s√ļbito, o Homem redescobre a sua fragilidade, a sua infinita solid√£o.

Alma Mater

Alma da Dor, do Amor e da Bondade,
Alma purificada no Infinito,
Perdão santo de tudo o que é maldito,
Harpa consoladora da Saudade!

Das estrelas serena virgindade,
Alma sem um soluço e sem um grito,
Da alta Resignação, da alta Piedade!
Tu, que as profundas l√°grimas estancas

E sabes levantar Imagens brancas
No silencio e na sombra mais velada…

Derrama os lírios, os teus lírios castos,
Em Jord√Ķes imortais, vastos e vastos,
No fundo da minh’alma lacerada!

A Vida

√ď grandes olhos outomnaes! mysticas luzes!
Mais tristes do que o amor, solemnes como as cruzes!
√ď olhos pretos! olhos pretos! olhos cor
Da capa d’Hamlet, das gangrenas do Senhor!
√ď olhos negros como noites, como po√ßos!
√ď fontes de luar, n’um corpo todo ossos!
√ď puros como o c√©u! √≥ tristes como levas
De degredados!

√ď Quarta-feira de Trevas!

Vossa luz é maior, que a de trez luas-cheias:
Sois vós que allumiaes os prezos, nas cadeias,
√ď velas do perd√£o! candeias da desgra√ßa!
√ď grandes olhos outomnaes, cheios de Gra√ßa!
Olhos accezos como altares de novena!
Olhos de genio, aonde o Bardo molha a penna!
√ď carv√Ķes que accendeis o lume das velhinhas,
Lume dos que no mar andam botando as linhas…
√ď pharolim da barra a guiar os navegantes!
√ď pyrilampos a allumiar os caminhantes,
Mais os que v√£o na diligencia pela serra!
√ď Extrema-Unc√ß√£o final dos que se v√£o da Terra!
√ď janellas de treva, abertas no teu rosto!
Thuribulos de luar! Luas-cheias d’Agosto!
Luas d’Estio! Luas negras de velludo!
√ď luas negras,

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Evolução

Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:
O que é a luz?
Sol que morreu.

Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:
Vai nesse pó, que há-de ser terra,
A luz extinta.

Gerou a terra a seara verde:
Hastes e folhas da seara verde
Comeram terra.

A seara é grada, o trigo é loiro:
Deu trigo loiro,
Morrendo ela.

O trigo é pão, é carne e é sangue:
Sangue vermelho, carne vermelha,
Trigo defunto.

Em carne e em sangue, eis o desejo:
Vive o desejo,
De carne morta.

Arde o desejo, eis o pecado:
Que s√£o pecados?
Desejos mortos.

Queima o pecado o pecador:
Nasceu a dor; findou na dor
Pecado e morte.

A alma branca, iluminada,
Transfigurada pela dor,
Essa não vai à sepultura
Porque é já Deus na criatura,
Porque é o Espírito, é o Amor.

Na vida v√£ da terra sepulcral
Só o amor é infinito e só ele é imortal.

Morreu a luz,

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Há uma alegria selvagem em estar vivo. Há uma embriaguez da existência. Cada hora é uma amante para o meu desejo infinito.

As certezas s√£o sempre uma vantagem. H√° raz√Ķes contra tudo e a favor de tudo. Qualquer ponto de vista pode ser justificado ou condenado. Al√©m disso, h√° possibilidades infinitas entre o sim e o n√£o. Pouco importa as respostas que escolhas, quem ter√° suficiente autoridade para as julgar? Quem se achar√° com suficiente lucidez para te contradizer? Algu√©m cheio de certezas, n√£o te parece?

O Tipo de Homem que Eu Sou

Agora é necessário que eu deva dizer que tipo de homem sou. O meu nome não importa, nem qualquer outro pormenor exterior particular acerca de mim. Do meu carácter alguma coisa deve ser dita.

Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Nada √© ou pode ser positivo para mim, todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, uma incerteza para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e mudan√ßa. Tudo √© mist√©rio e tudo √© significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidos¬Ľ simb√≥licos do Desconhecido. Consequentemente horror, mist√©rio, medo supra-inteligente.

Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo enquadramento da minha juventude, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isso eu sou das espécies internas de caráter, auto-centrado, mudo, não auto-suficiente mas auto-perdido. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror de, na incapacidade que permeia tudo o que me é, fisicamente e mentalmente, por actos decisivos, por pensamentos definidos. Eu nunca tive uma resolução nascida de uma auto-determinação, nunca uma traição externa de uma vontade consciente. Nenhum dos meus escritos foi terminado;

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A Juventude e a Literatura

Os jovens s√£o, geralmente, melhores ju√≠zes das obras destinadas a estimular sentimentos e imagens do que os homens maduros ou velhos. Mas por outro lado, v√™-se que os jovens que n√£o s√£o educados para a leitura procuram nela um prazer mais do que humano, infinito, e de caracter√≠sticas absurdas; e n√£o encontrando isso nela, desprezam os escritores; o que por vezes acontece tamb√©m noutras idades, por raz√Ķes id√™nticas, com os iliteratos.

E aqueles jovens que se dedicam √†s letras facilmente preferem, n√£o s√≥ quando escrevem mas tamb√©m quando avaliam as obras dos outros, o excessivo ao moderado, a sumptuosidade ou a afecta√ß√£o das express√Ķes e dos ornamentos ao simples e ao natural, e as belezas ilus√≥rias √†s verdadeiras, em parte devido √† sua pouca experi√™ncia e em parte ao arrebatamento pr√≥prio da idade. Donde se deduz que os jovens, que s√£o sem d√ļvida, entre todos os homens, aqueles que est√£o mais dispostos a louvar o que lhes parece bom, por serem mais sinceros e ing√©nuos, raramente s√£o capazes de apreciar a h√°bil e perfeita boa qualidade das obras liter√°rias. Com o avan√ßar dos anos, aumenta a capacidade que se adquire com o treino e diminui a natural. Contudo,

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Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na inc√≥gnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiqu√≠ssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso pa√ļl, glauco pascigo…

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade…

Interrogo o infinito e √†s vezes choro…
Mas estendendo as m√£os no v√°cuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

A Espera Do Prazer

O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo de o esperares. E da inquietação também. Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é. Espera-o no infinito para te não inquietares. E que ele seja depois o prazer que for.
Mas o contrário também é verdadeiro.

Como a ilusão da espécie, a moral força o indivíduo a sacrificar-se pelo futuro: atribui-lhe, aparentemente, um valor infinito, para que, com a consciência do seu valor, tiranize as outras tendências da sua natureza, o subjugue e o impeça de estar satisfeito consigo.

A alma do homem, tão insignificante, sente-se às vezes ultrapassar o mistério infinito da própria existência e procura ansiosa um infinito maior ainda, onde perder-se; é nessas horas que o homem se sente perdoado do nefando crime de ser homem.

A Velocidade do Tempo é Infinita

A velocidade do tempo √© infinita, e s√≥ quando olhamos para o passado, √© que temos consci√™ncia disso. O tempo ilude quem se aplica ao momento presente, de tal modo √© insens√≠vel a passagem do seu curso vertiginoso. Queres saber porqu√™? Porque todo o tempo passado se acumula num mesmo lugar; todo o passado √© contemplado em bloco, forma uma totalidade; todo ele se precipita no mesmo abismo. De resto, n√£o √© poss√≠vel delimitar grandes intervalos nesta nossa vida t√£o breve. A exist√™ncia humana √© um ponto, √© menos que um ponto. S√≥ por tro√ßa √© que a natureza deu a t√£o diminuta exist√™ncia a apar√™ncia de uma grande dura√ß√£o, dividindo-a em inf√Ęncia, em adolesc√™ncia, em juventude, em per√≠odo de transi√ß√£o da juventude √† velhice, finalmente em velhice. Tantos per√≠odos num t√£o ex√≠guo espa√ßo de tempo!
(…) Habitualmente n√£o me parecia t√£o veloz a passagem do tempo; agora, por√©m, parece-me incrivelmente r√°pida, talvez porque sinto aproximar-se o fim, talvez porque passei a dar-lhe aten√ß√£o e a avaliar o desgaste que em mim provoca.
Por isso mesmo me causa indignação ver como as pessoas gastam em futilidades a maior parte de uma vida que, mesmo dispendida com a maior parcimónia,

