Cita√ß√Ķes sobre Reforma

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A Moda

As varia√ß√Ķes da sensibilidade sob a influ√™ncia das modifica√ß√Ķes do meio, das necessidades, das preocupa√ß√Ķes, etc., criam um esp√≠rito p√ļblico que varia de uma gera√ß√£o para outra e mesmo muitas vezes no espa√ßo de uma gera√ß√£o. Esse esp√≠rito publico, rapidamente dilatado por contacto mental, determina o que se chama a moda. Ela √© um possante factor de propaga√ß√£o da maior parte dos elementos da vida social, das nossas opini√Ķes e das nossas cren√ßas.
Não é só o vestuário que se submete às suas vontades. O teatro, a literatura, a política, a arte, as próprias idéias científicas lhe obedecem, e é por isso que certas obras apresentam um fundo de semelhança que permite falar do estilo de uma época.
Em virtude da sua acção inconsciente, submetemo-nos à moda sem que o percebamos. Os espíritos mais independentes a ela não se podem subtrair. São muito raros os artistas, os escritores que ousam produzir uma obra muito diferente das ideias do dia.
A influência da moda é tão pujante que ela obriga-nos, por vezes, a admirar coisas sem interesse e que parecerão mesmo de uma fealdade extrema, alguns anos mais tarde. O que nos impressiona numa obra de arte é muito raramente a obra em si mesma,

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Os Malefícios da Rivalidade na Escola

Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.
A mesquinhez de uma vida em que os outros n√£o aparecem como colaboradores, mas como inimigos, n√£o pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma vis√£o mais ampla do mundo; esfor√ßo de vencer, temor de ser vencido; √© j√° todo o temperamento de ¬ęstruggle¬Ľ que se afina na escola e lan√ßar√° amanh√£ sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem n√£o sabe combater ou n√£o tem interesse pela luta ficar√° para tr√°s, entre os piores; e √© certamente esta predomin√Ęncia dada ao esp√≠rito de batalha um dos grandes malef√≠cios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos;

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Amo o meu povo como uma fam√≠lia e s√≥ n√£o fa√ßo por ele tudo o que me pede porque o n√£o sei ou porque o seu esp√≠rito ainda n√£o se encontra preparado para todas as reformas de utilidade p√ļblica.

Os movimentos de reforma social que n√£o se baseiam na reforma da mente, embora pare√ßam ben√©ficos, n√£o trazem resultados satisfat√≥rios porque as pessoas se esquecem de eliminar a raiz (causa mental) da desarmonia. ‚ÄėOs que lan√ßam m√£o da espada, pela espada perecer√£o‚Äô. Os que agem motivados pelo √≥dio, se arruinar√£o pelo pr√≥prio √≥dio.

√Č ilus√≥ria toda a reforma do colectivo que se n√£o apoie numa renova√ß√£o individual; amea√ßa a ru√≠na a todo o movimento que tornarem poss√≠vel a ignor√Ęncia e a ilus√£o.

O Inseguro

A eterna can√ß√£o: Que fiz durante o ano, que deixei de fazer, por que perdi tanto tempo cuidando de aproveit√°-lo? Ah, se eu tivesse sido menos apressado! Se parasse meia hora por dia para n√£o fazer absolutamente nada ‚ÄĒ quer dizer, para sentir que n√£o estava fazendo coisas de programa, sem cor nem sabor. A√≠, a fantasia galopava, e eu me reencontraria como gostava de ser; como seria, se eu me deixasse…
Não culpo os outros. Os outros fazem comigo o que eu consinto que eles façam, dispersando-me. Aquilo que eu lhes peço para fazerem: não me deixarem ser eu-um. Nem foi preciso rogar-lhes de boca. Adivinharam. Claro que eu queria é sair com eles por aí, fugindo de mim como se foge de um chato. Mas não foi essa a dissipação maior. No trabalho é que me perdi completamente de mim, tornando-me meu próprio computador. Sem deixar faixa livre para nenhum ato gratuito. Na programação implacável, só omiti um dado: a vida.

