Cita√ß√Ķes sobre Casacos

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Frases sobre casacos, poemas sobre casacos e outras cita√ß√Ķes sobre casacos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

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O Preço da Vaidade

Se o que se deseja é apenas dar sustento à natureza, bastam três libras esterlinas por ano, segundo a estimativa de William Petty; mas, como os tempos andam muito alterados, vamos supor seis libras. Essa quantia permitirá encher a pança, obter proteção contra as intempéries do clima, e até mesmo a compra de um casaco resistente, desde que feito de um bom couro de boi. Agora, tudo o que vá além disso é artificial e será desejado com vista a obter um maior grau de respeito dos nossos concidadãos. E, se seiscentas libras por ano proporcionam a um homem mais distinção social e, é claro, mais felicidade do que seis libras por ano, a mesma proporção vai-se manter para seis mil, e assim por diante, até onde se possa levar a opulência. Talvez o dono de uma grande fortuna possa não ser tão feliz como alguém que tem menos; mas isso decorrerá de outras causas que não a posse da grande fortuna.

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Esta inconstancia de mim próprio em vibração
√Č que me ha de transp√īr √†s zonas interm√©dias,
E seguirei entre cristais de inquietação,
A retinir, a ondular… Soltas as r√©deas,
Meus sonhos, le√Ķes de fogo e pasmo domados a tirar
A t√īrre d’ouro que era o carro da minh’Alma,
Transviar√£o pelo deserto, muribundos de Luar –
E eu s√≥ me lembrarei num baloi√ßar de palma…
Nos o√°sis, depois, h√£o de se abismar gumes,
A atmosfera ha de ser outra, noutros planos:
As r√£s h√£o de coaxar-me em roucos tons humanos
Vomitando a minha carne que comeram entre estrumes…

*       *       *

H√° sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos…
A cada passo a minha alma é outra cruz,
E o meu cora√ß√£o gira: √© uma roda de c√īres…
N√£o sei aonde vou, nem vejo o que persigo…
J√° n√£o √© o meu rastro o rastro d’oiro que ainda sigo…
Resvalo em pontes de gelatina e de bol√īres…
Hoje, a luz para mim √© sempre meia-luz…

. . . . . . . . . . .

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O Segredo das Mulheres

Como os homens andam sempre atrasados em relação às mulheres (porque só pensam numa coisa de cada vez e acham que falar acerca das coisas é pior do que fazê-las), quem sabe se não é estudando o comportamento feminino de hoje que poderemos vislumbrar o nosso macaquismo masculino de amanhã?
As mulheres de hoje sabem quem lhes pode fazer mal: são as outras mulheres. Os homens, por muito amados e queridos, nem sequer são considerados competidores. São como são, têm a inteligência e o material que têm Рe que Deus os abençoe por ser assim, como os pêssegos-rosa e os arcos-íris e todos os outros fenómenos naturais que são difíceis de prever e de controlar.

O segredo das mulheres, que nenhum homem pode perceber, a n√£o ser que seja amado por alguma que se sinta suficientemente amada por um para lhe contar mais do que o suficiente para ele continuar a existir tal como √© (que mais n√£o se lhe pede) √©: os homens n√£o entram na equa√ß√£o. √Č tudo uma quest√£o entre elas.
Elas s√£o espertas. √Č por isso que morrem de medo umas das outras. Conhecem o perigo e sabem quem pode emperig√°-las.

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Conselhos A Qualquer Tolo Para Parecer Fidalgo, Rico E Discreto

Bote a sua casaca de veludo,
E seja capit√£o sequer dois dias,
Converse à porta de Domingos Dias,
Que pega fidalguia mais que tudo.

Seja um magano, um pícaro, um cornudo,
Vá a palácio, e após das cortesias
Perca quanto ganhar nas mercancias,
E em que perca o alheio, esteja mudo.

Sempre se ande na caça e montaria,
Dê nova solução, novo epíteto,
E diga-o, sem propósito, à porfia;

Quem em dizendo: “fac√ß√£o, pretexto, efecto”.
Ser√° no entendimento da Bahia
Mui fidalgo, mui rico, e mui discreto.

Avarento

Puxando um avarento de um pataco
Para pagar a tampa de um buraco
Que tinha j√° nas abas do casaco,
Levanta os olhos, vê o céu opaco,
Revira-os fulo e d√° com um macaco
Defronte, numa loja de tabaco…
Que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele ent√£o
Na força da paixão:
‚ÄĒ H√° casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele…
E at√© a mim… por ele.

Tinha raz√£o,
Quanto a mim.
Quem não tem coração,
Quem n√£o tem alma de satisfazer
As niquices da civilização,
Homem n√£o deve ser;
Seja saguim,
Que escusa tanga, escusa langotim:
V√° para os matos,
J√° n√£o sofre tratos
A calçar botas, a comprar sapatos;
Viva nas tocas como os nossos ratos,
E coma cocos, que s√£o mais baratos!

