Cita√ß√Ķes de Dom Pedro V

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Dom Pedro V para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Se os governos quiserem hoje ser √ļteis √† sociedade, se eles n√£o quiserem adiantar a √©poca do terr√≠vel cataclismo que espera um estado de coisas fact√≠cio em que o dolo e imoralidade e o lud√≠brio do povo ocupa uma parte t√£o consider√°vel, eles ter√£o que olhar mais pelo povo que padecia em sil√™ncio sem se queixar porque j√° nem mesmo se sabe queixar.

Algumas pessoas há que tomam por consolação, quando nós temos alguma coisa má, o não ser ela melhor em outros países; eu não sou da opinião dessas pessoas; parece-me que a sua opinião é uma das muitas formas com que a preguiça e a má vontade se revestem.

Quando as na√ß√Ķes tiverem abandonado os seus preju√≠zos e visto a realidade, a Europa formar√° uma grande federa√ß√£o de povos que se compreendem e que realizam mutuamente os seus interesses.

Hoje fala-se com disfarces e com palidez e as ac√ß√Ķes s√£o o oposto das palavras e a sociedade √© t√£o corrompida, que pais e maridos ofendidos passeiam de bra√ßo dado com os her√≥is de sala.

O Homem Materializou-se e Corrompeu-se

Que tem feito a sociedade h√° tr√™s s√©culos a favor da parte moral do homem? Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilus√Ķes. E tiradas essas ilus√Ķes, que sucedeu? O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se. Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses tr√™s s√©culos: obtivemos as aplica√ß√Ķes do vapor, a qu√≠mica f√™z passos de gigante, as ci√™ncias naturais chegaram qu√°si √† perfei√ß√£o, os resultados cient√≠ficos e art√≠sticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o tel√©grafo el√©ctrico, a fotografia, desapareceram as dist√Ęncias, o com√©rcio reina dominador s√ībre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.

.Pedro V’

Fomos grandes, e agora somos pequenos. Ainda n√£o nos podemos acostumar a ser pequenos, e no meio da nossa mis√©ria ainda queremos ostentar um luxo que provoca o esc√°rneo. Desenganemo-nos, n√£o vivamos de ilus√Ķes; olhemos para a realidade, e seja este o nosso ponto de partida.

Quantos parecem ignorar que a massa, a quem iludem, escreve com carv√£o as palavras, com tinta os actos.

Os olhos j√° v√£o rompendo a n√ļvem de poeira que se tem levantado diante deles; e o povo algum dia declarar-se-√° solenemente contra o esc√°rneo que h√° 20 anos todos os governos em Portugal dele t√™m feito. E fatal e tremendo ser√° esse desagravo. Ainda √© tempo de remedi√°-lo, mas n√£o h√° tempo a perder.

O Egoísta Homem Moderno

Um dos problemas mais complicados e mais dif√≠ceis dos nossos dias, o de encaminhar para um fim ben√©fico e utilit√°rio, para o bem real da nossa sociedade, essa exuber√Ęncia espantosa de prosperidade material, que muito √© de temer n√£o materialize excessivamente o esp√≠rito popular e n√£o o lance na via de uma ambi√ß√£o desenfreada e subversiva. Esta quest√£o considero-a como a √ļnica s√©ria e vital que hoje resta resolver satisfatoriamente, porque a sua resolu√ß√£o √© que h√°-de dizer a raz√£o por que n√≥s gozamos dos incalcul√°veis benef√≠cios do vapor e das suas aplica√ß√Ķes e do tel√©grafo el√©ctrico; porque √© dela que depende a sorte futura da nossa sociedade, e essa resolu√ß√£o √© tanto mais dif√≠cil que ela n√£o pode ser a obra da viol√™ncia, por isso que a viol√™ncia apressaria o termo fatal do desengano sem que a sociedade estivesse suficientemente preparada para um choque t√£o violento, e tornaria sang√ľin√°ria uma revolu√ß√£o que, longe de dever ser um cataclismo para a sociedade, dever√° executar-se brandamente. O governo, que deve saber dirigir a verdadeira opini√£o p√ļblica, pode pela sua ac√ß√£o sobre a instru√ß√£o das classes laboriosas ensinar-lhes a sua posi√ß√£o futura na sociedade e destruir as ambi√ß√Ķes desenfreadas dos pretendidos amigos do povo…

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As nossas desagrad√°veis quest√Ķes pol√≠ticas t√™m feito esquecer a natureza verdadeira das cousas, e para os seus fins tem confundido tudo.

Colocar ao lado da noção de direito a noção de dever, é a tarefa daqueles a quem cabe a missão de solidificar o edifício que a revolução social fundou.

Enquanto qualquer reforma √ļtil tenha que depender for√ßosamente de considera√ß√Ķes pessoais, as mais das vezes prejudicial√≠ssimas para o bem p√ļblico, nunca faremos coisa capaz, e nunca resolveremos satisfatoriamente as grandes quest√Ķes econ√≥micas de que depende o nosso bem estar.

Liberdade de pensar, liberdade de escrever… n√£o s√£o compreendidas, sen√£o no estado de cerceamento, pelos que se temem da ac√ß√£o revolucion√°ria da pena, e que ignoram que a sua inac√ß√£o faz com que a pena possa fazer alguma coisa. N√£o compreendo a liberdade sem a imprensa livre. O homem √© pouco quando lhe cortam a l√≠ngua.