Cita√ß√Ķes sobre Roda

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Frases sobre roda, poemas sobre roda e outras cita√ß√Ķes sobre roda para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

D√≠vidas de amor s√≥ as paga o amor, o amor silencioso, o amor cuja linguagem balbuciam os anjos, o amor, que faz seu ninho nas fibras √≠ntimas do seio, e a√≠ morre, quando o peso de uma pedra fria lhe esmaga o santo asilo. (…) √Č esse amor que impele o homem; todos os c√°lculos da cabe√ßa abortam, n√£o vingam, se os n√£o sancciona o benepl√°cito da for√ßa motriz, que roda os eixos desta m√°quina quebradi√ßa, chamada vida.

Um Povo Errado

Uma volta que teve por polos Mafra e o Estoril. Um passeio à roda da nossa história e do nosso mundo do capital. Mais uma tentativa para compreender como foi possível no passado português construir um convento daqueles, e é possível construir no presente português um paraíso destes. Decididamente, fomos, somos e seremos um povo errado. Um povo que não encontra nem o seu destino, nem os seus homens. E lá estava, depois do estendal de mármore e do morro de luxo, a prová-lo, o singelo monumento erguido no sítio onde foram lançadas as cinzas de Gomes Freire enforcado.

Encarei a chefia, n√£o s√≥ como um eixo √† roda do qual revolvia a vida comunit√°ria mas como a chave para posi√ß√Ķes de influ√™ncia, poder e estatuto.

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende √© mais chuva a bater na vidra√ßa…

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidra√ßas da igreja vistas de fora s√£o o som da chuva ouvido por dentro …

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Atrav√©s da chuva que √© ouro t√£o solene na toalha do altar…

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a √°gua no fato de haver coro…

A missa é um automóvel que passa
Atrav√©s dos fi√©is que se ajoelham em hoje ser um dia triste…
S√ļbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de autom√≥vel…

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa …

Mensagem РMar Português

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, j√° n√£o separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II. Horizonte

√ď mar anterior a n√≥s, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
’Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da long√≠nqua costa ‚ÄĒ
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em √°rvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, h√° aves,

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Iniciação

Entre pedras afiadas,
a janela por abrir.
Alguém o acompanha

nos recados da manh√£:
sal 12 pães 1 kg de maçãs
fósforos canela.

Ao sair da mercearia,
roubaram-lhe os pedais da bicicleta,
a roda de ora√ß√Ķes.

M√£e, quis saber,
quem tomou conta de mim
quando eras pequenina?

A Curva dos Teus Olhos

A curva dos teus olhos d√° a volta ao meu peito
√Č uma dan√ßa de roda e de do√ßura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se j√° n√£o sei tudo o que vivi
√Č que os teus olhos n√£o me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Tradução de António Ramos Rosa

√Č sempre assim o curso dos fatos que movem as rodas do mundo: as m√£os pequenas os realizam porque precisam, enquanto os olhos dos grandes est√£o voltados para outros lugares.

Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma ang√ļstia j√° purificada

N√£o tu n√£o podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avan√ßa mugindo pelo t√ļnel
de uma velha dor

N√£o podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocr√°tico
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
√† alegria son√Ęmbula √† v√≠rgula man√≠aca
do modo funcion√°rio de viver

N√£o podias ficar nesta cama comigo
em tr√Ęnsito mortal at√© ao dia s√≥rdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

N√£o podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela m√£o
a esta dor portuguesa
t√£o mansa quase vegetal

N√£o tu n√£o mereces esta cidade n√£o mereces
esta roda de n√°usea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa raz√£o absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives n√£o de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva t√£o terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

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Poesia Depois da Chuva

A Maria Guiomar

Depois da chuva o Sol Рa graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
Рluz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um p√°ssaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco Рcal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

T√£o alegre este Sol! H√° Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, n√£o duvidava agora.)
√ď Tarde virgem, Senhora Aparecida! √ď Tarde igual
às manhãs do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.
Gr√°cil, t√£o gr√°cil!… Pura imagem da Tarde…
Flor levada nas √°guas, mansamente…

(Flu√≠a a luz, num fluir impercept√≠vel quase…)

O sistema socialista acabará por substituir o sistema capitalista; essa é um lei objetiva, independente da vontade do homem. Por muito que os reacionários tendem impedir o avanço da roda da história, tarde ou cedo a revolução se fará e conquistará inevitavelmente a vitória.