A Guerra

Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Hor√°cio e de Juvenal,

Agora os ver√°s queimar,
j√° que em v√£o os fecho e os sumo;
e leve o vol√ļvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.

Se tu de ferir n√£o cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa d√°-las ao vento,
se podem achar cabeças?

Tendo as s√°tiras por boas,
do Parnaso nos dois cumes
em hora negra revoas;
tu d√°s golpes nos costumes,
e cuidam que é nas pessoas.

Deixa esquipar Inglaterra
cem naus de alterosa popa,
deixa regar sangue a terra.
Que te importa que na Europa
haja paz ou haja guerra?

Deixa que os bons e a gentalha
brigar ao Casaca v√£o,
e que, enquanto a turba ralha,
v√° recebendo o balc√£o
os despojos da batalha.

Que tens tu que ornada história
diga que peitos ferinos,

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SMS

Ela caminha já a tarde vai alta pelo passeio que segue paralelo ao mar, por cima das praias. Em baixo, a areia estende-se vazia até à água, acabando numa espuma branca, das ondas que rebentam com o fragor dos dias de Inverno. Vai sozinha. Cruza-se com jovens a passo de corrida, outros que deslizam em patins, um casal com o filho pequeno feliz na sua bicicleta de rodinhas, acompanhado por um cãozinho saltitante que corre para a frente e para trás em redor dele.
Leva na m√£o o telem√≥vel e nos olhos castanhos brilhantes uma esperan√ßa. Vai pensativa e sem horas, caminhando sem pressa, reparando nas pessoas, no mar desabrido que se atira √† praia, no ar fresco que respira, no vento que se levanta com uma promessa de tempestade. Cruza o casaco grosso, azul-escuro, √† frente do peito, sem apertar os bot√Ķes. Cruza os bra√ßos. Uma folha de jornal passa por ela a esvoa√ßar, not√≠cias antigas, pensa divertida, logo se concentrando no navio de carga iluminado que vem de Lisboa e ruma ao mar aberto com o vagar de quem tem um destino certo num dia certo.

Acaba por apertar os bot√Ķes do casaco e levantar a gola para se sentir mais protegida do vento,

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Tenho sido muito curioso em reparar na maneira como se vestem alguns homens, que pretendem distinguir-se na sociedade, seja pelo que f√īr. Tive sempre para mim que a primeira condi√ß√£o de um homem banal, e sincerameute tolo, √© o cuidado com que ele comp√Ķe a gola do seu casaco, de modo que n√£o discrepe uma linha do talhe que o alfaiate lhe deu. Ha a√≠ muita frivolidade nesse espirito, que se considera tanto mais sublime, quanto pode manter-se direito entre os colarinhos da camisa, e verticalmente equilibrado entre as duas asas do la√ßo da sua gravata.

Viver Sozinho

A infelicidade do celibatário, pretensa ou verdadeira, é tão fácil de adivinhar pelo mundo que o rodeia que ele maldiz a decisão, pelo menos se ficou solteiro por causa dos prazeres que tem em segredo. Anda por aí com o casaco abotoado, as mãos nos bolsos do casaco, os braços flectidos, o chapéu bem enterrado para a cara, um sorriso falso, que se tornou natural nele, pretende esconder-lhe a boca como os óculos lhe escondem os olhos, as calças demasiado apertadas para parecerem bem nas pernas. Mas toda a gente sabe da sua situação, pode pormenorizar os sofrimentos. Uma brisa fria sopra sobre ele vinda de dentro e ele olha lá para dentro com a metade ainda mais triste da sua dupla cara. Muda-se incessantemente, mas com regularidade previsível, de um apartamento para outro. Quanto mais foge dos vivos, para quem, contudo, e é este o ponto mais cruel, ele tem de trabalhar como um escravo consciente, que não pode revelar a sua consciência, tanto menor é o espaço que consideram bastar-lhe. Enquanto é a morte que irá fazer tombar os outros, mesmo que tenham passado a vida num leito de doente, porque embora eles já há muito tivessem sucumbido por si próprios devido à sua fraqueza,

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A Vida é Líquida

√Č crua a vida. Al√ßa de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
√Č crua e dura a vida. Como um naco de v√≠bora.
Como-a no livro da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha p√ļmblea, me casaco rosso
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é liquída.

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu h√°lito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
√Č um rei que nos visita e nos cobre de mirra.

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No Amor Começa-se Sempre a Zero

Fazer um registo de propriedade √© chato e dif√≠cil mas fazer uma declara√ß√£o de amor ainda √© pior. Ningu√©m sabe como. N√£o h√° minuta. N√£o h√° sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declara√ß√Ķes de amor t√™m de ser feitas pelo pr√≥prio. A experi√™ncia n√£o serve de nada ‚ÄĒ por muitas declara√ß√Ķes que j√° se tenham feito, cada uma √© completamente diferente das anteriores. No amor, ali√°s, a experi√™ncia s√≥ demonstra uma coisa: que n√£o tem nada que estar a demonstrar cois√≠ssima nenhuma. √Č verdade ‚ÄĒ come√ßa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa √† suprema inoc√™ncia, in√©pcia e barb√°rie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das cal√ßas nas pernas e quando damos por n√≥s estamos de cal√ß√Ķes. A experi√™ncia n√£o serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um inc√™ndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: ¬ęOuve l√°, tu que tens experi√™ncia de queimaduras do primeiro grau…¬Ľ

