Cita√ß√Ķes sobre Catolicismo

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Frases sobre catolicismo, poemas sobre catolicismo e outras cita√ß√Ķes sobre catolicismo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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A Universalidade de uma Opini√£o

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.
Achar√≠amos ent√£o que foram duas ou tr√™s pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que algu√©m teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais coloca√ß√Ķes: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princ√≠pio, alguns a aceitar a mesma opini√£o: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a pr√≥pria indol√™ncia aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

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Idiotia e Felicidade

Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico j√°. A idiotia e a felicidade s√£o ideias muito vagas, dif√≠ceis de cingir em conceitos de circula√ß√£o universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia √© suscept√≠vel de conferir ao idiota seu propriet√°rio (ou seu prisioneiro) uma esp√©cie de seguran√ßa em si pr√≥prio que o levar√°, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito pr√≥xima do que se pode chamar estado de felicidade.Assim sendo, n√£o vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que h√° v√°rias maneiras de se chegar a idiota. Uma delas foi experimentada comigo. Uma parente minha queria por for√ßa reconverter-me ao Catolicismo e, deste modo, passava a vida a dizer-me: ¬ęAlexandre, n√£o penses. Se come√ßas a pensar estragas tudo. A cren√ßa em Deus, se, em vez de pensares, reaprenderes a rezar, vem por si. √Č uma gra√ßa, sabias? V√°, reza comigo.¬Ľ E ensinava-me ora√ß√Ķes que eu, muitas vezes de m√£os postas, repetia aplicadamente. Acabei por n√£o me casar com ela.
Não quero dizer, com isto, que não acredite na chamada (creio eu) revelação. Se revelação não existisse, como poderia um poeta do tomo de Paul Claudel entrar um dia em Notre-Dame e sentir-se,

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Eu acredito que a disseminação do catolicismo é o meio mais horrível de degradação política e social deixado no mundo.

Catolicismo e Comunismo

Ao contr√°rio do catolicismo, o comunismo n√£o tem uma doutrina. Enganam-se os que sup√Ķem que ele a tem. O catolicismo √© um sistema dogm√°tico perfeitamente definido e compreens√≠vel, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo n√£o √© um sistema: √© um dogmatismo sem sistema ‚ÄĒ o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolu√ß√£o. Se o que h√° de lixo moral e mental em todos os c√©rebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o √© tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de n√≥s.
O comunismo n√£o √© uma doutrina porque √© uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, at√© hoje, de espiritualidade moral e mental ‚ÄĒ isto √© de civiliza√ß√£o e de cultura ‚ÄĒ, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que n√£o tem.

O Futuro de Portugal

O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa?
‚ÄĒ O Quinto Imp√©rio. O futuro de Portugal ‚ÄĒ que n√£o calculo, mas sei ‚ÄĒ est√° escrito j√°, para quem saiba l√™-lo, nas trovas do Bandarra, e tamb√©m nas quadras de Nostradamus. Esse futuro √© sermos tudo. Quem, que seja portugu√™s, pode viver a estreiteza de uma s√≥ personalidade, de uma s√≥ na√ß√£o, de uma s√≥ f√©? Que portugu√™s verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza est√©ril do catolicismo, quando fora dele h√° que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior? N√£o queiramos que fora de n√≥s fique um √ļnico deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos j√° o Mar: resta que conquistemos o C√©u, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascen√ßa, os europeus que n√£o s√£o europeus porque n√£o s√£o portugueses. Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade n√£o pode estar em faltar ainda alguma cousa! Criemos assim o Paganismo Superior, o Polite√≠smo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, s√≥ os deuses todos s√£o verdade.

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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O catolicismo é uma religião da panaceia, como o ateísmo ou o livre pensamento é uma ilusão da farmácia.