Gostava que os partidos de esquerda se entendessem, mas não quero pedir tanto… Talvez um dia seja possível. Lembro uma coisa: os social-democratas e os comunistas alemães passavam a vida a discordar e a discutir quando apareceu o Hitler. Acabaram todos em campos de concentração. Temos de pensar nisso.
Passagens de Mário Soares
23 resultadosOs portugueses têm a mania de dizer mal deles próprios. Quando vão para o estrangeiro percebem rapidamente que o nosso País tem muita qualidade e muito interesse. Mas só no estrangeiro.
È preciso confiar no povo português. Eu confio no povo português e no génio do povo português. E um povo que tem a história que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolução de sucesso que foi a revolução do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um País que consegue ter a melhores relações com África e com as antigas colónias portuguesas como não têm nem os franceses nem os ingleses.
Um governo que não fala com o Povo que o elegeu – nem pode sair à rua sem ser vaiado – não tem legitimidade. Ou então é porque já não estamos em Democracia.
A crise é um facto dinâmico e populista e em toda a Europa. A solidariedade europeia, elemento fundamental da União, desapareceu. Os dois partidos políticos que construíram a Europa foram os social-democratas, socialistas e trabalhistas e também os democratas-cristãos. Hoje só há populistas. Embora se intitulem social-democratas e democratas-cristãos. O populismo venceu, destruindo os Estados em favor dos mercados.
Há uma vertente ideológica que facilitou a crise: foi o neo-liberalismo, responsável pela economia virtual, pela globalização desregulada e sem ética, pela idolatria dos mercados usurários – que vivem dos paraísos fiscais, que deviam ser ilegalizados – e que hoje mandam nos Estados. Mas à ideologia neo-liberal vai acontecer o mesmo que ao comunismo.
Nunca li discursos feitos pelos outros. Escrevi-os todos.
Os economicistas perceberam que precisam da comunicação social e servem-se dela para não mudar as coisas. A comunicação social tem muita responsabilidade na desagregação a que se tem assistido na União Europeia. Por exemplo, fala-se em reformas mas o que se vê são contra-reformas.
O grande mal dos economicistas é que pensam que a economia, é como a selecção natural. Os animais mais fortes comem os mais fracos. Eu penso que, realmente, eles acham que quem é inteligente ganha dinheiro e que os outros que não ganham é porque não são capazes e porque são estúpidos, e então morrem. Eu não penso assim. Pelo contrário, não há nenhuma selecção natural em matéria política.
Os Estados não se avaliam pelo dinheiro que têm, mas sim pela sua história e pela sua gente. Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um País pobre, bem pelo contrário.
Eu sou contra todas as ditaduras e a favor da liberdade. Sem liberdade política nada se passa, só se entra, a prazo, em decadência. O grave é que pode haver recuos civilizacionais. No passado, como a história nos ensina, já houve muitos.
Em Portugal toda a gente queria acabar com a guerra. E acabou-se. Como agora toda a gente quer que o neo-liberalismo e os mercados a mandar nos Estados desapareçam. Porque a crise do euro não é só financeira e económica é também social, política, ética e ambiental. O neo-liberalismo, a ideologia que provocou a crise, contra as pessoas e em favor do dinheiro, está moribunda e não vai poder perdurar muito.
Disciplinar o Orçamento é bom, mas não é tudo. As pessoas são o mais importante.
A democracia está efectivamente em crise, por múltiplas razões. Entre elas, porque os Estados nacionais estão a ser corroídos nos seus poderes tradicionais pela globalização económica e suas consequências.
Eu esperava que com o colapso do comunismo a social-democracia e a democracia cristã pudessem desenvolver o projecto europeu. Mas os americanos pensaram o contrário. Foram eles que lançaram a globalização desregulada, o neoliberalismo como ideologia única e que fizeram cair os partidos socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos.
Não sou líder. Sou um cidadão normal, que se vê como tal e que de vez em quando dá umas opiniões. Se são erradas ou certas, os outros que digam. Eu digo apenas o que penso e posso, claro, enganar-me, como toda a gente.
Tem de haver mais igualdade na educação, mais igualdade entre as pessoas – e entre os Estados da União – mais respeito por quem trabalha e pelas pessoas que passam mal, andam na rua e têm fome, como está a acontecer. O Estado Social foi um esforço que se fez depois do 25 de Abril e durante as crises anteriores e posteriores. Agora querem acabar com ele porque dizem que não há dinheiro? Mas dinheiro há sempre. Faz-se e se for preciso vai-se buscar onde existe…
O Estado social é indispensável para que a economia funcione. E os anos de progresso da Europa foi porque tinha um Estado social. Não foi por mais nada.
Eu sou um europeísta federalista e acho que deve haver um Governo europeu e que devem haver símbolos europeus. Não há por timidez, por cobardia, por falta de coragem.
Eu acredito que o Mundo vai se aperceber com a crise de algumas questões que são fundamentais. Que o sistema tem de mudar, temos de avançar num sistema social a sério, num sistema ambiental a sério e que para o bom funcionamento da economia é preciso que os trabalhadores tenham uma palavra dizer e sejam tratados com dignidade.