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos,

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Eu que me Aguente Comigo

Contudo, contudo,
Tamb√©m houve gl√°dios e fl√Ęmulas de cores
Na Primavera do que sonhei de mim.
Também a esperança
Orvalhou os campos da minha vis√£o involunt√°ria,
Também tive quem também me sorrisse.
Hoje estou como se esse tivesse sido outro.
Quem fui não me lembra senão como uma história apensa.
Quem serei n√£o me interessa, como o futuro do mundo.

Caí pela escada abaixo subitamente,
E até o som de cair era a gargalhada da queda.
Cada degrau era a testemunha importuna e dura
Do ridículo que fiz de mim.

Pobre do que perdeu o lugar oferecido por n√£o ter casaco limpo com que aparecesse,
Mas pobre também do que, sendo rico e nobre,
Perdeu o lugar do amor por n√£o ter casaco bom dentro do desejo.
Sou imparcial como a neve.
Nunca preferi o pobre ao rico,
Como, em mim, nunca preferi nada a nada.

Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por tr√°s disso estavam as minhas sensa√ß√Ķes viv√≠ssimas,
Mas isso era outro mundo.
Contudo a minha m√°goa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.

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O Homem Primitivo Moderno

Reparai num homem civilizado, rico, inteligente e feliz; olhai-o bem; tirai-lhe o chapéu alto, o casaco, as botas de verniz; despi-o, enfim: vereis a miséria da carne tentando um feroz regresso às formas caricatas do orogotango inicial.
Ide mais longe; penetrai-lhe o esqueleto, atravessai-lhe as entranhas: vereis então a maior das pobrezas, a miséria absoluta, a ausência de alma.
Sim: conforme a alma vai desaparecendo, o corpo vai-se sumindo e, apagando nas indecisas, grosseiras formas originárias. Por cada sentimento que morre, o cóccix aumenta um elo.
As criaturas de que se comp√Ķe a parte dominante da sociedade, est√£o j√° mais pr√≥ximas do macaco do que do homem. As abas da casaca s√£o feitas para encobrir os primeiros movimentos comprometedores da cauda… a bota de verniz tenta apertar e reduzir o p√© que principia a prolongar-se assustadoramente. A luva realiza, nas m√£os, o mesmo papel hip√≥crita…
Continuai na vossa an√°lise do homem civilizado que parou agora, al√©m, em frente duma vitrine de ourives, atra√≠do, como os moscardos, pelo fulgor dos brilhantes, das esmeraldas, dos r√ļbis, dos top√°zios, de todas as pedras, enfim, que o homem n√£o pode atirar ao seu semelhante.
Olhai-o bem; a primeira coisa que nos fere é a hostilidade que se exala de toda a sua fisionomia.

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Preciso de Ti

Antes de come√ßar… Acabei de suplicar dez minutos para este bilhete… Terrivelmente, terrivelmente vivo, dorido, e sentindo absolutamente que preciso de ti. Permiti o sil√™ncio deliberadamente, sentindo uma grande necessidade de me retirar em mim mesmo, para escrever, e mil coisas prevalecendo.

Mudei para outra m√°quina, assustadora; a m√°quina francesa… maldita, e eu b√™bedo com o desejo de te escrever. Ouve, ligo-te de manh√£: esta noite ou escrevo ou rebento, mas tenho de te ver. Vejo-te brilhante e maravilhosa e ao mesmo tempo tenho estado a escrever √† June e todo dividido mas tu compreender√°s ‚ÄĒ tens de compreender. Vou atirar-me a uma pausa e fa√ßo uma chamada. Anais, apoia-me. N√£o deixes que os sil√™ncios te preocupem: est√°s toda √† minha volta como uma chama clara. Nada a n√£o ser dois pontos, n√£o encontro o ponto nem os ap√≥strofos. Nenhuma c√≥pia disto tamb√©m: √≥ptimo: b√™bedo… b√™bedo de vida… Anais, por Cristo: se tu soubesses o que estou a sentir agora.

Isto foi [escrito] ao chegar [ao escrit√≥rio]. Agora 3h20 da manh√£ no quarto do Fred… Toda a for√ßa desaparecida e destru√≠da por imagens. O Fred est√° na cama com a Gaby do chambre 48. Est√° deitada como um cad√°ver.

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O Recreio

Na minha Alma há um balouço
Que est√° sempre a balou√ßar –
Balouço à beira dum poço,
Bem dif√≠cil de montar…

– E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…

Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a crian√ßa afogada…

– C√° por mim n√£o mudo a corda,
Seria grande estopada…

Se o indez morre, deix√°-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deix√°-lo
Balou√ßar-se enquanto vive…

– Mudar a corda era f√°cil…
Tal ideia nunca tive…