Frases de José Saramago

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Frases de José Saramago. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

Para mim o que me causa mais impacto ao trabalhar com a memória para escrever é descobrir-se duas coisas: que uma pessoa recorda muito mais do que pensava e que recorda coisas que julgava completamente esquecidas.

Às vezes, a literatura parece-se com uma operação da Bolsa. As cotizações sobem e descem e muitas vezes só dependem da promoção.

A palavra deixou de ter conteúdo e de ter qualquer coisa dentro, é pronunciada com uma leviandade total.

O homem é cruel sobretudo em relação ao homem, porque somos os únicos capazes de humilhar, de torturar e fazemos isto com uma coisa que deveria ser o contrário, que é a razão humana.

Ser Nobel não é a mesma coisa que ser Miss Universo – a Miss Universo assina um contrato e tem de fazer uma quantidade de coisas. Com o Nobel, não há contrato. Dão-to ou não te dão.

Nenhum dia é festivo por ter já nascido assim: seria igualzinho aos outros se não fôssemos nós a «fazê-lo» diferente.

O que está em causa não é a violência, é a crueldade. Violenta é toda a natureza. Para que eu coma o meu filé, tenho que matar um boi. Nós, seres humanos, os tais seres racionais, inventamos a crueldade. Portanto, é sobre a crueldade que deveríamos discutir. Quando começamos a discutir sobre a crueldade, o problema da violência resolve-se.

O homem entra mais rapidamente no quotidiano do que a mulher; em contrapartida, a mulher vive melhor no âmbito do não real. Por isso não precisa da rotina. A mulher aprofunda; o homem expande.

Sim, tenho o Prêmio Nobel. E quê? Não que eu achava pouco ter o Prêmio Nobel, não, não. É que no fundo, no fundo, tudo é pouco, tudo é insignificante.

A literatura não é a vida e também não é uma imitação da vida. Nada do que entra num livro vem de outro lugar que não seja este mundo mas o romance, ao achar-se feito, entra ele também a influir na vida.

Ter como objectivo vital o triunfo pessoal tem consequências. Mais tarde ou mais cedo, tornamo-nos egoístas, mais concentrados em nós mesmos, insolidários.

Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.

(…)os motivos, de que adianta falar de motivos, às vezes basta um só, outras vezes nem juntando todos, se as vidas de cada um de você não lhes ensinaram isto, coitados, e digo vidas, não vida, porque temos várias, felizmente vão se matando umas às outras, se não não poderíamos viver.

A pátria, Brasil, Portugal, qualquer, é só de alguns, nunca de todos, e os povos servem os donos dela crendo que a servem a ela. No longo e sempre acrescentando rol das alienações, esta é, provavelmente, a maior.