Cita√ß√Ķes sobre Timidez

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Frases sobre timidez, poemas sobre timidez e outras cita√ß√Ķes sobre timidez para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ponha de lado a timidez e os melindres ao agir. A vida inteira é uma experiência. Quanto mais você fizer melhora os experimentos.

A timidez √© o mais vulgar de todos os fen√≥menos. O que h√° de mais vulgar em todos n√≥s √© termos medo de sermos rid√≠culos…

O espelho provoca em mim o estranho efeito de por vezes me dar a violenta estalada da realidade, por outras elevar-me à dimensão do sonho, da ficção, de uma verdade essencial que se deposita cá dentro e que, por timidez, evita sair senão em momentos de alguma intimidade.

Controlar a Timidez

Nunca consegui controlar a timidez. Quando tive que enfrentar em carne viva a incumb√™ncia que nos deixou o pai errante, aprendi que a timidez √© um fantasma invenc√≠vel. De cada vez que tinha que solicitar um cr√©dito, mesmo dos combinados de antem√£o em lojas de amigos, demorava horas em redor da casa, reprimindo a vontade de chorar e as contrac√ß√Ķes da barriga, at√© que me atrevia por fim, com as mand√≠bulas t√£o apertadas que n√£o me sa√≠a a voz. Havia sempre algum comerciante sem cora√ß√£o para me atrapalhar ainda mais: ¬ęMi√ļdo parvo, n√£o se pode falar com a boca fechada.¬Ľ Mais de uma vez regressei a casa com as m√£os vazias e uma desculpa inventada por mim. Mas nunca mais tornei a ser t√£o desgra√ßado como da primeira vez que quis falar pelo telefone na loja da esquina. O dono ajudou-me com a operadora, pois ainda n√£o existia o servi√ßo autom√°tico. Senti o sopro da morte quando me deu o auscultador. Esperava uma voz servi√ßal e o que ouvi foi o latido de algu√©m que falava no escuro ao mesmo tempo que eu. Pensei que o meu interlocutor tamb√©m n√£o me ouvia e levantei a voz tanto quanto pude. O outro,

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Nenhum Problema tem Solução

Nenhum problema tem solu√ß√£o. Nenhum de n√≥s desata o n√≥ g√≥rdio; todos n√≥s ou desistimos ou o cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da intelig√™ncia, e fazemo-lo ou por cansa√ßo de pensar, ou por timidez de tirar conclus√Ķes, ou pela necessidade absurda de encontrar um apoio, ou pelo impulso greg√°rio de regressar aos outros e √† vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma quest√£o, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, e processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.

Para vencer a timidez é preciso esquecer as críticas que fazemos a nós mesmos e não nos importarmos com a presença de outrem.

Ao longo da minha experiência foi-me dado observar o comportamento das pessoas, e com isso fiz romances. Eles ficam, no entanto, muito aquém do que aconteceu, porque há uma coisa que se chama a timidez da alma, e o que nos é revelado pode ser-nos proibido também.

Eu sou um europeísta federalista e acho que deve haver um Governo europeu e que devem haver símbolos europeus. Não há por timidez, por cobardia, por falta de coragem.

Amo os Teus Defeitos

Amo os teus defeitos, e tantos
eram, as tuas faltas para comigo
e as minhas; essa ênfase
de rechaçar por timidez; solidão
de fazer trepadeiras, agasalhos
para velhos, depois para netos;
indulgência de plantar e ver
o crescimento da oliveira do paraíso,
carregada de flores persistentemente
caducas; essa autoridade, irremedi√°vel
desafio; e a ast√ļcia
de termos ambos quase a mesma cara.

As Minhas Fraquezas

H√° uma certa fraqueza, uma falha em mim que √© suficientemente clara e distinta mas dif√≠cil de descrever: √© uma mistura de timidez, reserva, verbosidade, tibieza; pretendo com isto caracterizar qualquer coisa de espec√≠fico, um grupo de fraquezas que sob um certo aspecto constituem uma √ļnica fraqueza claramente definida (o que n√£o tem nada a ver com esses v√≠cios graves que s√£o a mentira, a vaidade, etc.). Esta fraqueza impede-me de enlouquecer, eu cultivo-a; com medo da loucura, sacrifico toda a ascens√£o que eu poderia fazer e perderei de certeza o neg√≥cio, porque n√£o √© poss√≠vel fazerem-se neg√≥cios nesta esfera. A menos que a sonol√™ncia n√£o se misture e com o seu trabalho diurno e nocturno n√£o quebre todos os obst√°culos e n√£o prepare o caminho. Mas nesse caso serei apanhado pela loucura ‚ÄĒ porque para se fazer uma ascens√£o √© preciso querer-se e eu n√£o queria.

