Passagens sobre Quest√£o

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Frases sobre quest√£o, poemas sobre quest√£o e outras passagens sobre quest√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pra quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião.

O Único Meio de Ser Livre é Estar Disposto a Morrer

Di√≥genes disse nalgum lugar: ¬ęO √ļnico meio de ser livre √© estar disposto a morrer¬Ľ; e escreveu ao rei da P√©rsia: ¬ęN√£o podes reduzir √† escravid√£o a cidade de Atenas, n√£o mais do que os peixes do mar¬Ľ. ¬ęComo? N√£o a tomarei?¬Ľ ¬ęSe a tomares, os atenienses far√£o como os peixes, abandonar-te-√£o e ir√£o embora. E, de facto, o peixe que pegas morre; e, se morrem assim que pegas neles, de que te servem todos os teus preparativos?¬Ľ Estas s√£o as palavras de um homem livre que examinou a quest√£o com cuidado e que provavelmente encontrou a resposta.

Ser ou n√£o Ser

Hamlet: Ser ou n√£o ser, essa √© a quest√£o: ser√° mais nobre suportar na mente as flechadas da tr√°gica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obst√°culos e, enfrentando-os, vencer? Morrer ‚ÄĒ dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes √† carne ‚ÄĒ √© a conclus√£o que devemos buscar. Morrer ‚ÄĒ dormir; dormir, talvez sonhar ‚ÄĒ eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste inv√≥lucro mortal, fazem cismar. Esse √© o motivo que prolonga a desdita desta vida.

Arte Poética

Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as m√£os
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de n√£o chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que n√£o sei dizer

A √ļnica disciplina que a vida imp√Ķe, se formos capazes de a assumir, √© aceitar a vida sem a questionar.

O Problema do Pacifismo

Regozijo-me por me haverem dado a oportunidade de proferir algumas palavras sobre o problema do pacifismo. A evolu√ß√£o dos √ļltimos anos mostrou novamente que n√£o √© eficaz deixar a luta contra o armamento e contra o esp√≠rito b√©lico nas m√£os dos governantes. Mas a forma√ß√£o de grandes organiza√ß√Ķes com muitos membros tamb√©m n√£o basta, por si s√≥, para atingirmos essa finalidade. A meu ver o meio mais eficaz √© o que j√° o sarc√°stico Arist√≥fanes, h√° quase tr√™s mil anos preconizava na sua famosa com√©dia sat√≠rica ¬ęLisistrata¬Ľ.
Poderíamos assim conseguir que o problema do pacifismo se tornasse uma questão vital da Humanidade, um verdadeiro combate a que seriam atraídos todos os homens de boa-vontade e personalidade vigorosa. A luta seria árdua, por ter de se travar no campo da ilegalidade, mas no fundo seria legítima, por se travar em nome do verdadeiro direito dos homens, contra dirigentes que, por interesses muitas vezes odiosos, exigem dos seus concidadãos um sacrifício de vida que redunda também num acto criminal por atentar contra um dos mandamentos da Lei de Deus.
Muitos que se consideram bons pacifistas não estarão dispostos a tomar parte num pacifismo tão radical, invocando motivos patrióticos. Com esses não se poderá contar na hora crítica.

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A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n√£o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n√£o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n√£o reacordarmos em outros corpos,

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Um homem e uma mulher s√£o a tal ponto a mesma coisa, que quase n√£o se entende a quantidade de distin√ß√Ķes e racioc√≠nios subtis dos quais a sociedade se nutre sobre esta quest√£o.

Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhada apenas por uma questão de respeito.

O pa√≠s real quer coisas pr√°ticas, ver as quest√Ķes resolvidas com pragmatismo e efic√°cia. Quer o fim da total instabilidade que se verifica h√° uns anos na sociedade portuguesa.

O Mal das Doutrinas Religiosas

– Bem, o que at√© agora me pareceu mais interessante foi verificar que a grande maioria de todas essas cren√ßas parte de um facto ou de uma personagem de relativa probabilidade hist√≥rica, mas todas evoluem rapidamente para movimentos sociais subordinados e enformados pelas circunst√Ęncias pol√≠ticas, econ√≥micas e sociais do grupo que as aceita. Ainda est√° acordada?
Eulalia assentiu.
РUma boa parte da mitologia que se desenvolve à volta de cada uma destas doutrinas, desde a liturgia até às normas e tabus, provém da burocracia que é gerada à medida que evoluem e não do suposto facto sobrenatural que lhes deu origem. A maior parte das anedotas simples e bonançosas, um misto de senso comum e folclore, e toda a carga beligerante que conseguem desenvolver provém da interpretação posterior daqueles princípios, quando não tendem a desvirtuar-se, nas mãos dos seus administradores. A questão administrativa e hierárquica parece ser a chave da sua evolução. A verdade é revelada em princípio a todos os homens, mas depressa aparecem indivíduos que se atribuem o poder e o dever de interpretar, administrar e, nalguns casos, alterar essa verdade em nome do bem comum, estabelecendo para isso uma organização poderosa e potencialmente repressiva.

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Na sua forma mais elevada, o amor transforma a nossa natureza. Gera ternura e afeto. Substitui a raiva pela compaix√£o. Quando as pessoas procuram o meu conselho, o amor e os relacionamentos s√£o o principal tema das quest√Ķes que me colocam.

Que significa alargar o cora√ß√£o? Antes de mais, em reconhecermo-nos pecadores, n√£o olhar ao que fizeram os outros. E a quest√£o de fundo continua a ser esta: ¬ęQuem sou eu para julgar isto? Quem sou eu para falar sobre isto? Quem sou eu, que fiz o mesmo ou pior?¬Ľ

S√≥ confie numa testemunha quando ela fala de quest√Ķes em que n√£o se acham envolvidos nem o seu interesse pr√≥prio, nem as suas paix√Ķes, nem os seus preconceitos, nem o amor pelo maravilhoso. No caso de haver esse envolvimento, requeira evid√™ncia corroborativa em propor√ß√£o exata √† viola√ß√£o da probabilidade evocada pelo seu testemunho.

√Č importante recordar que as quest√Ķes pelas quais tantos se afadigam n√£o s√£o o ¬ętodo¬Ľ. S√≥ Deus √© ¬ęo todo¬Ľ, e √© a Ele que, no fim, cada um de n√≥s dever√° apresentar-se a prestar contas.

√Č um defeito particularmente portugu√™s querermos distinguir-nos do empreendimento onde trabalhamos e de que fazemos parte. Preferimos falar, distantemente, do ¬ęlugar¬Ľ ou ¬ęs√≠tio¬Ľ onde trabalhamos, como se fosse apenas uma quest√£o ut√≥pica de localiza√ß√£o.