Cita√ß√Ķes sobre Trigo

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Frases sobre trigo, poemas sobre trigo e outras cita√ß√Ķes sobre trigo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Marília De Dirceu

Soneto 1

√Č gentil, √© prendada a minha Alt√©ia;
As graças, a modéstia de seu rosto
Inspiram no meu peito maior gosto
Que ver o próprio trigo quando ondeia.

Mas, vendo o lindo gesto de Dircéia
A nova sujeição me vejo exposto;
Ah! que é mais engraçado, mais composto
Que a pura esfera, de mil astros cheia!

Prender as duas com grilh√Ķes estritos
√Č uma a√ß√£o, √≥ deuses, inconstante,
Indigna de sinceros, nobres peitos.

Cupido, se tens dó de um triste amante,
Ou forma de Lorino dois sujeitos,
Ou forma desses dois um só semblante.

Improviso

Nem só de chuva
se tece a nuvem
nem só de evento
se inventa o vento.

Nem só de fala
se engendra o grito
nem só de fome
prospera o trigo.

Nem só de raiva
arde a met√°fora
nem só de enigmas
se enfeita o nada.

Nem só de parca
o céu nos singra
nem só de pão
se morre à míngua

Nem só de pégaso
escapa o seio
para essa concha
partida ao meio.

Provençal

Em um solar de algum dia
Cheiinho de alma e valia,
Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi

Como dantes inda vasto
Agora
N√£o tinha pombas nem mel.
E à opulência de outrora,
Esmoronado e j√° gasto,
Pedia m√£os de alvenel.

Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi.

O seu chapéu, que trazia
Do calor contra as ardências,
Era o que a pena daria
Num certo sabor e arrimo
Com jeitos de circunferências
A morrer todas no cimo.

Davam-lhe franco nos ombros
As pontas do lenço branco:
E sem que ninguém as ouça,
Eram palavras da moça
Com a voz alta de chamar;

Palavras feitas em gesto,
Igualzinho e manifesto,
Como um relance de olhar.

E bela, fechada em gosto,
Fazia o seu rosto dela
A gente mestre de amar.

Foi num solar de algum dia,
Cheiinho de alma e valia,
Que eu disse de mim para ela
Por este falar assim:

Vem, meu amor!

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O Deus P√£ n√£o Morreu

O Deus P√£ n√£o morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres ‚ÄĒ
Cedo ou tarde vereis
Por l√° aparecer
O deus P√£, o imortal.

N√£o matou outros deuses
O triste deus crist√£o.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
P√£ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses s√£o os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha den√ļncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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A Redução do Pensamento à Palavra

O homem parecia ter desapontadamente perdido o sentido do que queria anotar. E hesitava, mordia a ponta do l√°pis como um lavrador embara√ßado por ter que transformar o crescimento do trigo em algarismos. De novo revirou o l√°pis, duvidava e de novo duvidava, com um respeito inesperado pela palavra escrita. Parecia-lhe que aquilo que lan√ßasse no papel ficaria definitivo, ele n√£o teve o desplante de rabiscar a primeira palavra. Tinha a impress√£o defensiva de que, mal escrevesse a primeria, e seria tarde demais. T√£o desleal era a pot√™ncia da mais simples palavra sobre o mais vasto dos pensamentos. Na realidade o pensamento daquele homem era apenas vasto, o que n√£o o tornava muito utiliz√°vel. No entanto parece que ele sentia uma curiosa repulsa em concretiz√°-lo, e at√© um pouco ofendido como se lhe fizessem proposta d√ļbia.

Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

√Āfrica

Na partilha das s√°faras conquistas
Desta Líbia de mouros rancorosos,
O Deserto foi dado aos Poderosos
E o Oásis, florido e mínimo, aos Artistas.

E os felizes, quais s√£o? Os mil sofistas
Da Ventura, a pedir, de olhos gulosos,
Terra e mais terra? Ou o que limita os gozos
E em sete palmos acomoda as vistas?

Certo, não sereis vós, ó Donatários
Do alvo Deserto, que velais, em guerra,
A √°urea carga dos vossos dromed√°rios.

Mas, tu, ó Poeta, que, por onde fores,
Teus sete palmos h√°s de achar na terra
Abrindo em trigo, rebentado em flores!

Desta √Āgua n√£o Beberei

Desta √°gua n√£o beberei
é um dito mui comum;
mas de vós não diz nenhum
deste p√£o n√£o comerei,
porque muito certo sei
que quem p√£o alheio achou
que dele muito gostou,
seja de trigo ou centeio,
porque comer p√£o alheio
a ninguém enfastiou.