Somos Uma Surpresa Para Nós Próprios

Como ser√£o em privado as pessoas que conhecemos? Quanta surpresa se o soub√©ssemos. Porque n√≥s, instintivamente, tendemos a julg√°-las id√™nticas dentro e fora de si. Mas o que somos por fora √© o que aceitamos que o seja e √© o que os outros estabeleceram. Tal fanfarr√£o na pra√ßa p√ļblica pode ser um chilro piegas quando l√° n√£o est√° ou um medricas quando a coisa √© a s√©rio (N√£o dizia Arist√≥teles que os grandes atletas eram maus soldados?). Ou inversamente. O que aceita para si a imagem exterior de um mole, de um t√≠bio, de um encolhido de comportamento – no interior de si, e quando for caso disso, pode ser um obstinado de dente rilhado. H√° um estilo de se ser que se adopta por conven√ß√£o generalizada, orienta√ß√£o de uma √©poca, obriga√ß√£o protocolar no modo de nos manifestarmos.
(…) As regras de comportamento em grandezas chegam s√≥ √† porta da rua ou ao menos da do quarto ou seguramente √† da casa de banho. E da√≠ para dentro, vale tudo, ou seja a regra somos n√≥s. E √© ent√£o que sabemos quem somos ou quem √© aquele que consentimos que seja ou em que medida respeitamos em n√≥s o que respeitamos nos outros.

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Carta de Amor

Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava.

Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo,

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A Timidez

A verdade é que vivi muitos dos meus primeiros anos, e talvez os segundos e os terceiros, como uma espécie de surdo-mudo.
Ritualmente vestido de negro desde muito novinho, tal como se vestiam os verdadeiros poetas do s√©culo passado, tinha uma vaga impress√£o de n√£o me apresentar muito mal. Mas, em vez de me aproximar das raparigas, ciente de que gaguejaria ou coraria diante delas, preferia passar de lado e afastar-me, ostentando um desinteresse que estava longe de sentir. Todas eram, para mim, um grande mist√©rio. Preferiria morrer queimado naquela fogueira secreta, afogar-me naquele po√ßo de enigm√°tica profundidade, mas n√£o me atrevia a atirar-me ao fogo ou √† √°gua. Ora, como n√£o encontrava ningu√©m que me desse um empurr√£o, passava pelas margens dessas fascina√ß√Ķes sem olhar sequer e muito menos sorrir.

Acontecia outro tanto com os adultos, gente m√≠nima, funcion√°rios de caminho-de-ferro e de correios e suas ¬ęsenhoras esposas¬Ľ, assim intituladas porque a pequena burguesia se escandaliza, intimidada, diante da palavra mulher. Eu escutava as conversas √† mesa do meu pai. Mas, no dia seguinte, se esbarrava na rua com quem tinha comido na noite anterior em minha casa, n√£o me atrevia a cumprimentar e at√© mudava de rumo para evitar o mau bocado.

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Algumas Horas Outras

1

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes
ácidos da louça, não serão recordadas, ou quanto mais
as recordarmos, mais a ignor√Ęncia deitar√°
os corpos no tapume de vidros, para que em torno
se conciliem as vontades singulares, as
particularidades de um impetuoso alarme.
ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos
encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.
considerem, por exemplo, o paquete que ao meio-dia
igere as minuciosas palmeiras sobre a
alta insensatez dos aquedutos. ou ainda
a ilus√£o dos alicates ao lado da √°gua, e o seu reflexo
do outro lado das vidraças: azul, não é?
assim estas algumas outras horas: como esquecê-las?

