Passagens sobre Infinito

510 resultados
Frases sobre infinito, poemas sobre infinito e outras passagens sobre infinito para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Deus é o caminho mais curto entre o zero e o infinito, tanto numa direcção como na outra.

Somos Traídos pela Nossa Própria Percepção e Experiência

Vemos muito bem que as coisas não se alojam em nós com a sua forma e essência, e não penetram em nós pela sua própria força e autoridade; porque, se assim fosse, recebê-las-íamos do mesmo modo: o vinho seria o mesmo na boca do doente e na boca do homem são. Quem tem os dedos gretados, ou que os tem entorpecidos, encontraria na lança ou na espada que maneja uma rigidez semelhante à que o outro encontra. Os objetos externos rendem-se então à nossa mercê; alojam-se em nós como nos apraz. Ora, se da nossa parte recebêssemos alguma coisa sem alteração, se as faculdades humanas fossem bastante capazes e firmes para apreender a verdade pelos nossos próprios meios, esses meios sendo comuns a todos os homens, essa verdade se transmitiria de mão em mão de um para outro. E pelo menos se encontraria uma coisa no mundo, entre tantas que há, que seria acreditada pelos homens por um consenso universal. Mas o facto de não se ver proposição alguma que não seja debatida e controversa entre nós, ou que não o possa ser, mostra bem que o nosso julgamento natural não apreende muito claramente aquilo que apreende; pois o meu julgamento não pode fazer com que isso seja aceite pelo julgamento do meu companheiro,

Continue lendo…

Futuro Condicionado pelo Passado

O presente estaria cheio de todos os futuros, se j√° o passado n√£o projetasse sobre ele uma hist√≥ria. Mas, infelizmente, um √ļnico passado prop√Ķe um √ļnico futuro – projeta-o diante de n√≥s como um ponto infinito sobre o espa√ßo.

Imitadores

Os homens n√£o descendem dos macacos, mas desenvolvem todos os esfor√ßos para o fazer crer. O pecado original aproximou-nos dos animais e toda a alma √©, de uma maneira ou de outra, uma crestomia zool√≥gica. O que Dante diz das ovelhas – ¬ęe o que uma faz primeiro as outras imitam¬Ľ – poder-se-ia aplicar a quase todos n√≥s.
Desde que Ad√£o resolveu imitar Eva e mordeu o fruto, somos, a despeito da nossa ilus√£o em contr√°rio, uma sucess√£o infinita de c√≥pias. Um √ļnico cunho – em regra, chamado g√©nio – basta para imprimir milhares e milhares daquelas moedas vulgares que circulam pela Terra. E o g√©nio nem sempre se liberta da servid√£o universal da imita√ß√£o. Toda a vida √© um mosaico de pl√°gios.
A maioria imita por preguiça, para se poupar o trabalho de procurar e inventar, ou por prudência, que aconselha os caminhos percorridos e as experiências coroadas de êxito. Compreende-se que a humildade, embora rara, leve naturalmente quem a possui a imitar aqueles que reconhece superiores, mas a própria soberba, que deveria afastar da repetição, torna-nos macacos. Se viver é distinguir-se, o orgulhoso deveria providenciar para não se parecer com ninguém. Mas a inveja, sob a sonante designação da emulação,

Continue lendo…

Humana Condição

Um sonhar-me distante, um longe incrível
√Č agora o meu estado: Eu sonho o Espa√ßo
Que se fixa no mundo ao invisível
Como se o mundo andasse por meu braço,

Existo além: Sou o animal temível
De Jesus com o mundo-Deus na m√£o.
Sou para além do mundo concebível
Onde morre e começa a criação.

Eu, homem, sondo e meço o Infinito;
Sou corpo e espírito, esse corpo oculto,
E é só na mão de Deus que ressuscito.

E chamam a isto humana condi√ß√£o …
Um nada, e tudo: ‚ÄĒ Vivo e me sepulto
Dentro e fora do próprio coração.

Mas nem a dor humana é infinita, pois nada há humano de infinito, nem a nossa dor vale mais do que ser uma dor que nós temos.

Foi n’uma Tarde de Julho

Foi n’uma tarde de Julho.
Conversávamos a mêdo,
– Receios de trahir
Um tristissimo segrêdo.

Sim, duvid√°vamos ambos:
Elle n√£o sabia bem
Que o amava loucamente
Como nunca amei ninguem.
E eu n√£o acreditava
Que era por mim que o seu olhar
De lagrimas se toldava…

Mas, a duvida perdeu-se;
Fallou alto o coração!
РE as nossas taças
Foram erguidas
Com infinita perturbação!