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Esta inconstancia de mim próprio em vibração
√Č que me ha de transp√īr √†s zonas interm√©dias,
E seguirei entre cristais de inquietação,
A retinir, a ondular… Soltas as r√©deas,
Meus sonhos, le√Ķes de fogo e pasmo domados a tirar
A t√īrre d’ouro que era o carro da minh’Alma,
Transviar√£o pelo deserto, muribundos de Luar –
E eu s√≥ me lembrarei num baloi√ßar de palma…
Nos o√°sis, depois, h√£o de se abismar gumes,
A atmosfera ha de ser outra, noutros planos:
As r√£s h√£o de coaxar-me em roucos tons humanos
Vomitando a minha carne que comeram entre estrumes…

*       *       *

H√° sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos…
A cada passo a minha alma é outra cruz,
E o meu cora√ß√£o gira: √© uma roda de c√īres…
N√£o sei aonde vou, nem vejo o que persigo…
J√° n√£o √© o meu rastro o rastro d’oiro que ainda sigo…
Resvalo em pontes de gelatina e de bol√īres…
Hoje, a luz para mim √© sempre meia-luz…

. . . . . . . . . . .

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O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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Trevas

De dia n√£o se via nada, mas p’la tardinha j√° se apercebia gente que vinha de punhaes na m√£o, devagar, silenciosamente, nascendo dos pinheiros e morrendo nelles. E os punhaes n√£o brilhavam: eram luzes distantes, eram guias de len√ßoes de linho escorridos de hombros franzinos. E a briza que vinha dava gestos de azas vencidas aos len√ßoes de linho, azas brancas de gar√ßas ca√≠das por faunos ca√ßadores. E o vento segredava por entre os pinheiros os m√™dos que nasciam.

E vinha vindo a Noite por entre os pinheiros, e vinha descal√ßa com p√©s de surdina por m√īr do barulho, de bra√ßos estendidos p’ra n√£o topar com os troncos; e vinha vindo a noite c√©guinha como a lanterna que lhe pendia da cinta. E vinha a sonhar. As sombras ao v√™-la esconderam os punhaes nos peitos vazios.

A lua √© uma laranja d’oiro num prato azul do Egypto com perolas desirmanadas. E as silhuetas negras dos pinheiros embaloi√ßados na briza eram um bailado de estatuas de sonho em vitraes azues. M√£os ladras de sombra lev√°ram a laranja, e o prato enlutou-se.

Por entre os pinheiros esgalgados, por entre os pinheiros entristecidos, havia gemidos da briza dos tumulos,

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Se as rodas de uma engrenagem giram plenamente, é porque há espaço (ou folga) entre elas. Se não houvesse um mínimo espaço entre elas, seus dentes se quebrariam quando o maquinismo fosse acionado.

Vaidade e Vanglória

Era uma linda inven√ß√£o de Esopo a do moscardo que, sentado no eixo da roda, dizia: ¬ęQuanta poeira fa√ßo levantar!¬Ľ Assim h√° muitas pessoas v√£s que quando um neg√≥cio marcha por si ou vai sendo movido por agentes mais importantes, desde que estejam relacionados com ele por um s√≥ pormenor, imaginam que s√£o eles quem conduz tudo: os que t√™m que ser facciosos, porque toda a vaidade assenta em compara√ß√Ķes. T√™m de ser necessariamente violentos, para fazerem valer as suas jact√Ęncias. N√£o podem guardar segredo, e por isso n√£o s√£o √ļteis para ningu√©m, mas confirmam o prov√©rbio franc√™s: Beaucoup de bruit, peu de fruit.
Este defeito não é, porém, sem utilidade para os negócios políticos: onde houver uma opinião ou uma fama a propagar, seja de virtude seja de grandeza, esses homens são óptimos trombeteiros.
(…) A vaidade ajuda a perpetuar a mem√≥ria dos homens, e a virtude nunca foi considerada pela natureza humana como digna de receber mais do que um pr√©mio de segunda m√£o. A gl√Ķria de C√≠cero, de S√©neca, de Pl√≠nio o Mo√ßo, n√£o teria durado tanto tempo se eles n√£o fossem de algum modo vaidosos; a vaidade √© como o verniz, que n√£o s√≥ faz brilhar,

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