Cita√ß√Ķes sobre Gasolina

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Frases sobre gasolina, poemas sobre gasolina e outras cita√ß√Ķes sobre gasolina para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Que Bem Sabe o Amor Constante

Até no carro te canto,
Fala a fala, seio a seio,
Espantado de um encanto
Que mais parece receio

De te perder à partida
Pra te ganhar à chegada,
Pois tu és a minha vida
Na ida e volta arriscada.

Vai o Godinho ao volante
Com seu ar de conde antigo
Que bem sabe o amor constante
Que me aparelha contigo.

Poupado na gasolina,
Discreto na confidência,
Navegador à bolina
Dos rumos da nossa ausência.

Leva-me à Embaixada, ao almoço:
Travou, mas n√£o sei que tenho:
Um resto de ardor de moço
Contigo no meu canhenho.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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O Peso Bruto da Irritação

Se f√īssemos contabilizar as paix√Ķes desta vida, os √≥dios e os amores, os grandes sobressaltos, as como√ß√Ķes, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror e de esperan√ßa, os ataques de ansiedade e de ternura, a viol√™ncia dos desejos, os acessos de saudade e as eleva√ß√Ķes religiosas e se as som√°ssemos todas numa s√≥ sensa√ß√£o, n√£o seria nada comparada com o peso bruto da irrita√ß√£o. Passamos mais tempo e gastamos mais cora√ß√£o a sermos irritados do que em qualquer outro estado de esp√≠rito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos tr√™s, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o div√≥rcio, mais que o despedimento, mais que ser tra√≠do por um amigo, a irrita√ß√£o √© a principal causa de ¬ęstress¬Ľ ‚ÄĒ e logo de mortalidade ‚ÄĒ da nossa exist√™ncia.
√Č a torneira que pinga e o colega que funga, a crian√ßa que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionnaise, a namorada que n√£o enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentr√≠fica, a nossa pr√≥pria incompet√™ncia ao tentar programar o v√≠deo, o homem que mete um conto de gasolina e pede para verificar a press√£o dos pneus,

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Luta de Classes

N√£o contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contr√°rio, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito.
A cultura √© usada como s√≠mbolo de status por alguns, alfinete de lapela, bot√£o de punho. A raridade √© condi√ß√£o indispens√°vel desse exibicionismo. S√≥ pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa colec√ß√£o de s√≠mbolos √© descrita com pron√ļncia mais ou menos afectada e tem o objectivo de definir socialmente quem a enumera.
Para esses indiv√≠duos raros, a cultura √© caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, conv√©m n√£o haver misturas. Conhe√ßo melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no in√≠cio da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escrit√≥rios for vista a ler um determinado livro nos transportes p√ļblicos, os snobs que assistam a essa imagem s√£o capazes de enjeit√°-lo na hora. Come√ßar√£o a definir essa obra como “leitura de empregadas de limpeza” (com muita probabilidade utilizar√£o um sin√≥nimo mais depreciativo para descrev√™-las).
Este exemplo aplica-se em qualquer outra √°rea cultural que possa chegar a muita gente: m√ļsica, cinema, televis√£o, etc. Aquilo que mais surpreende √© que estes “argumentos”, esta forma de falar e de pensar seja utilizada em meios supostamente culturais por indiv√≠duos supostamente cultos,

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