Que sentimento tive da vida, este ano? Que escava√ß√£o tentei em suas jazidas? A que profundidade cheguei? Substitu√≠ a no√ß√£o de profundidade pela de altura. N√£o quis saber de minera√ß√Ķes. Cravei os olhos no espa√ßo,

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A Preguiça como Obstáculo à Liberdade

A pregui√ßa e a cobardia s√£o as causas por que os homens em t√£o grande parte, ap√≥s a natureza os ter h√° muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e tamb√©m por que a outros se torna t√£o f√°cil assumirem-se como seus tutores. √Č t√£o c√≥modo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar.

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A Hipocrisia do Ser

Para que servem esses p√≠ncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa pr√°tica e as nossas for√ßas? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os prop√Ķe nem os seus auditores t√™m alguma esperan√ßa de seguir ou, o que √© pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma senten√ßa de condena√ß√£o de um adult√©rio, o juiz rasga um peda√ßo para enviar um bilhetinho amoroso √† mulher de um colega. Aquela com quem acabais de ilicitamente dar uma cambalhota, pouco depois e na vossa pr√≥pria presen√ßa, bradar√° contra uma similar transgress√£o de uma sua amiga com mais severidade que o faria P√≥rcia.
E h√° quem condene homens √† morte por crimes que nem sequer considera transgress√Ķes. Quando jovem, vi um gentil-homem apresentar ao povo, com uma m√£o, versos de not√°vel beleza e licenciosidade, e com outra, a mais belicosa reforma teol√≥gica de que o mundo, de h√° muito √†quela parte, teve not√≠cia.
Assim v√£o os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho: n√≥s tomamos outro, n√£o s√≥ por desregramento de costumes, mas tamb√©m frequentemente por termos opini√Ķes e ju√≠zos que lhes s√£o contr√°rios.

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Conselho aos Pais

A pior traição que podemos cometer perante o moço que se aproxima para que lhe digamos a Verdade é ocultar-lhe que para nós essa verdade se encontra tão longínqua e velada como a ele se apresenta. Se lhe damos por certeza o que se mostra duvidoso enganamos a confiança que o levou a dirigir-se-nos; se lhe não fizermos ver todas as fendas dos paços reais arriscamos a sua e a nossa alma a um desastre que nenhum tempo futuro poderá reparar. Os que julgou mais nobres enganaram-no; era cego, pediu guia, e levaram-no a abismos; nunca mais a sua mão se estenderá aberta e franca a mãos humanas. Quanto a nós mesmos, que valor tem a causa se para lhe darmos dinamismo a deformamos, a mergulhamos em parte na sombra da mentira?
N√£o √© nosso ideal, e por isso lutamos, formar os bandos inconscientes e os prontos cad√°veres que √†s nossas ordens obede√ßam; salvar-se-√° o mundo pelos esp√≠ritos claros, tenazes ante o certo, ante o incerto corajosos; s√≥ eles sabem medir no seu justo valor e vencer galhardamente toda a barreira levantada; s√≥ eles encontram, como base do ser, a marcha calma e a energia inesgot√°vel. √Č ilus√≥ria toda a reforma do colectivo que se n√£o apoie numa renova√ß√£o individual;

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O Oportunismo

O oportunismo √©, porventura, a mais poderosa de todas as tenta√ß√Ķes; quem reflectiu sobre um problema e lhe encontrou solu√ß√£o √© levado a querer realiz√°-la, mesmo que para isso se tenha de afastar um pouco de mais r√≠gidas regras de moral; e a gravidade do perigo √© tanto maior quanto √© certo que se n√£o √© movido por um lado inferior do esp√≠rito, mas quase sempre pelo amor das grandes ideias, pela generosidade, pelo desejo de um grupo humano mais culto e mais feliz.
Por outra parte, é muito difícil lutar contra uma tendência que anda inerente ao homem, à sua pequenez, à sua fragilidade ante o universo e que rompe através dos raciocínios mais fortes e das almas mais bem apetrechadas: não damos ao futuro toda a extensão que ele realmente comporta, supomos que o progresso se detém amanhã e que é neste mesmo momento, embora transigindo, embora feridos de incoerência, que temos de lançar o grão à terra e de puxar o caule verde para que a planta se erga mais depressa.
Seria bom, no entanto, que pensássemos no reduzido valor que têm leis e reformas quando não respondem a uma necessidade íntima, quando não exprimem o que já andava,

