Cita√ß√Ķes sobre Destros

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Frases sobre destros, poemas sobre destros e outras cita√ß√Ķes sobre destros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura, e… corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do √ļltimo verso que eu fizer no mundo!

Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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O orgulho, padre Fernando, tem impedido tantas empresas quanto a covardia, digamos. E a covardia é pelo menos um defeito humano. Não é, como o orgulho, o primeiro pecado capital. Quando você fala me parece ouvir algum atleta que antes de competir com quem quer que fosse precisasse tornar-se o homem mais forte e destro do mundo inteiro.

As Pessoas Sensatas

Platão comparava a vida a um jogo de dados, no qual devêssemos fazer um lance vantajoso e, depois, bom uso dos pontos obtidos, quaisquer que fossem. O primeiro item, o lance vantajoso, não depende do nosso arbítrio; mas receber de maneira apropriada o que a sorte nos conceder, assinalando a cada coisa um lugar tal que o que mais apreciamos nos cause o maior bem e o que mais aborrecemos o menor mal Рisso nos incumbe, se formos sensatos. Os homens que defrontam a vida sem habilidade ou inteligência são como enfermos que não podem tolerar nem o calor nem o frio; a prosperidade exalta-os e a adversidade desalenta-os. São perturbados por uma e por outra, ou melhor, por si próprios, numa ou noutra, não menos na prosperidade que na adversidade.
Teodoro, chamado o Ateu, costumava dizer que oferecia os seus discursos com a m√£o direita, mas os seus ouvintes recebiam-nos com a esquerda; os ignaros frequentemente d√£o mostras da sua in√©pcia oferecendo √† Fortuna uma recep√ß√£o canhestra quando ela se apresenta de modo destro. Mas as pessoas sensatas agem como as abelhas, que extraem mel do tomilho, planta muito seca e azeda; similarmente, as pessoas sensatas muitas vezes obt√™m para si algo de √ļtil e apraz√≠vel das mais adversas situa√ß√Ķes.

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Da Leitura

N√£o leiais para refutar ou contradizer, para aceitar ou aquiescer, para perorar ou discursar, mas para ponderar e considerar. Certos livros devem ser provados; outros engolidos; uns poucos mastigados e digeridos. Quer dizer: devemos ler certos livros apenas parceladamente; outros incuriosamente, e uns poucos da primeira √† √ļltima p√°gina, com dilig√™ncia e aten√ß√£o. Alguns livros podem mesmo ser lidos por terceiros, que nos far√£o deles um apanhado, mas isso somente no caso de assuntos desimportantes, e de livros med√≠ocres, pois livros resumidos s√£o como √°gua destilada: ins√≠pidos.
O ler faz um homem completo, o conferir destro, o escrever exacto. Bem por isso, se alguém escreve pouco, deve ter boa memória; se confere pouco, muita sagacidade; se lê pouco, muita manha para afectar saber o que não sabe.

A Vantagem dum Longo Treino

A vantagem de um longo treino e duma escrupulosa concentra√ß√£o no futuro: na hora das realiza√ß√Ķes estabelece-se um estado sonamb√ļlico intermedi√°rio entre o fazer e o deixar fazer, entre o agir e o ser objecto de ac√ß√£o. Isso requer tanto menos aten√ß√£o quanto √© certo que, a maior parte das vezes, a realidade exige de n√≥s muito menos do que imaginamos e, assim, encontramo-nos um pouco na situa√ß√£o do homem que, armado at√© aos dentes, ao travar uma luta, n√£o tem necessidade, para vencer, sen√£o de manejar ligeiramente uma √ļnica pe√ßa do seu arsenal. Com efeito, quem liga import√Ęncia a si mesmo exercita-se no que √© mais dif√≠cil para se tornar cada vez mais destro no que √© f√°cil e poder ter a satisfa√ß√£o de triunfar, usando dos meios mais delicados e discretos. Ele repele, ali√°s, os expedientes grosseiros e selvagens, n√£o se resolvendo a us√°-los sen√£o em casos de for√ßa maior.

Invocação à Noite

√ď deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Rit√°lia melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d’amor os s√īfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas √Ęnsias, no inef√°vel gosto.