Os nossos braços
Formaram laços.

E, aos beijos, ébrios, tombámos;
– Cheios d’am√īr e de vinho!

(Uma suplica so√°va:)

¬ęAgora… morre commigo,
Meu am√īr, meu am√īr… devagarinho!…¬Ľ

Atravess√°mos e Vencemos Tudo

Olho para o passado com embriagu√™s, mas n√£o √© com menos deslumbramento que encaro o nosso futuro. Eis-nos, agora, um do outro para todo o sempre, sem ansiedades, sem inquieta√ß√Ķes, sem ang√ļstias. Atravess√°mos e vencemos tudo o que era mau e que poderia ser fatal. Estamos na plena posse dos nossos dois destinos fundidos num s√≥. O nosso amor n√£o ter√° a frescura dos primeiros tempos, mas √© um amor posto √† prova, um amor que conhece a sua for√ßa, e que mesmo para al√©m do t√ļmulo, espera ser infinito. O amor, quando nasce, s√≥ v√™ a vida, o amor que dura v√™ a eternidade.

Para n√£o Deixar de Amar-te Nunca

Saber√°s que n√£o te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para n√£o deixar de amar-te nunca:
por isso n√£o te amo ainda.

Amo-te e n√£o te amo como se tivesse
nas minhas m√£os a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando n√£o te amo
e por isso te amo quando te amo.

Eternos Atalaias

Os sentimentos servem de atalaias
Para guiar as multid√Ķes errantes
Que caminham tremendo, vacilantes
Pelas desertas, infinitas praias…

Abrangendo da Terra as fundas raias,
Atingindo as esferas mais distantes,
S√£o como incensos, mirras odorantes,
Miraculosas, f√ļlgidas alfaias.

Tudo em que logo transfiguram,
Encantam tudo,tudo em torno apuram,
Penetram, sem cessar, por toda parte.

Alma por alma em toda a parte enflamam.
E grandes, largos, imortais, derramam
As melanc√≥licas estrelas d’Arte!

Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito.

Quando Chegar esse Momento

Meu querido, que √©s o meu querido. Tanto que eu esperei por isto, meu amor bendito. Tantas noites acordada a olhar para o tecto do quarto, a noite inteira a passar t√£o devagarinho e eu sempre a pensar: quando chegar esse momento, quando chegar esse momento. E agora, finalmente, finalmente. Em certos dias, eu at√© me parecia que… (passa a m√£o pelo rosto) Mas o que √© que √© preciso fazer, pensava eu. Se houvesse alguma coisa para fazer, eu tinha feito. Nem que fosse… Eu sei l√°. Eu fiz tanta coisa, meu doce. E eu sempre a pensar: quando chegar esse momento, quando chegar esse momento. Eu at√© me parecia que… (passa a m√£o pelo rosto) Mas passou-se tudo. E agora, finalmente, finalmente. D√° c√° um bocan√ßo, meu santo amor. D√° c√° o nosso primeiro bocan√ßo de casados. Agora, podemos descansar, temos a vida toda √† nossa frente.

(O tempo permanece suspenso e infinito.)

A Felicidade Est√° Fora da Nossa Realidade

O amoroso apaixonado j√° n√£o vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus org√£os, podeis dizer com raz√£o que ele enlouquece. As express√Ķes correntes n√£o querem dizer outra coisa: ¬ęN√£o est√° em si… Volta a ti… Ele voltou a si.¬Ľ E quanto mais perfeito √© o amor, maior a loucura e mais feliz.
Quem ser√°, pois, essa vida no C√©u, √† qual aspiram t√£o ardentemente as almas piedosas? O esp√≠rito, mais forte e vitorioso, absorver√° o corpo; isto ser√° tanto mais f√°cil quanto mais purificado e extenuado tiver sido o corpo durante a vida. Por sua vez, o esp√≠rito ser√° absorvido pela suprema Intelig√™ncia, cujos poderes s√£o infinitos. Assim se encontrar√° fora de si mesmo o homem inteiro e a √ļnica raz√£o da sua felicidade ser√° de n√£o mais se pertencer, mas de submeter-se a este soberano inef√°vel, que tudo atrai a si.
Uma tal felicidade, é certo, só poderá ser perfeita no momento em que as almas, dotadas de imortalidade, retomem os antigos corpos. Mas, como a vida dos piedosos não é mais do que a meditação sobre a eternidade e como que a sombra dela,