A Certeza na Vitória

Ningu√©m pode ir para a batalha a menos que esteja plenamente convencido da vit√≥ria em antem√£o. Se come√ßarmos sem confian√ßa, j√° perdemos metade da batalha e enterramos os nossos talentos. Enquanto dolorosamente conscientes das nossas pr√≥prias fraquezas, temos que marchar sem ceder, tendo em mente o que o Senhor disse a S√£o Paulo: ¬ęA minha gra√ßa te basta, porque o poder se aperfei√ßoa na fraqueza¬Ľ (2 Cor 12: 9). O triunfo crist√£o √© sempre uma cruz, mas uma cruz que √© ao mesmo tempo uma bandeira vitoriosa suportada com ternura agressiva contra os assaltos do mal. O esp√≠rito maligno de derrotismo √© irm√£o da tenta√ß√£o de se separar, antes do tempo, o trigo do joio; √© o fruto de uma ansiosa e auto-centrada falta de confian√ßa.

√Č por Ti que Escrevo

√Č por ti que escrevo que n√£o √©s musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
√Č porque amo a c√°lida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de √°gua iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a t√ļmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um o√°sis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

No Mundo, só Comigo, me Deixaram

No mundo, só comigo, me deixaram
Os deuses que disp√Ķem.
N√£o posso contra eles: o que deram
Aceito sem mais nada.
Assim, o trigo baixa ao vento, e, quando
O vento cessa, ergue-se.

Portugal

Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa p√°tria… E que p√°tria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abund√Ęncia, amor, conc√≥rdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
P√°tria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torre√£o de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, basti√Ķes, barbac√£s, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor,

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Soneto de Mal Amar

Invento-te    recordo-te   distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ci√ļme atormentada
a provar-me que ainda n√£o estou morto.

E as coisas que eu n√£o disse? Que n√£o digo:
Meu terraço de ausência    meu castigo
meu p√Ęntano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
ch√£o das palavras m√°goa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.

As Balas

D√° o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais o azeite nos é dado
D√° a cama e a mesa o verde pinho
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a chuva o Inverno criador
As sementes da sulcos o arado
No lar a lenha em chama d√° calor
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos cora√ß√Ķes d√° amor renascido
As balas d√£o o sangue derramado

D√° o Sol as searas pelo Ver√£o
O fermento ao trigo amassado
No esbraseado forno d√° o p√£o
As balas d√£o o sangue derramado

D√° cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
D√° a conquista um puro sentimento
As balas d√£o o sangue derramado

Do meditar, concluir, ir e fazer
D√° sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a certeza o querer e o concluir
O que tanto nos nega o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que o sangue derramado

Que as balas só dão sangue derramado
Só roubo e fome e sangue derramado
Só ruína e peste e sangue derramado
Só crime e morte e sangue derramado.

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Três Coisas não se Sofrem sem Discórdia

Pr√≠ncipes de condi√ß√£o, ainda que o sejam de sangue, s√£o mais enfadonhos que a pobreza; fazem, com sua fidalguia, com que lhe cavemos fidalguias de seus av√≥s, onde n√£o h√° trigo t√£o joeirado que n√£o tenha alguma ervilhaca. J√° sabeis que ¬ębasta um frade ruim para dar que falar a um convento¬Ľ. Tr√™s cousas n√£o se sofrem sem disc√≥rdia: companhia, namorar, mandar vil√£o ruim sobre cousa de seu interesse. N√£o se pode ter paci√™ncia com quem quer que lhe fa√ßam o que n√£o faz. Desagradecimentos de boas obras, destruem a vontade para n√£o faz√™-las a amigo, que tem mais conta com o interesse que com a amizade; rezai dele, que √© dos c√° nomeados.

Foederis Arca

Vis√£o que a luz dos Astros louros trazes,
Papoula real tecida de neblinas
Leves, etéreas, vaporosas, finas,
Com aromas de lírios e lilazes.

Brancura virgem do cristal das frases,
Neve serene das regi√Ķes alpinas,
Willis juncal de m√£os alabastrinas,
De fugitivas corre√ß√Ķes vivazes.

Floresces no meu Verso como o trigo,
O trigo de ouro dentre o sol floresce
E √©s a suprema Religi√£o que eu sigo…

O Missal dos Missais, que resplandece,
A igreja soberana que eu bendigo
E onde murmuro a solit√°ria prece!…