2

e ainda o sossego das interroga√ß√Ķes n√£o se deixa
facilmente esborratar, ou a qualidade
das tintas, assim no meio do lençol,
o impediu até agora. algumas
s√£o as horas do vasto almofad√£o transl√ļcido
onde as janelas germinaram, e s√£o
as solenes sardinheiras ardidas
na boca do in√≠cio. so√ßobrando a m√ļsica
produzimos os locais inamovíveis, as persianas
corridas sobre o papel meticuloso das suas
amenas enseadas.

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Analisar as Nossas Rela√ß√Ķes

Nenhuma mudança psíquica sustentável ocorre rapidamente. São necessários o autoconhecimento, a educação, o treino, a utilização de ferramentas e, em especial, a compreensão básica do mais complexo dos universos, a mente humana.
Qualquer mulher gostaria de remover a impaciência, a ansiedade, as fobias, o humor depressivo e a timidez da sua mente. Mas a vontade consciente de mudança ou superação de um conflito, por mais forte e poderosa que seja, não é eficiente. Não basta o Eu querer reorganizar a sua personalidade, é preciso utilizar estratégias adequadas. Até um psicopata gostaria de ser gentil e afetivo em toda a sua agenda psíquica, mas, no calor das crises, os monstros alojados no seu inconsciente devoram-no e magoam os outros.

O Eu deve ser equipado, em especial, para ser o Autor da sua hist√≥ria. Porque brilhamos no mundo exterior, mas somos t√£o opacos no mundo interior? Porque √© que as guerras, os homic√≠dios, as discrimina√ß√Ķes, os dist√ļrbios ps√≠quicos, os conflitos sociais fazem a pauta da nossa hist√≥ria? Por que raz√£o sonham os pais em proporcionar a melhor educa√ß√£o aos seus filhos, mas nem sempre t√™m √™xito? Porque √© que casais apaixonados que fazem juras de amor podem acabar inimigos?

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A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão.

Confiss√£o

Trinta e nove anos. Meia vida passada, se isto se for aguentando, tomba daqui, tomba dali. E tudo por fazer! Comecei tarde, sem nenhuma prepara√ß√£o, e com defeitos horr√≠veis, que tenho ido limando pouco a pouco, mas que resistem como fortalezas. Nasci afirmativo demais, puritano demais, uno demais, apesar duma timidez confrangedora, duma aceita√ß√£o natural da vol√ļpia e duma dispers√£o aflitiva a cada instante. Tenho medo dum pol√≠cia e sou capaz de enfrentar um ex√©rcito; passo a vida a praticar virtudes que pro√≠bo terminantemente aos outros; escrevo um poema, a dar uma consulta. De maneira que nunca consegui encontrar aquele equil√≠brio criador onde julgo existir o pomar das grandes obras. Debato-me entre for√ßas contradit√≥rias, e ao cabo de cada livro sinto-me insatisfeito e culpado como um pecador que n√£o cumpriu bem a sua penit√™ncia. N√£o tenho ambi√ß√Ķes fora da arte, e, dentro dela, s√≥ desejo conquistar a gl√≥ria de a ter servido humilde e totalmente; mas n√£o consegui ainda dar-lhe tudo, jogar a vida e a morte por ela. Para isso era preciso calcar aos p√©s o homem civil que sou, e n√£o posso. Necessito de ter as minhas contas em dia como qualquer mortal honrado, e afligem-me os assuntos do mundo como casos pessoais.

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Os que Morrem por Amor

Os que morrem por amor continuam a pertencer √† lenda. Os seus funerais arrastam uma multid√£o piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, h√° seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante f√°ceis, a pr√°tica er√≥tica da juventude era muito mais modesta. Reflectindo melhor, √© de crer que a pr√≥pria licen√ßa produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afectiva; o que, se n√£o √© virtude, algo se parece. Este orgulho da pr√≥pria intimidade conduz a uma atitude hostil em rela√ß√£o a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. H√° um soci√≥logo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocr√°tico no amor moderno. √Č poss√≠vel. E quando aparecem os contestat√°rios dessa esp√©cie de burocracia, como s√£o os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afectos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Atrav√©s de inqu√©ritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transforma√ß√Ķes que se efectuam no √Ęmbito das rela√ß√Ķes afectivas, deparam-se declara√ß√Ķes bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experi√™ncia e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do s√©culo.

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