Continue lendo…

A Distração e a Categorização da Vida

Mas tu, meu amgo, onde est√°s? Sobre a tua sorte, quanta coisa fascinante e absurda imagin√°mos! No entanto, tudo isso que imagin√°mos, v√™ tu, quantas vezes o n√£o foi tanto como resposta para as nossas interroga√ß√Ķes, como um motivo para nos distrairmos mais ainda… Porque a distrac√ß√£o √© a parte mais rebelde e a mais insidiosa da nossa condi√ß√£o. Ela infilta-se-nos n√£o apenas no nosso consentimento, nas tr√©guas que nos damos, mas at√© mesmo no que √© uma conquista da nossa rara grandeza.

A arte, o hero√≠smo, a pr√≥pria evid√™ncia da vertigem, do milagre, os sonhos da reden√ß√£o e da nobreza, tudo o que √© da nossa profunda unidade, um nada o reabsorve em solidez, em moeda de compra-e-venda para a transaccionarmos com os outros no mercado da vaidade, do passatempo, na grande feira da vida. H√° uma dist√Ęncia infinita entre a apari√ß√£o da verdade, a imediata evid√™ncia de seja o que for, e at√© mesmo o seu reconhecimento: quando olhamos a evid√™ncia pela segunda vez, j√° ela est√° alinhada, classificada, endurecida entre as coisas que nos cercam. Eis porque n√≥s ignoramos ou esquecemos depressa a face do que h√° de estranho nos factos mais banais: no da vida,

Continue lendo…

O caminho √© infinito, n√£o h√° nada a subtrair ou acrescentar e, no entanto, todos insistem na pr√≥pria medida infantil. ¬ęCertamente que precisas de percorrer mais esse c√īvado de caminho, isso n√£o te ser√° negado¬Ľ.

A complexidade das coisas ‚Äď as coisas dentro das coisas ‚Äď parece ser infinita. Quero dizer que nada √© f√°cil, nada √© simples.

Génios

……………………………….
……………………………….
E disse-me: Poeta, ao longe no horizonte
Não vês quase a lamber a abóbada do céu
Brilhante e luminoso um t√ļmido escarc√©u?
Como alvacento le√£o, na r√°pida carreira
Vem sacudindo a juba… A natureza inteira
Cisma, contempla, escuta o c√Ęntico profundo
Em trágico silêncio. O Sol já moribundo
Resvala-lhe no dorso, iria-lho de chamas,
Como dum monstro enorme as f√ļlgidas escamas…
Rugindo enovelada em turbilh√£o insano,
A vaga colossal, rasoira do oceano,

L√° vem rolando grave, e deixa ao caminhar
Um campo atr√°s dum monte, um lago atr√°s dum
[mar!
Qual l√ļcida serpente agora ei-la decresce
Em curva indefinida;‚ÄĒalonga-se… parece
Que a terra há-de estoirar em brancos estilhaços
No círculo fatal dos seus enormes braços.
Como galope infrene! Ei-la que chega!… voa
Num ímpeto feroz, num salto de leoa
Aos rudes alcantis! e em hórrida tormenta
Na rígida tranqueira o vagalhão rebenta,
Bramindo pelo ar: trepa, vacila, nuta,
E ex√Ęnime por fim, vencida nesta luta,
Sem voz, sem força, inerte, exausta, esfarrapada   .
L√° vai… aonde a leve a r√≠spida nortada.

Continue lendo…

Horizontes de Eternidade

A morte não é um acontecimento da vida. A morte não pode ser vivida. Caso se compreenda por eternidade não uma duração temporal infinita, mas a intemporalidade, quem vive no presente é quem vive eternamente. A nossa vida é tanto mais sem fim quanto mais o nosso campo de visão não tem limites.

√ďdio Sagrado

√ď meu √≥dio, meu √≥dio majestoso,
Meu ódio santo e puro e benfazejo,
Unge-me a fronte com teu grande beijo,
Torna-me humilde e torna-me orgulhoso.

Humilde, com os humildes generoso,
Orgulhoso com os seres sem Desejo,
Sem Bondade, sem Fé e sem lampejo
De sol fecundador e carinhoso.

√ď meu √≥dio, meu l√°baro bendito,
Da minh’alma agitado no infinito,
Através de outros lábaros sagrados.

√ďdio s√£o, √≥dio bom! s√™ meu escudo
Contra os vil√Ķes do Amor, que infamam tudo,
Das sete torres dos mortais Pecados!