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O relógio tiquetaqueava. O instante em movimento que, segundo Sir Isaac Newton, separa o passado infinito do infinito futuro avançava inexoravelmente através da dimensão do tempo. Ou, a crer em Aristóteles, um pouco mais do possível a cada instante se tornava real; o presente imobilizava-se e ia incorporando a si o futuro, como um homem que ficasse engolindo para sempre uma fita de macarrão sem fim.

Anoitecer

A luz desmaia num fulgor d’aurora,
Diz-nos adeus religiosamente…
E eu, que n√£o creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui… outrora…

N√£o sei o que em mim ri, o que em mim chora
Tenho b√™n√ß√£os d’amor pra toda a gente!
Como eu sou pequenina e t√£o dolente
No amargo infinito desta hora!

Horas tristes que s√£o o meu ros√°rio…
√ď minha cruz de t√£o pesado lenho!
Meu áspero e intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que n√£o tenho…
Sonhos que s√£o os sonhos dos que eu tive…

Deus, Infinito Ser

Deus, Infinito ser, nunca criado,
Sem princípio, nem fim, na Majestade
Que no trono da Eterna Divindade
Tens o Mundo num dedo dependurado:

Tu estavas em Ti, n√£o foste nado,
O teu Ser era a tua Imensidade,
Tu tiveste por berço a Eternidade,
Tu, sem tempo, em Ti mesmo eras gerado!

Tu és um fogo que arde sem matéria,
Tu és perpétua luz, que não desmaia
Fulgindo, sem cessar, na sala etérea!

Tu és um mar de amor, que não tem praia,
Trovão assustador da esfera aérea,
Rei dum Reino Imortal, que n√£o tem raia!…

Mudar para Melhor

Acredito piamente que enquanto tivermos o privil√©gio de encher o peito de ar e respirar, de pisar o ch√£o quente ou frio de cada esta√ß√£o, de ver as mil cores que temos √† nossa frente, de ouvir as mais belas composi√ß√Ķes que a natureza tem para nos oferecer e de cheirar cada uma das maravilhosas fragr√Ęncias que existem em nosso redor, acredito que enquanto isso nos for poss√≠vel, enquanto nos for poss√≠vel sentir desta maneira e com esta intensidade, √© nossa obriga√ß√£o mudar para melhor, abandonar o que trazemos vestido h√° anos ou desde sempre, revestirmo-nos de uma nova pele e escalar, escalar, escalar at√© nos aproximarmos do nosso c√©u, daquele manto estrelado e infinito que √© o amor por n√≥s mesmos, a plenitude, lugar onde habita, entre outras coisas, a nossa confian√ßa.

O Meu Car√°cter

Cumpre-me agora dizer que esp√©cie de homem sou. N√£o importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. √Č acerca do meu car√°cter que se imp√Ķe dizer algo.
Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Para mim, nada √© nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e muta√ß√£o. Tudo √© mist√©rio, e tudo √© prenhe de significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidas¬Ľ, s√≠mbolos do Desconhecido. O resultado √© horror, mist√©rio, um medo por de mais inteligente.
Pelas minhas tend√™ncias naturais, pelas circunst√Ęncias que rodearam o alvor da minha vida, pela influ√™ncia dos estudos feitos sob o seu impulso (estas mesmas tend√™ncias) – por tudo isto o meu car√°cter √© do g√©nero interior, autoc√™ntrico, mudo, n√£o auto-suficiente mas perdido em si pr√≥prio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu car√°cter consiste no √≥dio, no horror e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, f√≠sica e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decis√£o nascida do autodom√≠nio, jamais tra√≠ externamente uma vontade consciente. Os meus escritos,

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