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Todas as Nossas Paix√Ķes se Justificam a Si Pr√≥prias

Existem duas ocasi√Ķes distintas em que examinamos a nossa pr√≥pria conduta e buscamos v√™-la sob a luz em que o espectador imparcial a veria: primeiro, quando estamos prestes a agir; e, segundo, depois que agimos. Em ambos os casos os nossos ju√≠zos tendem a ser bastante parciais, mas eles tendem a tornar-se ainda mais parciais quando seria da maior import√Ęncia que n√£o fossem. Quando estamos prestes a agir, a veem√™ncia da paix√£o raramente nos permitir√° consider√°-la com a isen√ß√£o de uma pessoa neutra. As violentas emo√ß√Ķes que nesse momento nos agitam distorcem os nossos ju√≠zos sobre as coisas, mesmo quando buscamos colocar-nos na situa√ß√£o de outra pessoa. (…) Por essa raz√£o, como diz Malebranche, todas as nossas paix√Ķes se justificam a si pr√≥prias, e parecem razo√°veis e proporcionais aos seus objectos enquanto n√≥s estivermos a senti-las. (… ) A opini√£o que cultivamos do nosso pr√≥prio car√°cter depende inteiramente dos nossos ju√≠zos acerca da nossa conduta passada. Mas √© t√£o desagrad√°vel pensarmos mal de n√≥s mesmos que ami√ļde afastamos propositadamente o nosso olhar das circunst√Ęncias que poderiam tornar o julgamento desfavor√°vel. (…) Esse auto-engano, essa fraqueza fatal dos homens, √© a fonte de metade das desordens da vida humana. Se pud√©ssemos ver-nos como os outros nos v√™em,

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O Belíssimo Sonho do Preguiçoso Português

Quem se importa por√©m com isso? Trabalhar o menos poss√≠vel sob a tutela do Estado que lhe garanta o suficiente √† vida ‚ÄĒ, eis o sonho, o bel√≠ssimo sonho do pregui√ßoso portugu√™s!
Do pregui√ßoso portugu√™s, n√£o digo bem, do pregui√ßoso latino; porque em todos os pa√≠ses desta fam√≠lia se est√£o notando, em flagrante oposi√ß√£o aos anglo-sax√≥nios, as mesmas tend√™ncias as quais, no que particularmente respeita √† Fran√ßa, n√£o h√° muito vi afirmadas num livro dum escritor daquela nacionalidade que v√≥s talvez conhe√ßais ‚ÄĒ Gustave Le Bon.
Eu quero admitir, meus senhores, que sobre n√≥s influi o clima, a ra√ßa, as tradi√ß√Ķes, o passado, em tanto quanto a geografia e a hist√≥ria podem influir no car√°cter dum povo. N√£o podemos ent√£o transformar-nos completamente, e ut√≥pico mesmo me parece o desejo dum dos homens a quem o ensino secund√°rio em Fran√ßa mais deve, Demolins, expresso na sua obra sobre as causas da superioridade anglo-sax√≥nica: ‚ÄĒ inglesa, se assim me posso exprimir, as sociedades latinas.
Mas sem essa conversão completa, sem mudarmos mesmo grande parte das nossas ideias, sem irmos de encontro a algumas das nossas tendências, e pormos de lado alguns dos nossos sentimentos, nós podíamos, parece-me a mim,

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A reforma política que mais ambicionaria no mundo seria um tipo de sociedade que consiga conciliar o individual e o colectivo.

Nos Extremos é que Está a Sabedoria

Pode-se dizer que, muito plausivelmente, h√° uma ignor√Ęncia abeced√°ria que precede o saber e uma outra, doutoral, que se lhe segue, ignor√Ęncia esta que o saber produz e engendra da mesma maneira que desfaz e destr√≥i aqueloutra. Dos esp√≠ritos simples, menos curiosos e menos instru√≠dos, fazem-se bons crist√£os, que, por rever√™ncia e obedi√™ncia, com simplicidade, cr√™em e mant√™m-se submissos √†s leis. √Č nos esp√≠ritos de vigor e capacidade m√©dios que se engendram as opini√Ķes err√≥neas, pois eles seguem a apar√™ncia das suas primeiras impress√Ķes e t√™m pretextos para interpretar como simpleza e estult√≠cia o nosso apego aos antigos usos, considerando que n√≥s a√≠ n√£o cheg√°mos por via do estudo dessas mat√©rias.
Os grandes esp√≠ritos, mais avisados e clarividentes, constituem um outro g√©nero de bons crentes: por meio de uma aturada e escrupulosa investiga√ß√£o, penetram nas Escrituras at√© atingir uma luz mais profunda e abstrusa, e entendem o misterioso e divino segredo da nossa pol√≠tica eclesi√°stica. Vemos, por√©m, alguns, com maravilhoso proveito e com consolida√ß√£o da sua f√©, chegarem, atrav√©s do segundo, a este √ļltimo n√≠vel, como o extremo limite da intelig√™ncia crist√£, e rejubilar na sua vit√≥ria com refrig√©rio, ac√ß√Ķes de gra√ßas, reformas dos costumes e grande mod√©stia. N√£o entendo nesta categoria situar aqueloutros que,

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Por meio de uma revolução poderá talvez levar-se a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar.

Procura limpar a vasilha antes de lançar nela seja o que for; quer dizer, antes de pregar a virtude, reforma os teus costumes.

A Plenitude de Realização Humana está Fora da Sabedoria

O homem mais perfeitamente educado por um mestre foi Stuart Mill. Aos vinte anos de idade ele tinha aprendido com James Mill, seu pai, tudo quanto a ci√™ncia pode ensinar a um s√°bio e a um fil√≥sofo. E todavia Stuart Mill conta-nos na sua autobiografia que, ao perguntar um dia a si mesmo se seria feliz, uma vez realizadas nas institui√ß√Ķes e nas ideias todas as reformas que ele projectava criar, a sua consci√™ncia lhe respondera: n√£o. ¬ęSenti-me ent√£o desfalecer, – diz ele; todas as funda√ß√Ķes sobre que se tinha arquitectado a minha vida se desmoronaram de repente.¬Ľ Mais tarde ele sentiu a dor, sentiu depois o amor, o amor apaixonado, absorvente, enorme, dominando todo o seu ser, submetendo a for√ßa dissolvente da an√°lise; e foi s√≥ ent√£o que ele se sentiu homem, revivendo para a natureza, forte da grande for√ßa que a natureza lhe comunicava, equilibrado para sempre no seu destino, cingido ao cora√ß√£o palpitante de uma mulher que ele amou – ele o s√°bio, o fil√≥sofo, o reformador frio e implac√°vel – com o amor illimitado, entusi√°stico, cavalheiresco, que as velhas lendas l√≠ricas atribuem aos grandes amantes c√©lebres.

Quem é Eleito não Pode Pensar em Desistir

Ao aceitar a candidatura, fiz uma op√ß√£o, assumi um risco: aquela, a de trabalhar para as reformas, que entendo necess√°rias, atrav√©s dos meios legais ao dispor dos deputados, cuja limita√ß√£o conhecia. O risco era o de n√£o conseguir alcan√ßar o fim pretendido, o de ser invariavelmente vencido, o de nem sequer conseguir alargar os limites conhecidos. (…) Porque quem √© eleito n√£o pode pensar em desistir, n√£o tem o direito de abandonar: assumiu o compromisso de lutar durante quatro anos como representante da na√ß√£o neste √≥rg√£o de soberania, e h√° de, perante ela, procurar desempenhar-se o melhor poss√≠vel do cargo que lhe confiaram. Eis porque entendo que, embora n√£o valha a pena, continuo a trabalhar o melhor que posso e sei at√© ao fim do mandato.